sábado, 17 de agosto de 2013

Teologia Inclusiva ou Teologia Gay?

O padrão de Deus para o exercício da sexualidade humana é o relacionamento entre um homem e uma mulher no ambiente do casamento. Nesta área, a Bíblia só deixa duas opções para os cristãos: casamento heterossexual e monogâmico ou uma vida celibatária. À luz das Escrituras, relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são vistas não como opção ou alternativa, mas sim como abominação, pecado e erro, sendo tratada como prática contrária à natureza. Contudo, neste tempo em que vivemos, cresce na sociedade em geral, e em setores religiosos, uma valorização da homossexualidade como comportamento não apenas aceitável, mas supostamente compatível com a vida cristã. Diferentes abordagens teológicas têm sido propostas no sentido de se admitir que homossexuais masculinos e femininos possam ser aceitos como parte da Igreja e expressar livremente sua homoafetividade no ambiente cristão.

Existem muitas passagens na Bíblia que se referem ao relacionamento sexual padrão, normal, aceitável e ordenado por Deus, que é o casamento monogâmico heterossexual. Desde o Gênesis, passando pela lei e pela trajetória do povo hebreu, até os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento, a tradição bíblica aponta no sentido de que Deus criou homem e mulher com papéis sexuais definidos e complementares do ponto de vista moral, psicológico e físico. Assim, é evidente que não é possível justificar o relacionamento homossexual a partir das Escrituras, e muito menos dar à Bíblia qualquer significado que minimize ou neutralize sua caracterização como ato pecaminoso. Em nenhum momento, a Palavra de Deus justifica ou legitima um estilo homossexual de vida, como os defensores da chamada “teologia inclusiva” têm tentado fazer. Seus argumentos têm pouca ou nenhuma sustentação exegética, teológica ou hermenêutica.

A “teologia inclusiva” é uma abordagem segundo a qual, se Deus é amor, aprovaria todas as relações humanas, sejam quais forem, desde que haja este sentimento. Essa linha de pensamento tem propiciado o surgimento de igrejas onde homossexuais, nesta condição, são admitidos como membros e a eles é ensinado que o comportamento gay não é fator impeditivo à vida cristã e à salvação. Assim, desde que haja amor genuíno entre dois homens ou duas mulheres, isso validaria seu comportamento, à luz das Escrituras. A falácia desse pensamento é que a mesma Bíblia que nos ensina que Deus é amor igualmente diz que ele é santo e que sua vontade quanto à sexualidade humana é que ela seja expressa dentro do casamento heterossexual, sendo proibidas as relações homossexuais.

Em segundo lugar, a “teologia inclusiva” defende que as condenações encontradas no Antigo Testamento, especialmente no livro de Levítico, se referem somente às relações sexuais praticadas em conexão com os cultos idolátricos e pagãos, como era o caso dos praticados pelas nações ao redor de Israel. Além disso, tais proibições se encontram ao lado de outras regras contra comer sangue ou carne de porco, que já seriam ultrapassadas e, portanto, sem validade para os cristãos. Defendem ainda que a prova de que as proibições das práticas homossexuais eram culturais e cerimoniais é que elas eram punidas com a morte – coisa que não se admite a partir da época do Novo Testamento. 

É fato que as relações homossexuais aconteciam inclusive – mas não exclusivamente – nos cultos pagãos dos cananeus. Contudo, fica evidente que a condenação da prática homossexual transcende os limites culturais e cerimoniais, pois é repetida claramente no Novo Testamento. Ela faz parte da lei moral de Deus, válida em todas as épocas e para todas as culturas. A morte de Cristo aboliu as leis cerimoniais, como a proibição de se comer determinados alimentos, mas não a lei moral, onde encontramos a vontade eterna do Criador para a sexualidade humana. Quando ao apedrejamento, basta dizer que outros pecados punidos com a morte no Antigo Testamento continuam sendo tratados como pecado no Novo, mesmo que a condenação capital para eles tenha sido abolida – como, por exemplo, o adultério e a desobediência contumaz aos pais.

PECADO E DESTRUIÇÃO
Os teólogos inclusivos gostam de dizer que Jesus Cristo nunca falou contra o homossexualismo. Em compensação, falou bastante contra a hipocrisia, o adultério, a incredulidade, a avareza e outros pecados tolerados pelos cristãos. Este é o terceiro ponto: sabe-se, todavia, que a razão pela qual Jesus não falou sobre homossexualidade é que ela não representava um problema na sociedade judaica de sua época, que já tinha como padrão o comportamento heterossexual. Não podemos dizer que não havia judeus que eram homossexuais na época de Jesus, mas é seguro afirmar que não assumiam publicamente esta conduta. Portanto, o homossexualismo não era uma realidade social na Palestina na época de Jesus. Todavia, quando a Igreja entrou em contato com o mundo gentílico – sobretudo as culturas grega e romana, onde as práticas homossexuais eram toleradas, embora não totalmente aceitas –, os autores bíblicos, como Paulo, incluíram as mesmas nas listas de pecados contra Deus. Para os cristãos, Paulo e demais autores bíblicos escreveram debaixo da inspiração do Espírito Santo enviado por Jesus Cristo. Portanto, suas palavras são igualmente determinantes para a conduta da Igreja nos dias de hoje.

O quarto ponto equivocado da abordagem que tenta fazer do comportamento gay algo normal e aceitável no âmbito do Cristianismo é a suposição de que o pecado de Sodoma e Gomorra não foi o homossexualismo, mas a falta de hospitalidade para com os hóspedes de Ló. A base dos teólogos inclusivos para esta afirmação é que no original hebraico se diz que os homens de Sodoma queriam “conhecer” os hóspedes de Ló (Gênesis 19.5) e não abusar sexualmente deles, como é traduzido em várias versões, como na Almeida atualizada. Outras versões como a Nova versão internacional e a Nova tradução na linguagem de hojeentendem que conhecer ali é conhecer sexualmente e dizem que os concidadãos de Ló queriam “ter relações” com os visitantes, enquanto a SBP é ainda mais clara: “Queremos dormir com eles”. Usando-se a regra de interpretação simples de analisar palavras em seus contextos, percebe-se que o termo hebraico usado para dizer que os homens de Sodoma queriam “conhecer” os hóspedes de Ló (yadah) é o mesmo termo que Ló usa para dizer que suas filhas, que ele oferecia como alternativa à tara daqueles homens, eram virgens: “Elas nunca conheceram (yadah) homem”, diz o versículo 8. Assim, fica evidente que “conhecer”, no contexto da passagem de Gênesis, significa ter relações sexuais. Foi esta a interpretação de Filo, autor judeu do século 1º, em sua obra sobre a vida de Abraão: segundo ele, "os homens de Sodoma se acostumaram gradativamente a ser tratados como mulheres."

