quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Marcelo Gleiser, crenças e uma visão razoável do método científico (enfim...)

por Marcelo Gleiser [meus comentários estão entre colchetes]
RESUMO O tema das relações entre ciência e religião continua gerando debates. O autor elenca diferentes posições assumidas por cientistas diante da questão. "O que pode surpreender a muitos", escreve ele, "é que essa atração pelo mistério, em essência uma atração espiritual pela natureza, inspira o cientista em seu trabalho [é importante definir o espiritual. Como veremos, Gleiser o define dentro do materialismo, limitando e em certo sentido contradizendo o significado do termo]."
Ao discutirmos a complexa relação entre ciência e religião, com frequência nos deparamos com posições polarizadas: ou se afirma "acredito" ou se afirma "não acredito", com convicção semelhante em ambos os casos.
Com frequência ainda maior, se perguntarmos no que, exatamente, se acredita, ou de onde vem a necessidade individual da fé, nos deparamos com respostas vagas que incluem "tradição", "comunidade", "mortalidade", passando pelos que, de fato, têm sua fé examinada, questionada e reavaliada regularmente [e esses podem ser encontrados nos dois lados: na religião e na ciência].
Nossas convicções mudam com a idade e, entre elas muda, também, nossa relação com a fé [indício de Gleiser retrocedendo em seu ateísmo?].
Nessa polarização milenar, muita animosidade desnecessária vem da convicção infundada de que os que têm opinião diferente da nossa em relação à fé, ou os que acreditam de forma diferente, estão profundamente equivocados, ou são simplesmente tolos ou, pior, são infiéis que não merecem viver [ou não merecem estar na academia, não merecem publicar suas pesquisas, etc.].
Deixando de lado a óbvia radicalização dos muçulmanos de organizações terroristas como Estado Islâmico ou Al Qaeda, um exemplo mais ameno, mas não menos sintomático do radicalismo entre ateus e cristãos vem ocorrendo nos debates presidenciais americanos, nos quais os ateus são considerados os candidatos menos elegíveis. É impensável que se eleja um presidente ateu nos EUA.
Na realidade, existe todo um espectro de modalidades da fé humana que ocupa um rico espaço entre o radicalismo dos dois polos. Por exemplo, Francis Collins, diretor do Instituto Nacional da Saúde nos EUA –o órgão governamental que administra o maior número de bolsas de pesquisa nas áreas da medicina e da biologia– não vê conflito algum entre ser cristão e ser cientista.
Como ele, muitos cientistas veem a prática científica como mais um meio de admirar a obra divina, como uma forma de devoção religiosa. Essa é uma tradição antiga, que inclui, por exemplo, alguns dos patriarcas da ciência moderna, como Copérnico, Newton, Kepler e Descartes. A ruptura veio mais tarde, com o Iluminismo do século 18 [com os "iluminados" do iluminismo apenas, diga-se de passagem! O cristão que faz jus ao nome possui em si um espírito investigador e cético, ao mesmo tempo em que estuda o máximo que pode para ser útil e servidor, como Jesus foi cético e servidor em Seu contexto!].
LEIS
Para ateus conhecidos do público, como Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchens (1949-2011), esse tipo de posição intermediária é inconsistente com os fundamentos da ciência: a natureza é material, e a matéria é organizada segundo leis quantitativas. O objetivo da ciência é descobrir essas leis; não existe espaço para mais nada [na cabeça fechada de quem a possui...].
Segundo eles, essa posição metafísica conciliatória cria uma série de problemas filosóficos. Embora atraente, ela força a coexistência incompatível do natural com o sobrenatural. Como a natureza pode ser tanto natural quanto sobrenatural? [Um exemplo simples: a vida existe, mas não se pode reproduzi-la em laboratório! A vida é naturalmente sobrenatural!]
Por definição, chamar um evento que ocorre e é percebido por alguém como sendo um "fenômeno sobrenatural" cria uma inconsistência básica: para que o fenômeno tenha sido observado, teve que emitir algum tipo de radiação eletromagnética (luz visível, radiação infravermelha etc.), que foi detectada por algum observador ou aparelho –"Eu vi um fantasma!".
Em outras palavras, para que um fenômeno seja detectado, tem que trocar energia com quem (ou com o que) o observa. Um fenômeno chamado de sobrenatural, uma vez observado, passa a ser perfeitamente natural, mesmo se misterioso ou aparentemente inexplicável. Um fantasma que é visto não é mais uma entidade sobrenatural [aqui Gleiser confunde realidade com materialidade, talvez por seus subsunçores evolucionistas uniformitarianistas, que creem que o presente é a chave para entender o passado! Veja, a vida é real, mas esse fato não a torna necessariamente produto de processos naturais e, portanto, materialistas. A realidade é onde o sobrenatural é percebido tanto quanto o que é material. A origem, a manutenção e o futuro do que é material implicam/podem implicar o sobrenatural. Sem falar na existência natural de fenômenos sobrenaturais, milagres, entidades, e outros tão presentes dentro e fora da religião. Por exemplo: por que um cadáver e um corpo vivo são fisiologicamente idênticos, mas só um está vivo? Quem decide?].
Alguns adotam a posição que o biólogo americano Stephen Jay Gould (1941-2002) chamou de Noma (do inglês "Non-overlapping magisteria", magistérios que não se superpõem) e compartimentam a ciência e a religião em esferas limitadas de influência, afirmando algo como "a religião começa onde a ciência termina".
Apesar de cômoda, essa posição não vai muito longe [tão longe quanto se queira!].
À medida que a ciência avança, a fronteira entre os dois magistérios vai migrando, refletindo a posição conhecida como "Deus dos Vãos", a religião tapando os buracos da nossa ignorância científica [e o naturalismo metafísico tentando arduamente tapar as evidências naturais de uma origem e manutenção sobrenaturais].
Por outro lado, afirmar categoricamente que o sobrenatural tem uma existência intangível e imensurável posiciona sua natureza além do discurso científico, anulando qualquer possibilidade de troca construtiva de ideias [mas isso é pura filosofia grega amigo! A boa religião tanto quanto a boa ciência não são fideístas].
O fato é que a ciência e a religião claramente se superpõem na cabeça das pessoas [ou se aliam; cada cabeça é única, mas as evidências são as mesmas para todos], nas escolhas que fazemos na vida, nos desafios morais que a sociedade moderna enfrenta. É por demais ingênuo negar o poder da religião no mundo, com bilhões de pessoas declarando-se seguidores de algum tipo de fé, mesmo que muitos deles definam sua fé de forma vaga.
