segunda-feira, 4 de maio de 2015

Daniel 7.25 - "... cuidará em mudar os tempos e a LEI"

Você já percebeu que nem sempre as coisas são o que aparentam ser? Durante séculos, os cientistas acreditaram que a Terra era o centro fixo do Universo e que tudo, inclusive o Sol e as estrelas, orbitava ao redor dela. Foi um livre-pensador polonês, Copérnico, quem determinou que a Terra estava em movimento e girava em torno do Sol.

Ele comparou esse fenômeno à maneira como os marinheiros, quando estão dentro de um navio com o mar calmo, experimentam a ilusão de estarem perfeitamente parados enquanto tudo ao redor se move. “Da mesma maneira”, escreveu Copérnico, “o movimento da Terra pode produzir a impressão inquestionável de que o Universo inteiro está em rotação.”

Simplesmente porque o Sol e as estrelas aparentavam estar girando em torno da Terra não significava que isso era verdade. Apenas porque você acredita em algo, não quer dizer que é verdade. Somente porque outros acreditam também não. Pense na história das aranhas. Aristóteles classificou as aranhas como insetos. Os insetos, como se sabe, possuem seis patas. Durante séculos, ninguém questionou o grande Aristóteles. As pessoas presumiam que as aranhas eram insetos e, portanto, tinham seis patas. Foi Jean-Baptiste Lamarck quem apresentou a classificação da aranha como um aracnídeo, possuidor de oito patas. Somente porque as pessoas acreditam em algo por séculos, não significa que seja verdade.

Seria possível que uma tradição como essa tenha se infiltrado na igreja cristã? Seria possível que milhões tenham aceitado a falsidade no lugar da verdade, e poucos questionam isso? Você acredita ser possível que a maior parte das igrejas deixou de lado um mandamento de Deus para, em lugar dele, obedecer a uma tradição humana? Seria essa uma tradição presente há tantos anos que passou a ser aceita como verdade, mesmo possuindo origem totalmente humana?


O GRANDE ENGANADOR

O livro do Apocalipse prediz que Satanás tentaria enganar a igreja cristã. Reflita sobre esta declaração incrível do Apocalipse: 
“O grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada Diabo ou Satanás, que engana o mundo todo” (Apocalipse 12:9a). 
Ele enganou Adão e Eva no jardim do Éden e continua enganando homens e mulheres ao longo das eras. Satanás é um enganador. Não seria lógico que ele tentasse nos iludir com uma falsificação religiosa? A principal característica de uma falsificação é que ela se parece o máximo possível com o artigo genuíno. 

Nenhum falsificador no mundo fabricaria com seriedade uma nota de três ou treze reais. Por que não? Porque não existem notas genuínas nesses valores. A estratégia usada por Satanás é falsificar uma verdade divina e, em especial, atacar os mandamentos de Deus. Não seria lógico que Satanás, o grande enganador, atacasse a lei de Deus? A lei de Deus representa Sua autoridade. Se Satanás conseguir eliminar a lei de Deus, estará anulando a autoridade divina. A lei de Deus é a base do Seu governo. Por meio dela, Deus define o que é certo e o que é errado. E, se Satanás for capaz de enganar o povo no tocante à lei, estará abalando toda a base do trono do Senhor. Com isso, ele consegue abalar o poder, a credibilidade e a autoridade de Deus.

Bem no cerne da lei de Deus se encontra o sábado. Não seria lógico que Satanás,o grande enganador, atacasse o Criador desafiando o símbolo da criação, o sábado? Você já se perguntou como o sábado bíblico foi alterado do sétimo dia para o primeiro, o domingo?

Se a Bíblia é tão clara sobre esse assunto, por que tantas pessoas estão confusas? Quem mudou o sábado? Quando ele foi mudado? E por quê? Certamente existem boas respostas para essas perguntas. Elas podem ser encontradas tanto na Bíblia quanto na história. Uma coisa é certa: Deus não mudou o sábado. Existem pessoas sinceras que leem o relato de Gênesis e descobrem que Deus abençoou e santificou o sétimo dia. Elas também descobrem que Ele descansou durante o sábado. Leem que Deus estabeleceu o sábado nos dias de Adão, muito antes da existência do povo judeu.