Ainda sobre o pecado cometido naquelas cidades bíblicas, que acabaria acarretando sua destruição, a “teologia inclusiva” defende que o profeta Ezequiel claramente diz que o erro daquela gente foi a soberba e a falta de amparo ao pobre e ao necessitado (Ez 16.49). Contudo, muito antes de Ezequiel, o “sodomita” era colocado ao lado da prostituta na lei de Moisés: o rendimento de ambos, fruto de sua imoralidade sexual, não deveria ser recebido como oferta a Deus, conforme Deuteronômio 23.18. Além do mais, quando lemos a declaração do profeta em contexto, percebemos que a soberba e a falta de caridade era apenas um entre os muitos pecados dos sodomitas. Ezequiel menciona as “abominações” dos sodomitas, as quais foram a causa final da sua destruição: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranquilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado. Foram arrogantes e fizeram abominações diante de mim; pelo que, em vendo isto, as removi dali” (Ez 16.49-50). Da mesma forma, Pedro, em sua segunda epístolas, refere-se às práticas pecaminosas dos moradores de Sodoma e Gomorra tratando-as como “procedimento libertino”.

Um quinto argumento é que haveria alguns casos de amor homossexual na Bíblia, a começar pelo rei Davi, para quem o amor de seu amigo Jônatas era excepcional, “ultrapassando o das mulheres” (II Samuel 1.26). Contudo, qualquer leitor da Bíblia sabe que o maior problema pessoal de Davi era a falta de domínio próprio quanto à sua atração por mulheres. Foi isso que o levou a casar com várias delas e, finalmente, a adulterar com Bate-Seba, a mulher de Urias. Seu amor por Jônatas era aquela amizade intensa que pode existir entre duas pessoas do mesmo sexo e sem qualquer conotação erótica. Alguns defensores da “teologia inclusiva” chegam a categorizar o relacionamento entre Jesus e João como homoafetivo, pois este, sendo o discípulo amado do Filho de Deus, numa ocasião reclinou a sua cabeça no peito do Mestre (João 13.25). Acontece que tal atitude, na cultura oriental, era uma demonstração de amizade varonil – contudo, acaba sendo interpretada como suposta evidência de um relacionamento homoafetivo. Quem pensa assim não consegue enxergar amizade pura e simples entre pessoas do mesmo sexo sem lhe atribuir uma conotação sexual.

“TORPEZA”
Há uma sexta tentativa de reinterpretar passagens bíblicas com objetivo de legitimar a homossexualidade. Os propagadores da “teologia gay” dizem que, no texto de Romanos 1.24-27, o apóstolo Paulo estaria apenas repetindo a proibição de Levítico à prática homossexual na forma da prostituição cultual, tanto de homens como de mulheres – proibição esta que não se aplicaria fora do contexto do culto idolátrico e pagão. Todavia, basta que se leia a passagem para ficar claro o que Paulo estava condenando. O apóstolo quis dizer exatamente o que o texto diz: que homens e mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza, e que se inflamaram mutuamente em sua sensualidade – homens com homens e mulheres com mulheres –, “cometendo torpeza” e “recebendo a merecida punição por seus erros”. E ao se referir ao lesbianismo como pecado, Paulo deixa claro que não está tratando apenas da pederastia, como alguns alegam, visto que a mesma só pode acontecer entre homens, mas a todas as relações homossexuais, quer entre homens ou mulheres.

É alegado também que, em I Coríntios 6.9, os citados efeminados e sodomitas não seriam homossexuais, mas pessoas de caráter moral fraco (malakoi, pessoa “macia” ou “suave”) e que praticam a imoralidade em geral (arsenokoites, palavra que teria sido inventada por Paulo). Todavia, se este é o sentido, o que significa as referências a impuros e adúlteros, que aparecem na mesma lista? Por que o apóstolo repetiria estes conceitos? Na verdade, efeminado se refere ao que toma a posição passiva no ato homossexual – este é o sentido que a palavra tem na literatura grega da época, em autores como Homero, Filo e Josefo – e sodomita é a referência ao homem que deseja ter coito com outro homem.

Há ainda uma sétima justificativa apresentada por aqueles que acham que a homossexualidade é compatível com a fé cristã. Segundo eles, muitas igrejas cristãs históricas, hoje, já aceitam a prática homossexual como normal – tanto que homossexuais praticantes, homens e mulheres, têm sido aceitos não somente como membros mas também como pastores e pastoras. Essas igrejas, igualmente, defendem e aceitam a união civil e o casamento entre pessoa do mesmo sexo. É o caso, por exemplo, da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos – que nada tem a ver com a Igreja Presbiteriana do Brasil –, da Igreja Episcopal no Canadá e de igrejas em nações européias como Suécia, Noruega e Dinamarca, entre outras confissões. Na maioria dos casos, a aceitação da homossexualidade provocou divisões nestas igrejas, e é preciso observar, também, que só aconteceu depois de um longo processo de rejeição da inspiração, infalibilidade e autoridade da Bíblia. Via de regra, essas denominações adotaram o método histórico-crítico – que, por definição, admite que as Sagradas Escrituras são condicionadas culturalmente e que refletem os erros e os preconceitos da época de seus autores. Desta forma, a aceitação da prática homossexual foi apenas um passo lógico. Outros ainda virão. Todavia, cristãos que recebem a Bíblia como a infalível e inerrante Palavra de Deus não podem aceitar a prática homossexual, a não ser como uma daquelas relações sexuais consideradas como pecaminosas pelo Senhor, como o adultério, a prostituição e a fornicação.

Contudo, é um erro pensar que a Bíblia encara a prática homossexual como sendo o pecado mais grave de todos. Na verdade, existe um pecado para o qual não há perdão, mas com certeza não se trata da prática homossexual: é a blasfêmia contra o Espírito Santo, que consiste em atribuir a Satanás o poder pelo qual Jesus Cristo realizou os seus milagres e prodígios aqui neste mundo, mencionado em Marcos 3.22-30. Consequentemente, não está correto usar a Bíblia como base para tratar homossexuais como sendo os piores pecadores dentre todos, que estariam além da possibilidade de salvação e que, portanto, seriam merecedores de ódio e desprezo. É lamentável e triste que isso tenha acontecido no passado e esteja se repetindo no presente. A mensagem da Bíblia é esta: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”, conforme Romanos 3.23. Todos nós precisamos nos arrepender de nossos pecados e nos submetermos a Jesus Cristo, o Salvador, pela fé, para recebermos o perdão e a vida eterna.