Além disso, a posição dos ateus radicais também é inconsistente com os parâmetros do método científico, algo que talvez surpreenda muita gente [quem te viu, quem te vê hein?!]. Basta ver que o ateísmo é a crença na não crença, já que a possibilidade da existência de qualquer tipo de divindade é negada categoricamente. Ora, a ciência não pode negar a existência de algo categoricamente, apenas após observações absolutamente conclusivas. E como podemos ter certeza do que ainda não medimos?
AGNÓSTICO
A posição mais consistente com o método científico é a do agnóstico, como haviam já percebido Thomas Huxley e Bertrand Russell, entre muitos outros: não vejo qualquer razão para crer, mas, com base no que sei não posso negar absolutamente a possibilidade de que alguma entidade divina exista. Como escreveu Huxley, criador do termo "agnóstico": "É errôneo afirmar que se tem certeza da verdade objetiva de uma proposição, a menos que seja fornecida evidência que justifique logicamente esta certeza".
Em vista da diversidade de posições, a questão essencial é a origem dessa necessidade de acreditar que identificamos na maioria absoluta das culturas do passado e do presente. O que a crença oferece que é tão necessário a tantos?
Pertencer a um grupo religioso confere um senso de comunidade imediato. Ao encontrar outros membros de sua comunidade na igreja ou templo, a pessoa vê sua crença justificada, dado que é compartilhada por tantos outros. Mais do que a crença em si, a pessoa se vê integrada num grupo com valores afins.
Isso é tanto verdade para as pessoas de fé quanto para aquelas seculares, sejam elas ateias ou agnósticas. Seres humanos são criaturas tribais, e tribos definem-se a partir de certos símbolos, mitos ou código moral [esta é uma maneira de crer; outra é supor que a moralidade é anterior a humanidade, sendo por esta percebida e obedecida!].
Não há dúvida de que nossos ancestrais entenderam que existe uma enorme vantagem em pertencer a um grupo. Fazer parte de uma tribo oferecia uma proteção que aumentava as chances de sobrevivência num ambiente extremamente hostil: unidos venceremos. Tanto no passado quanto no presente, fazer parte duma tribo confere legitimidade social imediata [que tribo? E só existiam indígenas no passado? E as civilizações tão cheias de engenharias? E os fósseis "humanoides" e suas tecnologias avançadas? Bom, mas cada um escolhe suas crenças ou a conjuntura histórica da vida de um indivíduo lhe facilita certas (des)crenças, não é mesmo?].
Para muita gente, a fé pode ser a justificativa oferecida para participar de um grupo religioso, mas é o senso de comunidade, de valores compartilhados pelo grupo, o que está por trás da devoção [ou chamados sobrenaturais como vêm ocorrendo no Estado Islâmico e países intolerantes ao cristianismo: confira aqui!].
Existe, no entanto, um outro aspecto da fé, bem mais subjetivo do que tribal. Como descreveu o psicólogo americano William James em sua obra-prima "As Variedades da Experiência Religiosa", a experiência religiosa atinge seu clímax na subjetividade da experiência individual, na comunhão da pessoa com o desconhecido, na percepção de transcendência dos limites da existência humana, delineada pelas barreiras do espaço e do tempo.
As visões e revelações dos profetas e dos santos, a experiência emocional do divino ocorre no indivíduo, mesmo quando induzida pelo grupo –por exemplo, através de rituais. Existe muito mais no mundo do que o que percebemos ou podemos medir, e essas características "ocultas" são igualmente importantes na nossa construção do que definimos como realidade [a realidade é pura filosofia? Revelação e profecias cumpridas com exatidão também?].
Como escreveu James, "toda a sua vida subconsciente, seus impulsos, suas crenças, suas necessidades são a premissa da sua existência consciente; existe algo dentro de você que sabe de forma absoluta que o resultado disso tudo deve ser mais verdadeiro do que qualquer tipo de argumento lógico, por mais articulado que seja, que tente contradizer essas convicções subconscientes" [outra maneira de dizer o que disse mais acima sobre a conjuntura histórica do indivíduo].
Mesmo que o filósofo George Santayana (1863-1952) e outros tenham criticado James por "encorajar a superstição", ninguém pode negar que a razão tem alcance limitado. A ciência, se vista como expressão da razão humana, espalha-se por todos os cantos do conhecimento de forma magnífica, mas seu alcance não é ilimitado [apostatar do cientificismo é sempre uma decisão inteligente! Será que ela é sempre tomada naturalmente?].
Existe outra dimensão da fé, separada dos rituais tribais, da religião organizada, que dá expressão a uma necessidade primária que temos de comunhão com o desconhecido. Esse é o aspecto mais universal da necessidade humana de crer, que transcende as divisões arbitrárias da fé criadas no decorrer da história; as religiões, as tradições, os cultos, as tribos e suas regras. Não existe aqui qualquer menção a uma supersticiosidade irracional ou mística. O que identificamos é a necessidade individual da crença, expressa por cada um de forma variada.
Quando Einstein menciona sua "emoção religiosa cósmica" para descrever sua conexão espiritual com a natureza, está tentando expressar precisamente essa atração humana pelo mistério, pelo desconhecido. "Espiritual" não implica a crença numa dimensão não material [é verdade, depende da definição que se escolhe e da situação que se aborda].
O que pode surpreender a muitos –especialmente aos que veem cientistas através do estereótipo do racionalista frio– é que essa atração pelo mistério, em essência uma atração espiritual pela natureza, inspire o cientista em seu trabalho. Não é Deus que se busca no questionamento científico, mas a transcendência do humano, a busca por uma dimensão além do cotidiano que dá sentido à nossa busca por sentido [no método científico não enviesado pelo naturalismo e na boa religião também!].
Mesmo o cientista secular quando estende sua curiosidade ao oceano do desconhecido está praticando essa crença, expressando a necessidade que temos de conhecer nossa história e de explorar o novo, estendendo nossa visão da realidade.
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Paracetamol não apresenta benefícios contra gripe (#Saúde)