Ao prosseguir em sua busca pela verdade, leem os Dez Mandamentos escritos pelo próprio dedo de Deus e se deparam com o quarto mandamento:
“Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, o teu Deus” (Êxodo 20:8-10).
Essas pessoas ficam confusas. A igreja que frequentam guarda o domingo. Elas ficam perplexas, porque o quarto mandamento é tão claro! Leem Ezequiel 20:12 – “Também lhes dei os Meus sábados como um sinal entre nós” – e percebem que o sábado é um sinal entre Deus e Seu povo. Além disso, esses cristãos sinceros leem em Lucas 4:16 que Jesus foi à sinagoga no sábado, como era Seu costume. E descobrem que Cristo afirmou, em Mateus 24:20, que Seus discípulos estariam guardando o sábado quarenta anos após a cruz. Veem em Atos 13:42-44 que o apóstolo Paulo ensinou uma cidade inteira no dia de sábado. Encontram em Apocalipse 1:10 que o Senhor tem um dia. E leem em Lucas 6:5 que o sábado é o dia do Senhor. Leem o mesmo em Marcos 2:27 e 28 e em Mateus 12:8. Esses cristãos perguntam: “Quem mudou o sábado?” Percebem que não foi Deus quem fez isso. Pois Ele declara: “Eu, o Senhor, não mudo” (Malaquias 3:6).

Então, pesquisam a Bíblia e descobrem que Jesus não mudou o sábado, pois “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre” (Hebreus 13:8). Os ensinamentos de Jesus são eternos. Certamente Ele não Se indisporia com a lei do Pai, tampouco daria aos discípulos poder para mudá-la. Atente para o comentário de Pedro às autoridades romanas: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!” (Atos 5:29). A pergunta, então, é a seguinte: se Deus não mudou o sábado, se Jesus também não o fez, se os discípulos não tinham autoridade para isso, quem realizou essa alteração?

No livro do Apocalipse, capítulo 13, lemos acerca de um poder político-religioso simbolizado por uma besta que surge do mar. O mundo inteiro segue os enganos dessa besta. As imagens são fascinantes: “Vi uma besta que saía do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças, com dez coroas, uma sobre cada chifre, e em cada cabeça um nome de blasfêmia” (Apocalipse 13:1). Besta, na Bíblia, é equivalente a um rei ou reino (Daniel 7:17, 23). Pode se tratar de um poder político ou religioso. A besta de Apocalipse 13 sai do mar. O mar representa povos ou nações (Apocalipse 17:15). Esse poder é classificado como blasfemo. Na Bíblia, a blasfêmia ocorre quando um poder terreno assume os privilégios e prerrogativas de Deus.

Um dos aspectos da blasfêmia é afirmar possuir autoridade suficiente para mudar a lei escrita com o próprio dedo de Deus. E aqui está o motivo: se um poder terreno tem autoridade para mudar a lei de Deus, ele deve ser maior do que o poder que originou a lei em primeira instância. Se a lei de Deus é a base eterna do Seu governo, a tentativa de mudar a lei constitui um ataque ao doador da lei. Qualquer tentativa de modificar a lei divina exalta o responsável pelas mudanças acima de Deus, e isso é blasfêmia.

Em Apocalipse 13:2, vemos uma descrição desse poder: 
“A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade.” 
Para entender as coisas que acontecerão no futuro, é imprescindível compreender a simbologia do leão, do urso, do leopardo e do dragão. Também é necessário entender que a batalha entre o bem e o mal no Universo é uma luta relativa à adoração. Ela se concentra na lei de Deus. O sábado está no centro desse conflito.