Lembremos ainda que os autores bíblicos sempre tratam da prática homossexual juntamente com outros pecados. O 20º capítulo de Levítico proíbe não somente as relações entre pessoas do mesmo sexo, como também o adultério, o incesto e a bestialidade. Os sodomitas e efeminados aparecem ao lado dos adúlteros, impuros, ladrões, avarentos e maldizentes, quando o apóstolo Paulo lista aqueles que não herdarão o Reino de Deus (I Coríntios 6.9-10). Porém, da mesma forma que havia nas igrejas cristãs adúlteros e prostitutas que haviam se arrependido e mudado de vida, mediante a fé em Jesus Cristo, havia também efeminados e sodomitas na lista daqueles que foram perdoados e transformados.

COMPAIXÃO
É fundamental, aqui, fazer uma importante distinção. O que a Bíblia condena é a prática homossexual, e não a tentação a esta prática. Não é pecado ser tentado ao homossexualismo, da mesma forma que não é pecado ser tentado ao adultério ou ao roubo, desde que se resista. As pessoas que sentem atração por outras do mesmo sexo devem lembrar que tal desejo é resultado da desordem moral que entrou na humanidade com a queda de Adão e que, em Cristo Jesus, o segundo Adão, podem receber graça e poder para resistir e vencer, sendo justificados diante de Deus.

Existem várias causas identificadas comumente para a atração por pessoas do mesmo sexo, como o abuso sexual sofrido na infância. Muitos gays provêm de famílias disfuncionais ou tiveram experiências negativas com pessoas do sexo oposto.  Há aqueles, também, que agem deliberadamente por promiscuidade e têm desejo de chocar os outros. Um outro fator a se levar em conta são as tendências genéticas à homossexualidade, cuja existência não está comprovada até agora e tem sido objeto de intensa polêmica. Todavia, do ponto de vista bíblico, o homossexualismo é o resultado do abandono da glória de Deus, da idolatria e da incredulidade por parte da raça humana, conforme Romanos 1.18-32. Portanto, não é possível para quem crê na Bíblia justificar as práticas homossexuais sob a alegação de compulsão incontrolável e inevitável, muito embora os que sofrem com esse tipo de impulso devam ser objeto de compaixão e ajuda da Igreja cristã.

É preciso também repudiar toda manifestação de ódio contra homossexuais, da mesma forma com que o fazemos em relação a qualquer pessoa. Isso jamais nos deveria impedir, todavia, de declarar com sinceridade e respeito nossa convicção bíblica de que a prática homossexual é pecaminosa e que não podemos concordar com ela, nem com leis que a legitimam. Diante da existência de dispositivos legais que permitem que uma pessoa deixe ou transfira seus bens a quem ele queira, ainda em vida, não há necessidade de leis legitimando a união civil de pessoas de mesmo sexo – basta a simples manifestação de vontade, registrada em cartório civil, na forma de testamento ou acordo entre as partes envolvidas. O reconhecimento dos direitos da união homoafetiva valida a prática homossexual e abre a porta para o reconhecimento de um novo conceito de família. No Brasil, o reconhecimento da união civil de pessoas do mesmo sexo para fins de herança e outros benefícios aconteceu ao arrepio do que diz a Constituição: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento” (Art. 226, § 3º).

Cristãos que recebem a Bíblia como a palavra de Deus não podem ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma vez que seria a validação daquilo que as Escrituras, claramente, tratam como pecado. O casamento está no âmbito da autoridade do Estado e os cristãos são orientados pela Palavra de Deus a se submeter às autoridades constituídas; contudo, a mesma Bíblia nos ensina que nossa consciência está submissa, em última instância, à lei de Deus e não às leis humanas – “Importa antes obedecer a Deus que os homens” (Atos 5.29). Se o Estado legitimar aquilo que Deus considera ilegítimo, e vier a obrigar os cristãos a irem contra a sua consciência, eles devem estar prontos a viver, de maneira respeitosa e pacífica em oposição sincera e honesta, qualquer que seja o preço a ser pago.

"Cinquenta Tons de Cinza" e a normalização do abuso na cultura popular

O livro Cinquenta Tons de Cinza, que se transformou em um best-seller mundial, perpetua o problema da violência contra as mulheres, aponta um estudo publicado nesta segunda-feira (12) pela revista Journal of Women’s Health. A professora Ana Bonomi, da Universidade Estadual de Ohio, e suas colaboradoras na pesquisa chegaram à conclusão de que o abuso emocional e sexual domina o romance no qual a principal personagem feminina, Anastasia, sofre danos como resultado. “Embora a violência cometida pelos parceiros afete 25% das mulheres com prejuízo para sua saúde, as condições sociais atuais – com a normalização do abuso na cultura popular através de romances, filmes e músicas – criam o contexto que sustenta tal violência”, disse o estudo. O romance de E.L. James descreve a relação do multimilionário Christian Grey, de 28 anos de idade, e a estudante universitária Anastasia Steele, de 22, como “romântica” e “erótica”. Ana e suas colaboradoras nesse estudo, Lauren E. Altenburger e Nicole L. Walton, leram o livro e fizeram resumos dos capítulos para identificar os temas principais. Para o estudo, usaram como definição de violência cometida por um parceiro íntimo a dos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, que inclui o abuso emocional através da intimidação e ameaças, o isolamento, a vigilância e a humilhação. Na área da violência sexual a definição governamental inclui os atos e contatos forçados contra a vontade da pessoa, incluídos o uso de álcool e drogas e a intimidação. “Esse livro perpetua os padrões de abuso perigosos e, no entanto, se apresenta como uma história romântica e erótica para as mulheres”, afirmou Ana. “O conteúdo erótico poderia ter sido conseguido sem o tema do abuso.”

No romance, Anastasia sofre as reações comuns entre as mulheres que sofrem abusos, acrescentou o estudo. A protagonista sente uma ameaça constante e uma perda de sua própria identidade, modifica seu comportamento para manter a paz na relação quando, por exemplo, esconde seu paradeiro para evitar a ira de Christian.