Acetaminofeno para gripe 
Muitos médicos recomendam aos seus pacientes com gripe para tomar acetaminofeno, ou paracetamol, para aliviar seus sintomas.
No entanto, um novo estudo clínico randomizado não encontrou benefícios dessa medicação nem na luta do corpo contra o vírus da gripe, e nem na redução da temperatura corporal ou outros sintomas típicos da gripe.
A boa notícia é que também não foram identificados efeitos negativos, que alguns cientistas haviam suspeitado ser possível na interação do acetaminofeno com o vírus da gripe.
Nem bem nem mal
"Nós inicialmente teorizamos que tomar paracetamol poderia ser prejudicial, já que o vírus da gripe não consegue se replicar tão bem em temperaturas mais altas, e reduzir a temperatura de uma pessoa faria o vírus prosperar. Felizmente, descobrimos que este não é o caso," disse a Dra Irene Braithwaite, do Instituto de Pesquisas Médicas da Nova Zelândia, responsável pelo estudo.
O ensaio clínico incluiu adultos entre 18 e 65 anos de idade com infecções de gripe confirmados que foram tratados com a dose máxima recomendada de paracetamol ou por placebo durante cinco dias. Os participantes foram acompanhados por até 14 dias.
"Neste estudo, o paracetamol não foi prejudicial, mas também descobrimos que o paracetamol também não foi benéfico," finalizou Braithwaite.
Outros estudos já demonstraram que o paracetamol pode causar danos ao fígado e que, acima da dose, o paracetamol apresenta riscos para adultos e crianças.
Nota: Há mais de um século, uma educadora norte-americana já advertia:
Costume Comum, mas Perigoso Um costume que está deitando bases a vasta soma de doenças e males mais sérios ainda é o livre uso de drogas venenosas. Quando atacados pela enfermidade, muitos não se darão ao trabalho de descobrir a causa do mal. Sua principal ansiedade é verem-se livres da dor e dos desconfortos. Recorrem portanto a panacéias, cujas reais propriedades eles mal conhecem, ou recorrem a um médico para neutralizar os efeitos de seu mau proceder, mas sem nenhuma idéia de mudar seus nocivos hábitos. Caso não sintam benefícios imediatos, experimentam outro remédio, e depois outro. Assim continua o mal (A Ciência do Bom Viver, pág. 126).
Remédio a Todo Custo Os doentes estão apressados para ficar bons, e seus amigos se acham impacientes. Eles desejam ter remédio, e se não sentem no organismo aquela poderosa influência que, em seus errôneos pontos de vista induzem-nos a pensar que deviam experimentar, mudam impacientemente de médico. A mudança aumenta muitas vezes o mal. Passam por uma série de remédios tão perigosos como os primeiros (Temperança, p. 83).
O Triste Resultado Com o uso de drogas venenosas, muitos trazem sobre si doença para toda a vida, e perdem-se muitos que poderiam ser salvos com o emprego de métodos naturais. Os venenos contidos em muitos dos chamados remédios formam hábitos e apetites que importam em ruína tanto para o corpo como para a alma. Muitos dos populares remédios patenteados, e mesmo algumas drogas receitadas por médicos, desempenham seu papel em deitar bases para o hábito da bebida, do ópio, da morfina, os quais são uma tão terrível maldição para a sociedade (A Ciência do Bom Viver, págs. 126 e 127).

Elétron – sessenta e seis mil vezes um milhão de milhões de milhões de anos de vida (no mínimo!)

O detector Borexino é formado por sensores mergulhados
 em um tanque esférico de aço de 13,7 metros
 de diâmetro, contendo 2.100 toneladas
 de água ultrapura - tudo instalado nas profundezas
 de uma mina, protegido por 1.400 metros de rocha
para evitar qualquer interferência externa.
 [Imagem: A. Brigatti/INFN]
Vida infinita De acordo com as medições mais precisas já feitas até hoje, o tempo de vida de um elétron é de 66.000 yotta-anos, ou 6,6 × 1028anos.
Isto é cinco quintilhões de vezes a idade do Universo, de forma que é o que mais se aproxima de um "tempo infinito" já medido pelo ser humano.
Esta foi a conclusão dos físicos que trabalham no experimento Borexino, no Laboratório Gran Sasso, na Itália - o mesmo que confirmou a teoria sobre a geração de energia no Sol e ajudou a medir o calor gerado pela Terra.
O trabalho do Borexino é procurar indícios de que o elétron decai para um fóton e um neutrino - um processo que violaria a conservação da carga elétrica e apontaria para uma física além do Modelo Padrão.
Mas nenhum decaiu, e os dados indicam que, se algum decair, isso só vai começar a acontecer depois dos tais 66.000 yotta-anos desde que os elétrons foram criados - este seria o tempo mínimo de vida de um elétron, segundo os físicos.
Lei da conservação de carga O elétron é o portador de carga elétrica negativa de menor massa que se conhece. Se ele decaísse, a lei de conservação de energia dita que o processo envolveria a produção de partículas de menor massa - neutrinos, por exemplo, ou fótons, que não têm massa.
Mas todas as partículas conhecidas com massas menores do que a massa do elétron não têm carga elétrica, de forma que a carga do elétron teria que "desaparecer" durante esse processo hipotético de decaimento, o que violaria a conservação de cargas, que é um princípio que faz parte do Modelo Padrão da física de partículas.
Como resultado, o elétron hoje é considerado uma partícula fundamental, que nunca vai decair.
No entanto, o Modelo Padrão não explica adequadamente todos os aspectos da física e, portanto, a descoberta do decaimento do elétron poderia ajudar os físicos a desenvolver um modelo melhor da natureza.
Por essas medições, o elétron não se mostrou disposto a colaborar com a elaboração desse tão esperado novo modelo.
Nota: Por que o elétron possui uma vida tão inimaginavelmente longa, apontando para a eternidade? Puro acaso? (Hendrickson Rogers)
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sábado, 26 de dezembro de 2015

Polônia e Hungria podem dividir bloco da União Europeia na ONU sobre direitos gays!