ENTENDENDO AS IMAGENS DO APOCALIPSE

Para entender o Apocalipse, é preciso, em primeiro lugar, compreender Daniel. As profecias de Daniel e do Apocalipse têm uma ligação. Voltemos então a Daniel 7. Lá podemos ver as mesmas imagens usadas em Apocalipse 13: o leão, o urso, o leopardo e o dragão. Em Daniel 7, existe a descrição de um poder que se levantaria nos primeiros séculos da era cristã. Ele uniria a igreja e o estado.

Esse poder religioso usurparia a autoridade de Deus. Alegaria ter poder para mudar a lei de Deus. Vamos descobrir quem é esse poder, onde ele surgiu e o que fez. Pesquisemos as profecias da Bíblia que predizem sobre esse poder que tentaria mudar a lei de Deus. Abramos as páginas da história e leiamos suas próprias declarações alegando ter autoridade para mudar o sábado do Senhor.

Ao continuar a ler, você compreenderá, talvez pela primeira vez, as questões centrais nesse conflito sobre adoração e verá por que o sábado é tão importante para Deus. Você também entenderá como o domingo entrou na igreja cristã. É uma jornada maravilhosa quando comparamos as profecias bíblicas com a história.

Certa noite, o profeta Daniel teve um sonho. Esse sonho é descrito em Daniel 7:2 e 3: 
“Em minha visão à noite, eu vi os quatro ventos do céu agitando o grande mar. Quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, subiram do mar.”

O que esses animais representam na profecia bíblica? “Os quatro grandes animais são quatro reinos que se levantarão na terra” (verso 17). “Ele me deu a seguinte explicação: ‘O quarto animal é um quarto reino que aparecerá na Terra’” (verso 23). 
Esses quatro animais representavam quatro reinos que dominariam o mundo. Em Daniel 7, esses quatro grandes impérios governando sobre o mundo inteiro são apresentados ou descritos como animais selvagens. Em Daniel 2, os mesmos impérios são retratados como metais de valor e força diferentes. Em Daniel 2, Nabudonosor, rei da Babilônia, sonhou com uma grande estátua. Essa estátua tinha cabeça de ouro, peito e braços de prata, quadris de bronze, pernas de ferro e pés de ferro e barro. Não precisamos adivinhar o significado dessa estátua gigante composta por quatro metais. 
  • A Babilônia, o primeiro desses quatro reinos, foi mencionada por nome de forma direta por Daniel (versos 37-40). 
  • Ele também nomeia o império que destronaria Babilônia: a Média-Pérsia (Daniel 5:28-30). 
  • E a nação que derrubou a Média-Pérsia foi a Grécia (Daniel 8:20, 21). Os quatro metais da imagem representam quatro poderes mundiais: Babilônia, Média-Pérsia, Grécia e Roma.
  • A imagem tinha pés de ferro misturado ao barro, representando a Europa dividida, e uma pedra, sem auxílio de mãos, se soltou e despedaçou a estátua. Essa pedra simboliza Jesus, a Rocha Eterna, que um dia destruirá os reinos deste mundo e estabelecerá um reino eterno.


Analisemos cuidadosamente o capítulo 7 de Daniel, para ver como as figuras dos animais representam essas nações antigas. À medida que essas bestas proféticas passam pela linha do tempo, podemos observar o desdobrar da história. O primeiro animal era semelhante a um leão com asas de águia. Diz o relato:
“O primeiro parecia um leão, e tinha asas de águia. Eu o observei e, em certo momento, as suas asas foram arrancadas, e ele foi erguido do chão, firmou-se sobre dois pés como um homem e recebeu coração de homem” (Daniel 7:4).
Babilônia se encontrava localizada dentro do que hoje é o Iraque, a cerca de 95 quilômetros ao sul de Bagdá. Quando arqueólogos estavam realizando escavações no Iraque, encontraram a figura de um leão alado claramente entalhada nos muros de Babilônia, que eram feitos de tijolos.

O leão com asas de águia era um símbolo comum e muito conhecido de Babilônia. Na verdade, o profeta Jeremias (4:7), ao falar sobre a Babilônia, diz o seguinte: “Um leão saiu da sua toca, um destruidor de nações se pôs a caminho.” Jeremias diz que a destruidora de nações, Babilônia, iria a Jerusalém para destruí-la. O leão com asas de águia era um símbolo comum de Babilônia no mundo antigo. Na época de Daniel, esse reino era um poder gigantesco, que dominava o mundo.