Além disso, torna-se impotente e está presa na relação à medida que sua conduta se transforma em uma resposta mecânica aos padrões de abuso de Christian. Cinquenta Tons de Cinza, publicado em 2011, vendeu mais de 70 milhões de exemplares. Além disso, um filme está sendo produzido com base na obra.

Fonte: G1 Notícias.

Achado arqueológico pode comprovar a existência dos reis bíblicos Davi e Salomão!

A busca por evidências de que histórias relatadas na Bíblia realmente aconteceram fascina pesquisadores sérios. Um deles é a arqueóloga Eilat Mazar [foto], da Universidade Hebraica de Jerusalém. Começou a ganhar fama entre seus colegas em 2005, quando revelou as ruínas de um palácio, construído entre os séculos X e IX a.C., que ela acredita ter pertencido ao rei Davi. Agora, a arqueóloga apresenta outro achado: um fragmento de vaso de cerâmica com a inscrição linear mais antiga já achada em Jerusalém. Alguns pesquisadores veem o artefato como mais uma peça no quebra-cabeça que pode comprovar a existência dos reis Davi e Salomão. A inscrição foi encontrada próxima ao palácio onde eles podem ter reinado. “O fragmento, o palácio e outras evidências apontam mesmo na direção da historicidade desses personagens”, diz Gary Rendsburg, professor do departamento de estudos judaicos da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos.

Os estudiosos levantam hipóteses, mas ainda não definiram a tradução e o idioma usado na inscrição. Para uns, é proto-cananita, uma forma de escrita que precede o domínio israelita em Jerusalém. Outros defendem que se trata de uma forma arcaica de hebraico ou fenício. Enquanto não chegam a essa definição, alguns estudiosos acenam com outras possibilidades decorrentes da descoberta. “Se as pessoas sabiam ler e escrever naquela época e local, isso indica que a Bíblia pode conter relatos autênticos, e não apenas lendas escritas 700 anos mais tarde”, diz Yossi Garfinkel, professor de arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Essa ideia pode animar quem defende o texto religioso como registro histórico, mas deve ser encarada com cuidado. A arqueologia feita para provar que “a Bíblia tinha razão” é traiçoeira. “A única coisa que a descoberta prova sem dúvida é que, em torno do ano 1000 a.C., na região que hoje chamamos de Israel, alguém sabia ler e escrever”, diz Cássio Murilo Dias da Silva, professor de história e literatura do Antigo Testamento na Faculdade de Teologia da PUC-RS. O que não significa que as letras impressas no barro sejam um retrato fiel da verdade.

Fonte: IstoÉ.

Nota: A ressalva no fim da matéria deveria ser feita com mais intensidade quando são encontrados fragmentos de ossos fossilizados alegadamente tendo milhões de anos, ou mesmo pequenos pedaços de mandíbulas ou apenas dentes, sobre os quais se constroem histórias mirabolantes que quase ninguém questiona. (Michelson Borges)

Sobre assassinatos, games e educação bíblica!

Uma notícia triste (mais uma neste mundo que afunda) chocou o Brasil nesta semana. Cinco pessoas da mesma família foram encontradas mortas na noite de segunda-feira, dia 5, dentro da casa em que moravam, na Brasilândia, Zona Norte de São Paulo. Entre os mortos, estavam dois policiais militares – o sargento Luis Marcelo Pesseghini, 40 anos, e a mulher dele, a cabo Andreia Regina Bovo Pesseghini, 35 anos. O filho do casal, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, também foi encontrado morto, assim como a mãe de Andreia, Benedita Oliveira Bovo, 65 anos, e a irmã de Benedita, Bernardete Oliveira da Silva, 55 anos. A investigação descartou que o crime tenha sido um ataque de criminosos aos dois PMs e passou a considerar a hipótese de uma tragédia familiar: o garoto teria atirado nos pais, na avó e na tia-avó e cometido suicídio. A teoria foi reforçada pelas imagens das câmeras de segurança da escola onde Marcelo estudava: o adolescente teria matado a família entre a noite de domingo e as primeiras horas de segunda-feira, ido até a escola com o carro da mãe, passado a noite no veículo, assistido à aula na manhã de segunda e se matado ao retornar para casa.

O pai de um colega de escola do estudante Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 12, contou à polícia que deu carona para o menino na segunda-feira, depois de ele frequentar as aulas no colégio Stella Rodrigues, na Zona Norte de SP. Segundo informações da polícia, essa testemunha disse que parou na porta da casa da família de Marcelo Eduardo, na Brasilândia (zona norte), e buzinou para chamar os pais do menino. A criança, porém, teria dito para ele não buzinar, pois o pai estaria dormindo. Em seguida, ele se despediu do pai e do colega e entrou no imóvel. Em entrevista ao SPTV, da Rede Globo, o comandante da PM, Benedito Roberto Meira, disse que a perícia aponta que as vítimas já estavam mortas nesse momento e que o menino cometeu suicídio em seguida.

Todas as vítimas foram assassinadas com um tiro na cabeça com a pistola calibre 40 de Andrea. A arma foi encontrada embaixo do corpo de Marcelo Eduardo. Segundo o comandante, o menino era canhoto e o disparo foi feito do lado esquerdo da sua cabeça. De acordo com o comandante da PM, não há sinais de arrombamento na casa e nada foi levado da família.

Um detalhe mencionado na reportagem do site Folha.com me chamou a atenção: o menino utilizava no seu perfil do Facebook a imagem do protagonista da série de videogameschamada Assassin’s Creed. No jogo, que se passa durante o Renascimento, o personagem faz parte de uma seita de assassinos e pretende vingar a morte de seus familiares.

Antes que os críticos de plantão me condenem, quero deixar claro que não acredito (obviamente) que todas as crianças que gostam de jogos violentos se tornarão assassinas nem que todos os fãs de filmes sanguinários sairão por aí matando gente. Não é isso. Mas não dá para negar que existem muitas coincidências quando o assunto é assassinato e consumo de mídias violentas. Em anos mais ou menos recentes, temos tomado consciência de várias tragédias como a que se abateu sobre a família Pesseghini e, em muitas delas, seus protagonistas tinham contato com essas mídias violentas.

Sinceramente, não sei o que passa na cabeça de gente que desenvolvevideogames cujo objetivo é matar, decepar, trucidar. E há aos montões esse tipo de coisa no mercado. As crianças se entretêm derramando sangue, ainda que virtual. Mas quem garante que esse tipo de comportamento não vai ser reproduzido na vida real? Parece que exemplos não faltam. E a coisa é ainda pior quando há armas ao alcance.