NOVA IORQUE, EUA, dezembro (C-Fam) Uma mudança política na Polônia está minando esforços para impor “casamento” de mesmo sexo na Europa e poderá levar a uma mudança radical na posição de negociação da União Europeia na Organização das Nações Unidas.

Embora a Europa esteja dividida sobre direitos LGBT de modo muito semelhante do jeito que está dividida sobre a imigração, e muitas outras questões, em anos recentes diplomatas da UE na ONU têm estado entre os apoiadores mais abertos de novos direitos especiais para indivíduos que se identificam como lésbicos, gays, bissexuais e transexuais (LGBT). E embora haja divisão na Europa sobre a questão, a posição pró-homossexualismo se tornou dominante. Mas recentemente, a delegação da UE chegou a apoiar o “casamento” de mesmo sexo.
Mudanças recentes na liderança política da Polônia, onde o Partido da Lei e Justiça teve uma vitória arrasadora, ameaçam retrocessos para este curso para a União Europeia.
Como sinal de mais coisas que virão, neste mês a Polônia e a Hungria conseguiram impedir um acordo ministerial da UE que teria forçado todos os países da UE a honrar “casamentos” de mesmo sexo onde quer que fossem realizados na União Europeia.
O acordo fracassado proposto por Luxemburgo para os ministros de justiça da UE lidou com direitos de propriedade, pensões e seguro. A Polônia e a Hungria se opuseram a ele na base de que violaria sua prerrogativa soberana de legislar sobre casamento e assuntos de família.
O fato de que dois países no centro da Europa se oporiam até a um reconhecimento indireto de “casamento” de mesmo sexo, e sem dúvida alguma em face de pressões fortes de outros estados da UE, diz muito sobre a direção que a Polônia e a Hungria escolheram. Não é a trajetória em que a diplomacia da UE, dependente do consenso da EU, tem assumido até agora.
A atual ordem oficial para os diplomatas da UE do Conselho da UE dá um mandato amplo para a “eliminação de discriminação contra os indivíduos LGBTI.” Embora seja compreendida para excluir a promoção de casamento de mesmo sexo, para todos os propósitos práticos as delegações da UE frequentemente ignoram isso em seu zelo por direitos LGBT.
A UE é uma das 17 delegações que é parte de um grupo que se declara “Grupo Principal LGBT” na ONU, o qual fez a promessa de manter as questões LGBT na agenda da ONU. O grupo tem aspirações mais elevadas do que o mandato da delegação da UE.
O objetivo do grupo é “ampliar a extensão do reconhecimento de direitos LGBTI” no mundo inteiro, e não só acabar com a discriminação. Num recente evento paralelo na ONU o grupo justificou o apoio ao casamento de mesmo sexo nessas bases num novo vídeo da burocracia da ONU que apresenta uma cerimônia de casamento lésbico.
A UE chegou ao ponto de deixar de apoiar uma linguagem extraída da Declaração Universal de Direitos Humanos sobre a família como a “unidade natural e fundamental da sociedade” porque exclui “famílias” de mesmo sexo, ainda que a maioria, ou até mesmo todos, os países membros da UE incluam ou espelhem essa linguagem em suas constituições.
Essas decisões, tomadas sob o pretexto de acabar com a “discriminação,” provavelmente serão desafiadas pela Polônia e Hungria a menos que ocorram mudanças em suas perspectivas.
A nova liderança da Polônia já reforçou a posição da Hungria, que vem abertamente apoiando os valores tradicionais, mas até agora permanecia na maior parte sozinha em tempo de decisão.
Além disso, as chances de formar uma coalizão de países da Europa para impedir a promoção agressiva de direitos LGBT por meio da política externa da UE aumentaram dramaticamente. Outros países da Europa, os quais são menores e mais fracos, mas socialmente mais alinhados com a Polônia e a Hungria do que os países socialmente esquerdistas membros da UE, terão mais probabilidade de permanecer juntos com a forte liderança da Polônia e a Hungria.
Fonte: Friday Fax via Julio Severo.
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O estranho fóssil de baleia: evidência do dilúvio universal?

A fossilização é um evento raro e, para tanto, deve haver soterramento de forma rápida, antes que o animal morto comece a apodrecer, a se decompor ou a ser consumido no ambiente – devido a animais carniceiros, a microorganismos, à ação da chuva e do sol, etc. Em abril de 1976, foram encontrados os restos fósseis de uma baleia de cerca de 25 metros no interior de um depósito de diatomáceas (esqueletos minúsculos de algas unicelulares), na mina Miguelito, em Lompoc, Califórnia, EUA. Infelizmente, naquele mesmo ano, o fóssil ainda não tinha sido completamente desenterrado quando o artigo descrevendo o achado foi publicado.[1] Mas ao longo do período de escavação a equipe do Museu de História Natural de Los Angeles teve uma surpresa em relação à posição em que o fóssil da baleia se encontrava.

O fóssil estava na posição vertical, apoiado sobre a cauda, ultrapassando vários estratos geológicos. Como poderia esse fóssil de baleia ter mantido sua posição e integridade ao longo de centenas de milhares de anos, sendo enterrado gradual e lentamente milímetro após milímetro? Uma investigação no local, a partir de uma perspectiva atualista, revelou que a unidade de diatomito (rocha porosa e absorvente) que enterrou a baleia também estava inclinada no mesmo ângulo, portanto, a baleia deve ter sido enterrada no diatomito quando ambas estavam na posição horizontal, e mais tarde os movimentos de terra foram elevando-as e inclinando-as em sua orientação atual.