Depois, outra nação se levantaria. Babilônia não governaria o mundo para sempre.
“A seguir, vi um segundo animal, que tinha a aparência de um urso. Ele foi erguido por um dos seus lados, e na boca, entre os dentes, tinha três costelas. Foi-lhe dito: ‘Levante-se e coma quanta carne puder!’” (Daniel 7:5).
Note agora que o segundo império é semelhante a um urso que se ergue por um dos seus lados. A Média-Pérsia destronou Babilônia. O urso da Média-Pérsia, erguendo-se por um de seus lados, representa os persas, que derrubaram primeiro Babilônia para, em seguida, dominar os medos. O que o urso tem na boca? Três costelas. Quando a Média-Pérsia conquistou o mundo, ela conquistou primeiro Babilônia, depois foi em direção ao norte, onde conquistou Lídia e, em seguida, para o sul, onde dominou o Egito. A profecia bíblica é extremamente precisa. E isso é fantástico!

Um terceiro império se levanta: 
“Depois disso, vi um outro animal, que se parecia com um leopardo. Nas costas tinha quatro asas, como as de uma ave. Esse animal tinha quatro cabeças, e recebeu autoridade para governar” (verso 6).
Os gregos derrotaram os medos e os persas. Alexandre, o grande, e seu exército grego conquistaram o mundo rapidamente. Se você quisesse descrever uma conquista rápida, que animal escolheria? Um que se movesse de forma bem ágil: o leopardo. Mas, se você quisesse falar sobre uma conquista extremamente rápida, rápida mesmo, o que poderia fazer com seu leopardo? Colocar asas nele! Deus colocou asas nesse leopardo para descrever as ágeis conquistas de Alexandre, o grande. Por que quatro cabeças? 

Observe novamente a precisão da profecia bíblica: Alexandre, o grande, morreu muito jovem, aos 36 anos. As quatro cabeças do leopardo representam os quatro generais de Alexandre que dividiram o império: Cassandro, Ptolomeu, Seleuco e Antígono. Os quatro generais de Alexandre governaram exatamente como a Bíblia predisse. 

As Escrituras descrevem um quarto império: 
“Em minha visão à noite, vi ainda um quarto animal, aterrorizante, assustador e muito poderoso. Tinha grandes dentes de ferro, com os quais despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava. Era diferente de todos os animais anteriores e tinha dez chifres” (verso 7).
Fica bem claro que esse quarto animal representa o Império Romano. Esse período nos leva ao tempo de Cristo. 
  • Foi um decreto romano que levou José a Belém, cidade em que nasceu Jesus. 
  • Foi Pôncio Pilatos, um romano, quem julgou Jesus. 
  • Foi um soldado romano que pregou Jesus na cruz. 
  • Roma dominava o mundo nos dias de Cristo. 
  • O cristianismo nasceu e cresceu dentro do Império Romano. 
  • A Bíblia descreve o colapso desse império de forma clara através do símbolo dos pés da imagem e dos chifres do quarto animal.

A imagem de Daniel 2 possuía pés de ferro e barro, representando a Europa dividida. O quarto animal tinha dez chifres. Roma foi dividida em dez territórios principais. As tribos bárbaras varreram o império, saquearam e levaram espólios, destruindo vilas e ocupando cidades. O Império Romano foi dividido. As tribos bárbaras o seccionaram em pequenos reinos. Os anglo-saxões se estabeleceram na Inglaterra. Os francos, no território da França. Os germânicos, na região da Alemanha. E outras tribos do norte se espalharam pelo império, dividindo o território mais ou menos da forma como vemos hoje. Essas divisões representam os dez chifres do quarto animal. Em seguida, Deus revela como a apostasia se infiltraria na igreja no tempo em que o Império Romano estava sendo devastado pelas tribos bárbaras do norte.