Como tenho certeza de quevideogames violentos não deixarão de ser vendidos tão cedo (essa é uma indústria multibilionária e a “liberdade artística” está a favor dela), cabe aos pais acompanhar o que os filhos têm feito em seus momentos de lazer. O tempo é precioso. A mente de nossas crianças é valiosa. Por isso, vale a pena todo e qualquer esforço para direcioná-las a entretenimentos sadios e, sobretudo, para passar momentos de qualidade com elas, em família, valorizando a ética, a bondade e o respeito pela vida humana – real ou virtual.[MB]

(Com informações do portal UOL e do site Folha.com)

Nota: Não quero posar de exemplo, longe disso. Quero apenas partilhar uma experiência ocorrida dia desses com minhas filhas. Elas me pediram para baixar o aplicativo de um joguinho “inocente”, com um menino que corria pelas ruas, saltando obstáculos e acumulando pontos ao pegar não me lembro o que (e também não me lembro do nome do jogo). Baixei o tal aplicativo gratuito e quando elas foram iniciar o jogo, vi que o motivo que faz o menino correr pelas ruas é totalmente reprovável: ele picha uma parede e foge da polícia. Fechei o jogo e expliquei para as meninas que isso não é passatempo para pessoas que desejam ter um bom caráter. Perguntei: “Vocês acham que é certo o que o menino fez? Fugir da polícia é um bom motivo para um jogo?” Elas entenderam e imediatamente deletamos o aplicativo infeliz. Não devemos fazer virtualmente aquilo que não aprovaríamos na vida real. Além disso, aqui vai uma dica (se lhe for útil): meus filhos sabem que somente podem jogar alguma coisa depois de ler alguns capítulos de um bom livro. Esse ainda é o melhor passatempo.

Fonte: Criacionismo.

Pesquisa: Facebook não é sinônimo de Felicidade!

Os usuários do site de relacionamentos Facebook podem se sentir mais conectados com o mundo, mas não são necessariamente mais felizes, revelou um estudo publicado nesta quarta-feira (14/8) nos Estados Unidos. “Superficialmente, o Facebook proporciona um recurso valioso para satisfazer a necessidade básica dos seres humanos de estabelecer vínculos sociais”, afirmou Ethan Kross, psicólogo da Universidade de Michigan (norte) e principal autor da pesquisa publicada na revista científicaPLoS. “Mas ao invés de melhorar o bem-estar das pessoas, usar o Facebook tem um efeito inverso: o deixa pior”, disse. O estudo, feito com 82 jovens com celulares inteligentes e contas no Facebook, buscou avaliar o estado de ânimo dos usuários do site de relacionamentos mais popular da internet.


Para medi-lo, os cientistas enviaram mensagens de texto cinco vezes por dia durante duas semanas aos jovens, perguntando se se sentiam sozinhos ou ansiosos, a frequência com que usavam a rede social e quantas vezes tinham se comunicado “diretamente” com outras pessoas. Os resultados mostraram “que quanto mais as pessoas usavam o Facebook, pior se sentiam quando consultados por mensagem de texto logo depois” do acesso, afirmaram os cientistas.

“No transcurso de duas semanas, quanto mais utilizavam o Facebook, mais diminuía sua satisfação com a vida”, acrescentaram.

Ao contrário, as relações diretas com as pessoas e não por meio de redes sociais, geravam maior bem-estar pessoal. “Estes são os resultados de maior importância, pois vão ao próprio cerne da influência potencial das redes sociais na vida das pessoas”, explicou John Jonides, neurocientista da Universidade de Michigan e coautor do estudo.

Os pesquisadores também observaram que os entrevistados não ficavam mais propensos a usar o Facebook quando se sentiam mal, apesar de terem acessado o site frequentemente quando se sentiam sozinhos.

No entanto, os autores do estudo se recusaram a generalizar os resultados e a afirmar que o uso do Facebook - ou de outras redes sociais na internet - tenha o mesmo efeito em todas as pessoas. “Nós nos concentramos nos adultos jovens, já que eles representam uma parte essencial dos usuários do Facebook”, destacaram.

Esse estudo foi publicado uma semana depois de uma pesquisa realizada por cientistas britânicos, que indicam que publicar fotos frequentemente no Facebook poderia deteriorar as relações humanas na vida “real”.


Nota: O que fazemos nas redes sociais deve ser uma extensão de quem somos e do que fazemos na vida “real”. Infelizmente, há pessoas que se esquecem disso, e fazem de suas páginas nas redes sociais mostruários de conteúdos e comportamentos impróprios. Pior é quando se tratam de cristãos. Jesus pede de nós, os que dizemos segui-Lo, que sejamos “pescadores de homens”. A internet é comparada ao mar, tanto é que se “navega” nela. E esse mar está repleto de homens e mulheres em busca de algo. Se temos o devido senso de missão, vamos jogar nossas “redes” nesse mar a fim de atrair náufragos para a verdadeira esperança – que não é virtual, é real. No entanto, a reportagem acima nos lembra de que é bom usar essas redes sociais com moderação, a fim de que a vida virtual não engula a real. Desconecte-se de vez em quando (melhor seria dizer: conecte-se de vez em quando) e alimente seus relacionamentos reais. Converse face a face. “Curta” a companhia das pessoas. Dê-lhes cartões de verdade, abraços de verdade. Viva e seja feliz.(Michelson Borges)

Naturalismo filosófico = autocontradição filosófica!

Quando o erro é examinado de forma exaustiva, invariavelmente as contradições internas tornam-se evidentes. Só a Verdade é que sobrevive ao exame minucioso. Uma das instâncias em que isso é notório é na posição mantida pelos naturalistas ateus. O ateu afirma: “Recuso-me a acreditar em qualquer coisa que não seja natural – cuja explicação não possa ser encontrada na natureza. Tudo tem que – e pode – ser explicado por meio de processos naturais.” 

Portanto, segundo o naturalismo ateu, a existência de tudo o que se encontra no Universo – bem como o Universo em si – têm que ser explicada por meios naturais; nada não natural (ex.: um Ser sobrenatural) pode ser levado em consideração. 