Portanto, a explicação atualista é a de que houve um deslizamento de terra submarino durante um dos inúmeros terremotos da Califórnia e o conjunto rochoso se deslocou e soterrou o animal, porém, o que o atualismo não explica satisfatoriamente é a sedimentação que teria de ser muito rápida para poder preservar cada osso da baleia em sua posição original, sem qualquer deslocamento com relação à sua orientação.[2] O modelo criacionista prevê um enterro catastrófico e, também, uma rápida deposição das camadas de sedimentos, sepultando as diatomáceas; isso somente ocorreria por meio de um enorme episódio catastrófico: um dilúvio universal.[3]

De fato, para ser evitada a dispersão dos ossos, o soterramento deve ter ocorrido no máximo em três anos. Parece que as correntes marinhas teriam acumulado enormes quantidades desses seres (isto é, de diatomáceas) para formar o que alguns chamaram de “um purê de organismos”. Aliás, se esse diatomito foi depositado gradualmente, como reivindicado por geólogos atualistas, o diatomito não seria puro, como ele é. Ademais, a taxa de deposição lenta resultaria em corrosão e eliminação dos ossos da baleia, porque a caixa torácica, por exemplo, teria ficado aguardando sepultamento por eras. 

Se não bastasse, a deposição Lompoc não apresentou moradores de fundo do mar (moluscos, mexilhões e caracóis), em vez disso foram encontrados no local outros companheiros fósseis para a baleia, tais como “bacalhau, peixes arenque, peixes-agulha [parente dos cavalos-marinhos], leões marinhos e pássaros, nenhum dos quais é morador do fundo do mar”, tornando-se evidente que “o conjunto Lompoc representa um cemitério fóssil catastroficamente enterrado, não o enterro progressivo de um habitat.”[2: p. 256]

O curioso é que, de acordo com o pessoal do museu, até meados de 1997, a camada de rocha de diatomito contendo o fóssil da baleia permanecia sobre um vagão no fundo do museu devido à falta de dinheiro e ao espaço necessário para que fosse curadoriada.[4] Será mesmo esse o real motivo de o achado ter sido ignorado por décadas? Talvez uma evidência como essa que aponta para uma catástrofe de grande escala e contraria o atualismo vigente não ofereça mesmo um bom motivo para curadoriá-la.

Referências:
[1] Reese KM. “Workers find whale in diatomaceous earth quarry.” Chemical and Engineering News 1976; 54(41):40.
[2] Snelling AA. “The Whale Fossil in Diatomite, Lompoc, California.” CEN Tech. J. 1995; 9(2):244-58. Disponível em: http://creation.com/images/pdfs/tj/j09_2/j09_2_244-258.pdf
[3] Ackerman PD. It’s a Young World After All. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1986, p. 81-83.
[4] South D. “A Whale of a Tale.” The TalkOrigins Archive, 1997. Disponível em:http://www.talkorigins.org/faqs/polystrate/whale.html

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Viés evolucionista inconsciente num artigo sobre viés inconsciente (Super útil, mas super enviesado!)



(clique nas imagens para ampliá-las!)

[Meus comentários flagrarão os enviesamentos dentro de colchetes, viu?!] Nós não conseguimos evitar de formar suposições rápidas sobre outras pessoas. Quem é poderoso ou fraco? Quem é carinhoso ou agressivo? Quem é confiável e quem é competente? Isso é chamado de preconceito (ou viés) inconsciente e o quadrinho acima mostra como ele funciona na prática.
À primeira vista, a história pode parecer confusa porque nós (erroneamente) assumimos que o cirurgião é o pai – que agora está morto -, quando, na verdade, a médica é a mãe do menino. Isto é preconceito, e muitas vezes é errado, mas não precisamos nos sentir tão culpados assim por isso.
Conforme explica a professora de Desenvolvimento Cognitivo da University College London e presidenta do Comitê de Diversidade da Sociedade Real, Uta Frith, em um artigo publicado no site da BBC, essas premissas vêm da parte antiga, inconsciente de nossa mente. As decisões são manipuladas antes mesmo de serem feitas e, querendo ou não, a parte inconsciente de nossa mente nos deixou em uma boa posição ao longo de milhões de anos de evolução [opss... um exemplo prático de enviesamento inconsciente e/ou doutrinamento! Veja, a hipótese NUNCA confirmada da macroevolução das espécies é simplesmente inferida aqui presunçosamente como se fosse fato! A maneira científica e eticamente correta seria inserir o olhar evolucionista com expressões como "talvez a evolução tenha deixado a parte inconsciente de nossa mente..." ou "de acordo com a teoria evolucionista...". Veja contrapartidas sólidas às inferências dogmáticas dos evolucionistas na teoria do Design Inteligente e na teoria Criacionista (é só clicar!)].
Elas nos permitem decidir em uma fração de segundo quem é amigo ou inimigo, simplesmente avaliando se outra pessoa parece conosco, e nos incitam a preferir o familiar e temer o desconhecido. O problema é que nossos amigos e inimigos já não são os mesmos dos nossos ancestrais remotos [os quais  podem sim ter sido sempre humanos, de acordo vários pesquisadores evolucionistas, confira: artigo 1, artigo 2 e artigo 3.].