O MISTERIOSO "CHIFRE PEQUENO"

A profecia em Daniel 7 revela claramente o conflito em torno da adoração e mostra de forma precisa como o sábado foi mudado. Enquanto Daniel, em visão, via esses dez chifres, algo surpreendente apareceu: 
“Enquanto eu considerava os chifres, vi outro chifre, pequeno, que surgiu entre eles; e três dos primeiros chifres foram arrancados para dar lugar a ele. Esse chifre possuía olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância” (verso 8).
A Bíblia afirma que esse chifre pequeno surgiu e era diferente dos demais. Quem é esse chifre pequeno que se levanta sobre os outros dez? Procuremos descobrir algumas coisas que a Bíblia diz sobre esse misterioso chifre pequeno.
  • Em primeiro lugar, ele surge no meio dos dez primeiros. Se os dez chifres são as divisões de Roma, o chifre pequeno necessariamente surge na Europa ocidental. Ele não surge na Ásia, África, América do Norte ou do Sul. Suas raízes podem ser encontradas em solo europeu.
  • Em segundo lugar, a Bíblia diz que esse chifre pequeno surgiria depois dos dez chifres. Ele não aparece no tempo da Babilônia, Média-Pérsia, Grécia ou Roma. Surge após a queda do Império Romano. É um poder que se levanta a partir de Roma, nos primeiros séculos.
  • Em terceiro lugar, a Bíblia também afirma que esse chifre pequeno tem olhos como os de um homem. O que isso representa? Você sabe como um profeta é chamado na Bíblia? Nas Escrituras, os profetas são chamados de “videntes”, porque eles veem com os olhos de Deus. Os olhos de homem não representam a sabedoria divina, mas a humana. É um sistema religioso baseado em ensinamentos de homens que surgiria de Roma.

Observe que a Bíblia diz, no verso 24, que esse chifre é diferente de todos os outros. Essa é a quarta pista para compreender o chifre pequeno. Todos os poderes antes dele – Babilônia, Média- Pérsia, Grécia e Roma – constituíam poderes políticos. Esse é diferente. Não se trata de um poder político em primeira instância; é um poder religioso, um poder político-religioso.

O que esse poder faria? Ele tentaria mudar a própria lei de Deus. Olhe o que a Bíblia diz no verso 25: 
“Ele falará contra o Altíssimo, oprimirá os Seus santos e tentará mudar os tempos e as leis.” Você consegue imaginar uma maneira melhor de falar “contra o Altíssimo” do que através de uma tentativa de mudar a lei de Deus, especialmente o sábado? Esse poder tentaria modificar a própria lei de Deus. O texto não está falando sobre mudança de leis de impostos ou políticas.

Quando uma nação sucede outra, quase sempre as leis humanas são alteradas. Mas esse chifre pequeno falaria contra o Altíssimo, assumindo as prerrogativas de Deus e tentando mudar as leis divinas. Note que a Bíblia não afirma que ele podia mudar essas leis; podia apenas tentar modificá-las. Nenhum poder terreno, por mais poderoso que alegue ser, tem autoridade para mudar a lei de Deus. Mas esse poder pensaria possuir tal autoridade.

A profecia de Daniel prediz que um grande poder religioso se levantaria a partir do antigo Império Romano. Esse poder seria pequeno a princípio, mas se tornaria extremamente poderoso. Ele alegaria ter autoridade para modificar até mesmo a lei de Deus. O que ocorreu?

Na tentativa de agradar os pagãos que estavam entrando na igreja em grande quantidade e de tornar o cristianismo mais aceitável ao império, esse poder romano procurou modificar a lei de Deus. A mudança do sábado ocorreu de forma gradual, durante um longo período no tempo. Ela resultou de uma série de fatores sociais e religiosos.