O geólogo evolucionista Robert Hazen, que obteve um PhD em Earth Science (Harvard), é um cientista de pesquisas no Geophysical Laboratory, da Carnegie Institution of Washington, e professor de Earth Science na George Mason University. Em sua série de palestras com o nome de “Origins of Life”, Hazen disse: “Nesta série de palestras eu faço a pressuposição básica de que a vida emergiu segundo um tipo de processo natural. Proponho que a vida surgiu como efeito de uma sequência de eventos que são completamente consistentes com as leis naturais da Física e da Química. Com essa pressuposição, alinho-me com a forma de pensar da maioria dos cientistas. Acredito num universo que está ordenado segundo essas leis naturais. Tal como outros cientistas, dependo do poder de observação, dos testes e do raciocínio teorético para entender a forma como o Universo chegou até nós da forma que está” (2005).

O problema é que, ao manter essa forma de pensar, o naturalista rapidamente esbarra numa parede de fatos científicos que contradizem sua posição.

As leis da ciência são declarações formais (repetidamente provadas pela ciência) em torno do que acontece na natureza, sem exceção. O naturalista não pode manter uma visão que contradiga as leis da natureza, sem ao mesmo tempo entrar em contradição. Mas é nessa posição em que ele se encontra ao postular uma explicação que contradiz as leis da natureza ou mais pontos. Por exemplo, a explicação do adepto do naturalismo em torno da origem da matéria e da energia (isto é, geração espontânea ou existência eterna) não é natural, visto que contradiz a Primeira e a Segunda Leis da Termodinâmica (Miller, 2007).

O naturalista tem que continuar a se contradizer ao alegar um processo não natural para a origem da vida (isto é, abiogênese, que contradiz a Lei da Biogênese; Miller, 2012). Para piorar as coisas, o naturalista tem que se contradizer ao alegar que os vários tipos de formas de vida podem gerar tipos de vida totalmente distintos através da “macroevolução” – um processo que, ao contrário da “microevolução” [que não é evolução nenhuma], nunca foi observado na natureza.

A abiogênese, a geração espontânea e a “macroevolução” são sugestões não naturais, uma vez que nunca foram observadas na natureza, embora sejam fundamentais para a visão não natural do naturalista. Isso demonstra que a visão naturalista é autocontraditória. Se é autocontraditória, então é falsa.

A cosmovisão que está de acordo com as evidências – e que não se contradiz – é a visão cristã descrita nas páginas da Bíblia Sagrada. O naturalista não consegue explicar o Universo sem recorrer a métodos não naturais. O cristão não tem problemas com as explicações sobrenaturais, uma vez que a Bíblia declara que Deus – um Ser sobrenatural – criou o Universo e a vida contida nele [...].

A Verdade não se contradiz. Quando ela é examinada, mantém-se firme. Quando uma pessoa decide combater a Verdade, invariavelmente prejudica a si mesma.

“Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido e têm cometido abominável iniquidade: não há ninguém que faça o bem” (Salmo 53:1).

Fonte: Darwinismo.

Referências:
Hazen, Robert (2005), “Origins of Life”, audio-taped lecture (Chantilly, VA: The Teaching Company).
Miller, Jeff (2007), “God and the Laws of Thermodynamics: A Mechanical Engineer’s Perspective”, Reason & Revelation, 27[4]:25-31, April, http://www.apologeticspress.org/articles/3293
Miller, Jeff (2012), “The Law of Biogenesis [Parts I & II]”, Reason & Revelation, 32[1/2]:1-11,13-22, January-February,http://www.apologeticspress.org/APContent.aspx?category=9&article=4165&topic=93
Thompson, Bert (2002), The Scientific Case for Creation (Montgomery, AL: Apologetics Press).

Jesus Cristo em fontes históricas extrabíblicas!

Você já deve ter encontrado céticos que não aceitam as fontes bíblicas quando se trata da existência de Jesus de Nazaré. Muitos deles, geralmente, pedem fontes históricas extrabíblicas (fontes fora da Bíblia) e fazem isso na suposição de que fontes históricas que mencionam Jesus não existem ou são muito escassas. A fim de mostrar que essa é mais uma objeção sem fundamento, segue uma lista de fontes históricas não bíblicas a respeito de Jesus, datadas de 30 a 180 anos depois da época em que Ele aqui viveu.
Discípulos dos Apóstolos:
Clemente de Roma (de meados até o final do século I: conheceu Paulo e João)
Papias (60-130 d.C.: discípulo de João e amigo de Policarpo)
Policarpo (69-156 d.C.: discípulo de João e amigo de Inácio e Papias)
Inácio (107 d.C.: um amigo de Policarpo e, provavelmente, um discípulo de João e, possivelmente, de outro apóstolo)

Os chamados “Pais da Igreja”, do século II:
Justino Mártir (100-165 d.C.)
Irineu (200 d.C.)
Apolinário (século II)
Aristides (início do segundo século)
Atenágoras (final do segundo século)
Clemente de Alexandria (final do segundo século)
Dionísio de Corinto (segundo século)
Hegésipo (110-180 d.C.)
Hermes (primeiro ou segundo século: Orígenes acreditava que este era o Hermes de Romanos 16:14)
Melito (190 d.C.)
Taciano (de meados até o final do século II)
Tertuliano (final do século II)
Teófilo (século II)

Obras anônimas:
A Epístola de Barnabé (70-100 d.C.)
Didaquê (50-120 d.C.)

Críticos do Cristianismo:
Celso (século II: crítico do Cristianismo)
Marcião (160 d.C.)
Escritos gnósticos:
O Evangelho da Verdade (140-180 d.C.)
O Apócrifo de João (120-180 d.C.)
O Evangelho Apócrifo de Tomé (50-140 d.C.)
O Tratado sobre a Ressurreição (170-200 d.C.)
Historiadores antigos:
Cornélio Tácito (115 d.C.)
Suetônio (115 d.C.)
Flávio Josefo (93 d.C.)
Talo (52 d.C.)
Oficiais do Império Romano:
Plínio, o Moço (111-112 d.C.)
Imperador Trajano (início do século II)
Imperador Adriano (início do século II)
Outras fontes judaicas:
O Talmude (135 d.C.)
Toledoth Jesu (compilado no século V d.C., era uma coleção de escritos que data de meados do século I até meados do século II d.C.)
Outras fontes gentílicas:
Luciano de Samosata (165-175 d.C.)
Mara Bar-Serapião (73-200 d.C.)
Dizeres considerados por alguns estudiosos como fontes hipotéticas relacionadas aos Evangelhos:
M (dizeres em Mateus apenas, mas não em outros Evangelhos)
L (dizeres em Lucas apenas, mas não em outros Evangelhos)
Q (dizeres tanto em Mateus quanto em Lucas, mas não em outros Evangelhos)
Fontes: RisenHope e Ler para Crer.

sábado, 3 de agosto de 2013

Qual é a religião do brasileiro??