Falhas do pensamento

Nós categorizamos automaticamente as pessoas com base em sua aparência ou seu gênero como pertencentes ao nosso grupo. Se elas são do nosso grupo, ficamos felizes em estar ao seu lado e contamos com o apoio delas.
“O gênero é um atalho para ajudar-nos a adivinhar se alguém é forte ou fraco, agressivo ou carinhoso”, aponta Frith. “Nossa mente inconsciente toca um alarme se alguém é diferente de nós ou desconhecido, mas a maioria dos antigos sinais de perigo já são ultrapassados hoje em dia. Em nosso mundo social moderno, queremos criar igualdade e justiça. Nós aprendemos os valores da democracia e da justiça. Nós aprendemos que nos beneficiamos mais da cooperação do que do conflito”.
Além disso, ao longo da evolução [para os adeptos dessa crença...] nós descobrimos que, na política, ​​alianças improváveis entre inimigos podem funcionar, e que pessoas excêntricas podem fazer descobertas incríveis. E, claro, nós aprendemos que os homens podem ser carinhosos e que as mulheres podem ser agressivas.
Ainda assim, no fundo, sentimos que estes exemplos parecem ir contra a corrente. “Isto são os nossos antigos estereótipos inconscientes chacoalhando suas gaiolas”, diz a pesquisadora. E o que devemos fazer quanto a isso? “Deixe-os chacoalhando. Temos percebido que o preconceito em negociações políticas só conduz a um impasse e que excluir excêntricos da ciência seria uma séria desvantagem. Sabemos agora que uma diversidade de pontos de vista nos ajuda a evitar ficarmos presos em uma rotina antiga”.

Decisões conscientes

Levando em conta que sabemos de tudo isso, chega a hora da nossa mente consciente ter de se afirmar. Ela não pode expulsar a parte inconsciente, mas pode estar ciente de sua obstinação e pode substituí-la na tomada de decisões. Assim, podemos questionar até mesmo os estereótipos que parecem verdadeiros, naturais e inofensivos.
A professora dá um exemplo deste tipo de situação: a maioria de nós mantém o preconceito inconsciente de que as mulheres são mais agradáveis, mais passíveis de ajudar e mais inclinadas a cuidar dos outros. Os homens, por outro lado, são estereotipados como agressivos, competitivos e menos inclinados a cuidar dos outros.
Ok, as mulheres supostamente são seres mais agradáveis. Por que devemos superar esse preconceito? “Aqui está o porquê. Uma mãe teve uma noite sem dormir porque ficou acordada cuidando de seu bebê inquieto. Na manhã seguinte, recebe visitas em casa e seu marido vai trocar a fralda do bebê. Os visitantes elogiam o marido, dizendo que ele está fazendo algo excepcional, ou que ele é bom e carinhoso. A mulher não é elogiada porque ela é vista como alguém que está apenas cumprindo seu dever”.
Outro exemplo frequentemente citado é o de que quando uma mulher é assertiva e defende seus argumentos em algum tipo de reunião, a maioria das outras pessoas a considera agressiva. Porém, se um homem agir da mesma maneira e usar os mesmos argumentos, ele teria sido considerado simplesmente claro e direto. “Assim, o estereótipo de gentileza é uma maneira de manter as mulheres em um lugar inferior na hierarquia, de modo que elas achem que é mais difícil de competir com os homens”, explica Frith.
E como podemos vencer o preconceito inconsciente? “Nós podemos diminuir a velocidade das nossas decisões e questionar as nossas primeiras reações. Podemos monitorar e desafiar uns aos outros porque vemos o preconceito mais facilmente nos outros do que em nós mesmos”.
Não devemos culpar uns aos outros por termos este tipo de impulso, já que é apenas humano ter preconceitos inconscientes. A boa notícia é que temos a escolha de sair desta armadilha e isso começa a acontecer quando nos dispomos a reconhecer que ela existe. 
Fonte: BBC via Hypescience.
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Astrônomos descobrem galáxia que não deveria existir!

Prontinha desde sua criação!
Era uma vez uma galáxia muito, muito distante, que existia quando o Universo era muito, muito jovem, apenas 400 milhões de anos após o Big Bang. Era uma galáxia muito antiga, a mais distante jamais observada. Seus raios de luz viajaram pelo espaço por mais de 13 bilhões de anos – 96% da idade do Universo ou três vezes a idade do Sistema Solar – até serem coletados pelos observatórios espaciais Hubble e Spitzer. Aquela galáxia tão distante foi apelidada de Tainá, “recém-nascida”, no idioma aimará, falado por povos andinos. A análise de sua luz revelou uma galáxia muito jovem e maciça, compacta e repleta de estrelas gigantes azuladas, uma galáxia que não deveria existir... pelo menos de acordo com o modelo atual da evolução do Universo.

Contra fatos e imagens não há argumentos. Sendo assim, muito embora Tainá não devesse existir, ela existe. Logo, quem está incorreta é a teoria, que parece precisar de ajustes, de acordo com o cosmologista madrilenho Alberto Molino Benito, pós-doutorando no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP). Molino colaborou com o trabalho publicado no periódico The Astrophysical Journal. Seu pós-doutorado é apoiado pela Fapesp e supervisionado pela cosmóloga Claudia Mendes de Oliveira, que estuda a formação e a evolução das galáxias.

Apesar do poder tecnológico combinado do Hubble e do Spitzer, Tainá é tão distante e tão tênue que se torna invisível mesmo para aqueles poderosos observatórios. “Para detectar Tainá, nosso grupo teve que recorrer a técnicas sofisticadas, como a lente gravitacional”, um fenômeno previsto por Albert Einstein na sua Teoria Geral da Relatividade.

Segundo Einstein, a força gravitacional exercida por um corpo de grande massa, como um aglomerado de galáxias, distorce o espaço ao seu redor. Essa distorção acaba funcionando como uma monstruosa lente virtual (ou gravitacional), que deflete e amplifica a luz de objetos muito mais distantes posicionados atrás do aglomerado que se observa.

“Nós vasculhamos o espaço à procura de aglomerados de galáxias maciços que possam agir como lentes gravitacionais para conseguir observar objetos que não deveríamos enxergar de tão tênues”, explica Molino. No caso, os astrônomos usaram o aglomerado gigante de galáxias MACS J0416.1-2403, que fica a 4 bilhões de anos-luz da Terra. O aglomerado tem a massa de um milhão de bilhão de sóis. Essa massa descomunal funcionou como o zoom de uma câmera, tornando 20 vezes mais brilhante a luz de Tainá, posicionada exatamente atrás do aglomerado.