O Dr. John Eadie nos ajuda a entender as raízes dessa mudança em sua enciclopédia bíblica. Ele afirma: 
“O domingo foi o nome dado pelos pagãos ao primeiro dia da semana porque era o dia no qual eles adoravam o Sol.”[1] 
A adoração ao Sol era comum no Egito, Babilônia, Pérsia e Roma. No 4º século, o imperador romano Constantino também era influenciado pela adoração do Sol. Ele desejava unir seu império. Como poderia conseguir tal façanha? Constantino promulgou um decreto para promover um dia comum de descanso em toda a extensão do império. Sua intenção clara era promover a união entre pagãos e cristãos em seu reino. O decreto do imperador data de 321 d.C. Ele ordena: 
“Que os juízes e o povo das cidades, bem como os comerciantes, repousem no venerável dia do Sol.” 
Constantino chama o domingo de “venerável dia do Sol”.  Ele declarou que os estabelecimentos comerciais deviam ser fechados. Na época de Constantino, a igreja e o estado se uniram numa tentativa de cristianizar os pagãos e unir o império. O governo romano e a igreja romana se uniram. 

A declaração a seguir é fantástica, e foi publicada em março de 1894 por The Catholic World
“O Sol era o deus mais importante entre os pagãos. [...] Existe, de fato, algo real no Sol que faz dele uma representação adequada de Jesus, o Sol da Justiça. Portanto, a igreja desses países parece ter dito: ‘Mantenhamos o velho nome pagão. Ele deve permanecer consagrado, santificado.’ E assim, o domingo pagão, dedicado a Balder, se tornou o domingo cristão, consagrado a Jesus.”[2]
Conseguiu perceber como tudo aconteceu? Observou como o domingo entrou na igreja? Constantino desejava unir seu império e os líderes da igreja romana queriam converter os pagãos. O domingo se tornou o meio para realizar ambas as coisas. Portanto, o sábado bíblico foi mudado pela igreja romana e pelo estado.

Existe outra questão em jogo aqui. A igreja romana queria se distanciar do judaísmo. Havia um sentimento antissemita no Império Romano. Isso contribuiu para a mudança do sábado para o domingo como dia de adoração. O Concílio (Sínodo) de Laodiceia, realizado por volta de 363 ou 364 (as datas variam), registra a primeira proibição à guarda do sábado bíblico. Bispos se reuniram em Laodiceia e decretaram: 
“Os cristãos não devem judaizar” (ou seja, não devem guardar o sábado) “e permanecer ociosos durante o sábado”.[3]
Através desse decreto, o concílio da igreja estava dizendo: “Estamos proibindo os cristãos de descansar durante o sábado. Eles devem trabalhar nesse dia.” Já o domingo deveria ser honrado de forma especial. Se os cristãos fossem encontrados “judaizando” (guardando o sábado), seriam “excluídos de Cristo”.[4]

Encontramos aqui um concílio da igreja que se uniu com o governo romano para tentar mudar a autoridade do sábado para o domingo. A mudança do sábado ocorreu gradualmente, à medida que os cristãos se distanciaram dos judeus e que os líderes da igreja e do estado deram as mãos para unir o império. responsabilidade pela mudança Daniel 7:25 diz que um poder vindo de Roma tentaria mudar a lei do Senhor. Deus nos diz para ficarmos alerta! Existem várias declarações de fontes católicas romanas que reconhecem a igreja como responsável pela mudança do sábado. 

A obra The Convert’s Catechism of Catholic Doctrine explica esse fato da seguinte maneira:
"Pergunta: Qual é o terceiro mandamento?
Resposta: O terceiro mandamento é: Lembra-te do dia de sábado para o santificar.
Pergunta: Qual dia é o sábado?
Resposta: O sábado é o sétimo dia da semana.
Pergunta: Por que observamos o domingo em vez do sábado?
Resposta: Observamos o domingo em vez do sábado porque a Igreja Católica transferiu a solenidade do sábado para o domingo."[5]
Você pode estar se perguntando por que essas afirmações do catecismo da Igreja Católica se referem ao mandamento do sábado como terceiro mandamento, em vez do quarto. Isso se deve simplesmente ao fato de que a igreja eliminou o segundo mandamento, que diz respeito a imagens de escultura e dividiu o décimo mandamento (“Não cobiçarás”, Êxodo 20:17) em dois: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo” e “Não cobiçarás os bens do teu próximo”. 