O Brasil tem passado por uma mudança na composição da religiosidade de sua população e a vinda dos papas ao país não interrompeu esse processo, ao contrário, tem acelerado. João Paulo II, com apenas dois anos de pontificado, foi o primeiro papa que pisou no território brasileiro. Ele chegou em 30 de junho de 1980 e realizou o gesto célebre de ajoelhar-se e beijar o chão, saudando a terra do maior país tropical do mundo. Ele levou uma multidão de cerca de cinco milhões de católicos e não católicos às ruas e mexeu com o Brasil. Em 1980, os católicos representavam 89% da população nacional. A segunda visita do papa João Paulo II ao Brasil – no auge da sua fama e logo após o fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim – foi entre 12 e 21 de outubro de 1991, sendo recebido em Brasília pelo então presidente Fernando Collor de Mello, visitou a Irmã Dulce, em Salvador, percorreu dez capitais e fez 31 pronunciamentos, também beatificou Madre Paulina. Em 1991, os católicos representavam 83% da população nacional.

A terceira visita do papa João Paulo II ao Brasil foi entre 2 e 6 de outubro de 1997, quando foi recebido pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Nessa visita o papa participou do II Encontro Mundial com as Famílias, realizado na cidade do Rio de Janeiro, ficando por quatro dias na cidade. Naquele ano, os católicos representavam cerca de 74% da população nacional.

Pesquisa divulgada em 21 de julho de 2013 pelo Instituto Datafolha mostra que, quando o papa Bento XVI veio ao Brasil, em 2007, os católicos representavam cerca de 64% da população e agora, na visita do papa Francisco, os católicos representam apenas 57% da população nacional.

Ou seja, embora o Brasil nunca tenha presenciado tantas vindas papais na história, o percentual de católicos tem diminuído na impressionante cifra de 1% ao ano. Será que o papa Francisco, com sua pregação de aproximação com os mais pobres, vai mudar essa realidade? Certamente, o papa Francisco tem carisma e em sua visita ao Brasil evitou os temas polêmicos da Igreja e passou uma mensagem de esperança e de defesa das comunidades pobres. Ele fez discurso contra a corrupção e disse: “Nunca desanimem, não percam a confiança.”

Mas será que a Igreja Católica no Brasil vai encontrar forças para virar o jogo? Os dados da pesquisa Datafolha lançam alguma luz sobre a participação dos entrevistados nas igrejas.

Entre os católicos, 28% costumam ir à missa uma vez por semana e 17% costumam ir à missa e outros serviços religiosos mais de uma vez por semana. 21% dizem ir à igreja uma vez por mês e 7% assumem que não a frequentam. Os números também apontam que 34% deles têm o hábito de contribuir financeiramente com a Igreja, com um valor médio mensal de R$ 23.

Porém, entre os evangélicos pentecostais (que em média são mais pobres do que os católicos), 63% vão à igreja mais de uma vez por semana, 52% contribuem financeiramente, e o valor médio é de R$ 69,10 mensais. Entre os evangélicos não pentecostais, 51% vão à igreja mais de uma vez por semana, 49% contribuem financeiramente, e o valor médio é de R$ 85,90 mensais.

Segundo o censo demográfico 2010, do IBGE, havia 123 milhões de católicos e 42 milhões de evangélicos no país. Aplicando as percentagens mostradas na pesquisa Datafolha chega-se ao número de 34,5 milhões de católicos que frequentam a missa uma vez por semana e 26,6 milhões de evangélicos que participam dos cultos com a mesma frequência. Mas como a contribuição financeira média é maior entre os segundos, pode-se concluir que, entre os fiéis mais presentes nas missas/cultos, as igrejas evangélicas arrecadam mais que o dobro do montante de dinheiro em relação à Igreja Católica.

Além de contribuir menos financeiramente com a igreja, os católicos também são os menos sujeitos a seguir as orientações políticas dadas por sua igreja, segundo o Datafolha. Apenas 5% dos entrevistados que se disseram católicos afirmaram ter votado em um candidato recomendado pela Igreja, e 11% consideram importante a opinião dos religiosos durante a campanha.

Todavia, entre os evangélicos pentecostais, os números sobem para 18% e 21%, respectivamente. Entre os evangélicos não pentecostais, 14% votaram em candidato recomendado e o mesmo número considera a opinião dos religiosos importante.

Dessa forma, a pesquisa Datafolha mostra que o processo de mudança de hegemonia religiosa continua em ritmo acelerado e os católicos podem perder a posição de maioria absoluta da população em um prazo mais curto do que o previsto anteriormente. Os pentecostais são mais ativos no processo de evangelização e no uso das mídias na conquista dos fiéis. Eles crescem entre os pobres e com o dízimo dos pobres.

Em entrevista ao portal IG, em 26 de julho, Frei David disse: “O carreirismo é uma doença que contagiou muito a Igreja Católica do Brasil. Os novos padres não revelam garra para servir aos pobres. Há exceções, graças a Deus. Ao serem ordenados, querem paróquias ricas, nas quais entra muito dinheiro. Querem carro do ano, reformar sua casa paroquial, comprar os últimos equipamentos eletrônicos. Querem ocupar cargos e sonham em ser bispos. Há uma perigosa perda de foco.”

Os evangélicos, por outro lado, engrossam suas fileiras por quatro motivos: (a) porque estão mais bem posicionados nos grupos demográficos mais dinâmicos da sociedade brasileira; (b) porque promovem a migração inter-religiosa, atraindo fiéis das hostes católicas; (c) formam pastores em tempo mais curto e que estão mais presentes junto às comunidades em geral, especialmente as pobres; e (d) customizam o discurso evangélico para as diversas camadas da população, para os diversos estabelecimentos do comércio da fé e para os inúmeros segmentos do mercado religioso.

Na última década, houve perda, não só relativa, mas também absoluta de católicos. Não existem dados longitudinais, mas tudo indica que a migração tenha se dado tanto entre os católicos praticantes quanto entre não praticantes, mas não necessariamente na mesma proporção. Há inclusive diversos exemplos de padres católicos que viraram crentes, como o do pastor Nivaldo Lisboa Soares, da Assembleia de Deus.