Uma vez que Tainá foi detectada, era preciso determinar sua distância. Para calculá-la, os astrônomos estudaram sua luz por meio de um recurso chamado “desvio para o vermelho fotométrico”. Funciona deste jeito: quanto mais distante se localiza um objeto astronômico, menor é a frequência de sua luz que chega até nós. Em outras palavras, mais avermelhada a luz fica. Assim, calculou-se que Tainá ficava a 13,3 bilhões de anos-luz de distância da Terra. Sua luz viajou durante esse tempo todo para chegar até nós. Vale dizer que observamos Tainá como ela era há 13,3 bilhões de anos, quando o Universo contava apenas 400 milhões de anos.

A luz de um objeto distante não conta apenas sua localização, idade e distância. “Seu estudo pode revelar o tamanho da galáxia, sua massa, quantas estrelas ela possui e qual a proporção de estrelas jovens e velhas nessa população estelar. Quanto mais estrelas jovens, azuis e brilhantes a galáxia possui, mais jovem ela é”, explica Molino.

No caso de Tainá, trata-se de uma galáxia repleta de estrelas gigantes azuis muito jovens e brilhantes, prontas para explodir em formidáveis supernovas para virar buracos negros. Quanto ao seu tamanho, Tainá era similar à Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia disforme que é um satélite da nossa Via-Láctea.

400 milhões de anos é muito pouco tempo para a existência de uma galáxia tão bem formada”, diz Molino. “Os modelos mais recentes da evolução do Universo apontam para o surgimento das primeiras galáxias quando ele era bem mais velho.” Por mais velho, Molino entende um Universo adolescente de 1 bilhão de anos – não um recém-nascido de 400 milhões.

Só existe uma explicação para a existência de Tainá – a mais antiga das outras 22 galáxias muito tênues detectadas pelo estudo. “Elas só poderiam se formar tão rapidamente após o Big Bang se a quantidade de matéria escura no Universo fosse maior do que acreditamos”, pondera o cosmólogo.

Matéria escura é um tipo de matéria que compõe 80% da massa do Universo. Vale dizer, há cinco vezes mais matéria escura do que a massa de todos os 100 bilhões de galáxias do Universo observável. O problema é que esta matéria, como o nome indica, é escura, ou seja, invisível, ou melhor, desconhecida. Não sabemos do que é feita. Trata-se de uma das questões mais cruciais da cosmologia atual.

Há várias teorias para explicar o que seria matéria escura. Porém, como ela não interage com a luz, não conseguimos enxergá-la nem conhecer sua substância. Sabe-se apenas que a matéria escura existe devido à sua ação gravitacional sobre as galáxias. Não fosse a matéria escura, as galáxias já teriam há muito se estilhaçado. Sem matéria escura, o Universo não seria como o conhecemos. Talvez não existíssemos.

“A única explicação para Tainá existir e ser como era quando o Universo tinha 400 milhões de anos é graças à matéria escura, que deve ter acelerado o movimento de aglomeração de estrelas para a formação das primeiras galáxias”, explica Molino. “Se existe mais matéria escura, as galáxias podem se formar mais rápido.”

Não é possível pesquisar mais a fundo sobre Tainá e suas irmãs proto-galáxias no Universo recém-nascido, pois a tecnologia à disposição foi empregada até o seu limite. “Para saber mais, para enxergar melhor as primeiras galáxias e inferir a ação da matéria escura, temos que aguardar até 2018, quando será lançado o sucessor do Hubble, o telescópio espacial de nova geração James Webb”, diz Molino.

O James Webb terá um espelho de 6,5 metros de diâmetro, muito maior que os 2,4 metros do Hubble. Esse aumento de tamanho se traduz em aumento de acuidade. Molino e seus colegas contam com a sensibilidade do futuro telescópio espacial para continuar contando galáxias distantes e formar o maior banco de dados tridimensional do Universo. “Só assim poderemos confirmar como se processou a formação e evolução do Universo.”

O artigo “Young Galaxy Candidates in the Hubble Frontier Fields”, de Leopoldo Infante e outros, publicado em The Astrophysical Journal (DOI: 10.1088/0004-637X/815/1/18), pode ser lido em arxiv.org/abs/1510.07084

Fonte 1: Fapesp.

Nota de Michelson Borges: Dois detalhes chamam a atenção: (1) a existência de galáxias “velhas” (já formadas) num Universo “jovem”, o que sugere que elas possam ter sido criadas para ser o que são, e não passado por longos processos evolutivos; (2) como não conseguem explicar o fenômeno da atração e estabilidade das galáxias, os astrônomos propõem a existência de algo puramente teórico: a matéria escura. Não há evidência alguma para a suposta existência dessa tal matéria, mas, como ela parece ser necessária, tem que existir. Essa atração das galáxias me faz lembrar de um texto escrito por uma autora norte-americana, há mais de cem anos, segundo a qual tudo no Universo gira em torno de um centro de atração: o trono do Criador.

Fonte 2: Criacionismo.
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Matemáticos e a Evolução

A matemática é uma área da academia em que o ceticismo científico do neodarwinismo pode sobreviver ao atual clima político! O Discovery Institute recebeu um e-mail de alguém comentando a lista dos dissidentes de Darwin (Scientific Dissent from Darwin List), na qual mais de 600 cientistas PhD de várias áreas concordam que são “céticos quanto à afirmação de que mudanças aleatórias e a seleção natural poderiam explicar a complexidade da vida”. O autor do e-mail, cético do ceticismo-evolucionista, escreve: “Eu sou um matemático e certamente NÃO estou qualificado para assinar tal lista. Apenas biólogos evolucionistas estão qualificados para dar respostas.” Uma vez que a lista dos dissidentes de Darwin contém indivíduos formados em biologia evolucionária, a questão é: “A objeção do autor do e-mail é válida?”
A verdade é que a matemática tem uma forte tradição em fazer críticas convincentes da biologia evolucionária. Afinal de contas, a teoria de Darwin da evolução através da seleção natural é fundamentalmente baseada em um algoritmo que usa um processo matemático de tentativa e erro para tentar produzir complexidade. A genética de populações é repleta de matemática. De fato, uma das críticas sobre os alegados fósseis transicionais de baleias é que eles representariam mudanças evolutivas em uma escala de tempo muito rápida para ser matematicamente factível. Ao que parece, não há boas razões para que formados em matemática não possam comentar sobre a habilidade do processo de seleção-mutação neodarwiniano em gerar a complexidade da vida.
NPG P1207; Sir Peter Brian Medawar by Bernard Lee ('Bern') Schwartz
Sir Peter Medawar