Segundo Hélio Schwartsman, da Folha de S. Paulo: “A pesquisa Datafolha feita às vésperas da chegada do papa ao Brasil mostra que os católicos estão se tornando menos numerosos, menos fiéis (vão pouco a missas) e menos obedientes (são tolerantes para com temas que o Vaticano considera tabu).”

As maiores perdas dos católicos acontecem entre as mulheres e os jovens. O Rio de Janeiro é a Unidade da Federação com menor percentual de católicos e o maior percentual de pessoas que se declaram sem religião. Nesse sentido, a realização da Jornada Mundial da Juventude e a presença do papa Francisco constitui uma tentativa de estancar a perda de fiéis. Mas, enquanto os católicos tentam se aproximar dos pobres, setores dos evangélicos reforçam o discurso da teologia da prosperidade, que, sem juízo de valor, tem, na prática, prevalecido tanto sobre os princípios da teologia da libertação quanto em relação às pregações dos carismáticos.

Segundo o professor Reginaldo Prandi (2013), do departamento de sociologia da USP, os evangélicos estão na trilha de se tornar a força religiosa dominante no país: “Depois de trocar o discurso do desapego material pela apologia do consumo, o pentecostalismo brasileiro se vê instado a afrouxar sua moral conservadora para conquistar segmentos mais abastados e escolarizados.”

Parece que a maioria das igrejas pentecostais se adaptou melhor às mudanças na sociedade capitalista que abandonou o ascetismo do trabalhador produtivo (tipo calvinista) para o capitalismo keynesiano com centralidade no consumo. A teologia da prosperidade tem sido a ponte para o mundanismo reformado.

Segundo Prandi: “A nova teologia promete que se pode contar com Deus para realizar qualquer sonho de consumo. Em suma, já não se consegue, como antes, distinguir um pentecostal na multidão por suas roupas, cabelo e postura. Tudo foi ajustado a novas condições de vida num país cujo governo se gaba do (duvidoso) surgimento de certa ‘nova classe média’.”

Na nova conjuntura econômica e política do país e em uma sociedade cada vez mais secularizada, dificilmente o papa Francisco, mesmo com sua tentativa de se aproximar dos pobres, terá muito êxito em conseguir mudar o rumo das transformações religiosas, inclusive o crescimento da parcela que se declara sem religião. Entre os próprios evangélicos cresce a percentagem daqueles não praticantes.

Dessa forma, as diversas religiões vão se adaptando às exigências da cultura secular. Por exemplo, mesmo o papa conclamando os jovens a irem para as ruas, os participantes da JMJ tiveram que conviver com o “beijaço gay”, com o protesto das feministas do movimento autodenominado “Vadias” e das diversas manifestações reafirmando a laicidade do Estado, pedindo a descriminalização do aborto, criticando os altos custos envolvidos na vinda do papa, etc. As religiões hoje em dia, nas sociedades democráticas, são obrigadas a conviver com manifestações pagãs e com críticas às práticas religiosas.

Mas a ideia de “desencantamento do mundo”, de Max Weber, avançou conjuntamente com o encantamento pelo consumo no capitalismo pós-moderno. A pluralidade religiosa pode ser uma boa novidade em um país que passou quase 500 anos com monopólio de uma única fé. Mas o crescimento de algumas denominações religiosas pode ser apenas fenômeno temporário da atual conjuntura da sociedade brasileira. Como disse Alves (2012), “o crescimento das correntes evangélicas pentecostais no país tem sido compatível com o fato de que o sagrado está cada vez mais comercializado e dessacralizado. É o Brasil cada vez mais desencantado”.

(José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; EcoDebate)

Referências:
PRANDI, Reginaldo. “A conversão do pentecostalismo”, Folha de S. Paulo, 21/7/2013
ALVES, JED. “A vitória da teologia da prosperidade”, Folha de S. Paulo, 06/7/2012
SCHWARTSMAN, Hélio. “Uma era secular”, Folha de S. Paulo, 26/7/2013

Nota: Parece que o panorama religioso em nosso país não é muito promissor. Com a superação da Teologia da Libertação e sua mensagem de cunho fortemente político (que deixou hostes de órfãos secularizados ou mesmo sem fé), focada nos pobres e nas lutas sociais, eis que desponta fortemente uma teologia ainda mais perniciosa: a da prosperidade. O coração não convertido é terreno fértil para a ganância. Enquanto os padres da Liberdade pregavam a revolução social com cores marxistas, os pastores da Prosperidade enfatizam o ganho pessoal e o enriquecimento; pregam o reino de Deus na Terra e parecem se esquecer do que Jesus disse: que Seu reino não é deste mundo. Sai de cena a teologia focada na comunidade (lembra-se das CEBs?) e entra no palco a teologia individualista, da barganha com Deus e da alienação. São dois extremos que acabam passando longe do verdadeiro evangelho. É verdade que Cristo deu atenção especial aos desfavorecidos, pois é da natureza de Deus amar os que sofrem. Mas Ele jamais escorou Sua mensagem na subversão social, na luta contra o império e as injustiças políticas. O cristianismo acabou, sim, abalando o mundo, mas com a “arma” do amor, da pregação pacifista. Foi a revolução da conversão, cujo poder é inigualável. Foi a pregação do reino vindouro que sacudiu as bases dos reinos humanos. Jesus também não pregou sobre a prosperidade financeira como se ela fosse consequência natural da aceitação de Seu reino. Na verdade, todos os discípulos dEle foram desprovidos dos bens que este mundo tanto valoriza e tiveram uma vida de privações e perseguições. A prosperidade financeira passou longe desses homens, mas o nome deles está gravado nos muros preciosos da Nova Jerusalém. 

Não creio que o papa Francisco (nem mesmo ele) e os pastores evangélicos conseguirão reverter o quadro que tanto assusta os cristãos pensantes e verdadeiramente preocupados com a evangelização do mundo calcada nas páginas das Escrituras. A moral cristã se afrouxa; “a teologia da prosperidade tem sido a ponte para o mundanismo reformado”; a religião institucional dá lugar a uma religiosidade descompromissada; dogmas pagãos e pluralismo religioso com sabor pós-moderno substituem as verdades bíblicas. Mas tudo isso não nos deve assustar (embora entristeça), pois Jesus mesmo advertiu: “Quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?” (Lc 18:8). A fé verdadeira será cada vez mais artigo raro. Cristãos de verdade se contarão nos dedos. Mas a esperança permanece: Ele virá! (Michelson Borges)

Fonte: Criacionismo.

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