Um dos mais conhecidos debates matemáticos sobre evolução ocorreu no Simpósio Wistar (Wistar Symposium), em 1966, na Filadélfia, em que matemáticos e outros cientistas de áreas afins congregaram para avaliar se a teoria neodarwiniana é matematicamente viável. A conferência foi presidida pelo ganhador do prêmio Nobel, Sir Peter Medawar. O consenso geral de muitos participantes da reunião foi de que o neodarwinismo simplesmente é matematicamente insustentável.
Os registros daquela conferência,Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution(“Desafios Matemáticos à Interpretação Neo-darwiniana da Evolução”, Wistar Institute Press, 1966, No. 5), reportam vários desafios à evolução, apresentados por respeitados matemáticos e outros acadêmicos da conferência. Por exemplo, o presidente da conferência Sir Peter Medawar afirma logo no início:




“A causa imediata para esta conferência é o senso difundido de insatisfação com relação ao que tem sido aceito como teoria evolucionária no mundo de língua-inglesa, a chamada Teoria Neodarwiniana… Há objeções feitas por colegas cientistas que sentem que, na teoria atual, algo está faltando… Estas objeções à teoria neodarwiniana atual são muito amplamente difundidas entre os biólogos em geral; e não devemos, penso eu, solucioná-las. O simples fato de realizarmos esta conferência é evidência de que não iremos solucioná-las.” (Sir Peter Medawar, “Remarks by the Chairman”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, No. 5, pg. xi, emphasis in original)
Vários cientistas, dentre eles alguns matemáticos, comentaram sobre alguns problemas com o neodarwinismo:
“Uma maneira alternativa de olhar para o genótipo é como um algoritmo gerador, ao invés de um diagrama; uma receita para produzir um organismo vivo do tipo certo no ambiente adequado para seu desenvolvimento é um exemplo. Assumindo esta hipótese, o algoritmo deve ser escrito em alguma linguagem abstrata. A biologia molecular pode nos ter fornecido o alfabeto desta linguagem, mas é um longo trajeto do alfabeto até à compreensão do idioma. Não obstante, uma linguagem tem regras, e estas são as maiores restrições num conjunto de mensagens possíveis. Nenhuma linguagem formal existente pode tolerar mudanças aleatórias nas sequências de símbolos que expressam as sentenças. Seu significado é quase que invariavelmente destruído. Quaisquer mudanças devem seguir leis sintáticas. Eu poderia conjecturar que o que alguém pode chamar de “gramática genética” tem uma explicação determinística e não deve sua estabilidade à pressão da seleção atuando em variações aleatórias”. (Murray Eden, “Inadequacies as a Scientific Theory”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, No. 5, pg. 11)
“Requerer-se-iam milhares, talvez milhões, de mutações sucessivas para produzir até mesmo a mais simples complexidade que observamos na vida hoje. Parece que, ingenuamente, não importa o quão grande seja a probabilidade de uma única mutação, ainda que fosse tão grande quanto à metade, ter-se-ia esta probabilidade elevada à milionésima potência, o que é tão próximo a zero que as chances do processo ocorrer parecem ser inexistentes.” (Stanislaw M. Ulam, “How to Formulate Mathematically Problems of Rate of Evolution”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, No. 5, pg. 21)
“Não conhecemos qualquer princípio geral que explique como unir o diagrama visto por objetos tipográficos e as coisas que eles supostamente controlam. O único exemplo que temos para uma situação similar (fora da evolução da vida) é a tarefa de profissionais de inteligência artificial em criar sistemas adaptáveis. Sua experiência converge com a maioria dos observadores: sem uma programação prévia, nada de interessante pode ocorrer. Assim, para concluir, acreditamos que há uma falha (gap) considerável na teoria neodarwiniana da evolução, e que este gap não pode ser solucionado com a atual concepção de biologia.” (Marcel Schutzenberger, “Algorithms and Neo-Darwinian Theory”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, No. 5, pg. 75)
Estes são fortes argumentos de acadêmicos qualificados para avaliar a habilidade matemática de processos aleatórios/seletivos para produzir complexidade. Enquanto biólogos evolucionistas e outros tipos de biólogos podem produzir vários insights em biologia evolucionária, cientistas de outras áreas, não biólogos, bem como matemáticos, estão certamente qualificados para comentar sobre a falseabilidade da evolução neodarwiniana.

Nota do blog Engenharia Filosófica: O matemático Granville Sewell, da Universidade do Texas, El Paso, aponta em um de seus artigos: “Conheço muitos matemáticos, físicos e cientistas da computação que, como eu, estão atônitos por a explanação de Darwin para o desenvolvimento da vida ser tão aceita nas ciências biológicas” (“A Mathematician’s View of Evolution”, The Mathematical Intelligencer, Vol 22 (4) (2000)). O motivo para a “cegueira” dos biólogos evolucionistas, apesar das evidências de outros campos da ciência, foi muito bem resumida pelo jornalista Michelson Borges, ao comentar sobre o Simpósio Wistar, de 1966, no debate entre matemáticos e darwinistas sobre  a probabilidade do olho ter evoluído por meio da acumulação de pequenas mutações: “Ou seja: a evolução é um fato;  o olho está aqui; então, independentemente do que digam os matemáticos, o olho evoluiu. Ponto final” (A História da Vida, p. 46).
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