Dessa maneira, eles continuam sendo dez mandamentos. A lei de Deus foi mudada pela Igreja Católica Romana nos séculos 4º e 5º. Isso não é segredo algum. A igreja reconhece abertamente esse fato. Em sua edição de 23 de setembro de 1893, o periódico The Catholic Mirror afirmou:
“A Igreja Católica, mais de mil anos antes da existência do protestantismo, em virtude de sua divina missão, mudou o dia de sábado para o domingo.”[6]
A Enciclopédia Católica acrescenta: 
“A igreja, por sua vez, depois de mudar o dia de descanso do sábado judeu, ou o sétimo dia da semana, para o primeiro, fez o terceiro mandamento se referir ao domingo como o dia de guarda a ser observado como dia do Senhor.”[7] 
Aqui a igreja declara abertamente ter mudado o sábado. A Igreja Católica de Santa Catarina, em Algonac, Michigan, publicou a seguinte declaração em seu boletim de 21 de maio de 1995: 
“Talvez a decisão mais ousada e mais revolucionária tomada pela igreja tenha acontecido durante o 1º século. O dia santo, o sábado, foi transferido do sétimo dia para o domingo. [...] Não por qualquer direcionamento encontrado nas Escrituras, mas pelo senso da igreja de seu próprio poder.”[8]
Karl Keating, um destacado escritor católico dos Estados Unidos, direcionou seu desafio aos protestantes: 
“Fundamentalistas se reúnem para adorar no domingo. No entanto, não existe nenhuma evidência na Bíblia de que a adoração coletiva deveria ser feita nesse dia. O sábado judaico, ou dia de descanso, é, obviamente, o sétimo dia da semana. Foi a Igreja Católica que decidiu ser o domingo o dia de adoração para os cristãos, em honra à ressurreição.”[9]
Esse autor católico está arrazoando com os protestantes. Ele diz que, se alguém quiser seguir a Bíblia, deve guardar o sábado. Então, argumenta que a Bíblia, por si só, não é um guia suficiente sem a autoridade e a interpretação da igreja.

O padre da Igreja de Santa Catarina, em Michigan, raciocina da mesma forma e afirma: 
“As pessoas que pensam que as Escrituras devem ser a única autoridade precisam, por questão de lógica, se tornar adventistas do sétimo dia e guardar o sábado como dia santo.”[10]
A questão central relacionada com a mudança do dia de guarda é a seguinte: a igreja possui autoridade para mudar a lei de Deus? Se você aceita o domingo, está aceitando um dia baseado na autoridade da igreja. O argumento da Igreja Católica é o seguinte: aceitar o domingo significa aceitar a autoridade dessa igreja. Se você aceita a autoridade da Igreja Católica para mudar o sábado, com toda a honestidade, deveria ser católico. 

O cardeal James Gibbons foi um dos mais importantes teólogos católicos do século 19. No livro The Faith of our Fathers, ele declarou: 
“Você pode ler a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse e não encontrará uma única linha autorizando a santificação do domingo. As Escrituras defendem a observância religiosa do sábado.”[11]
O monsenhor Segur esclarece esse assunto quando escreve: 
“Foi a Igreja Católica que, pela autoridade de Jesus Cristo, transferiu o descanso para o domingo em memória da ressurreição de nosso Senhor. Portanto, a observância do domingo pelos protestantes é uma homenagem prestada por eles, de inspiração própria, à autoridade da igreja.”[12]
A questão é muito maior do que apenas uma diferença entre dias. O ponto central é o seguinte: qual é o nosso guia? A Bíblia ou a tradição? Teria alguma igreja ou algum líder religioso, por qualquer motivo, a autoridade para modificar a lei de Deus, a qual foi escrita com Seu próprio dedo em tábuas de pedra? Deus concedeu a alguma igreja ou ser humano a autoridade para mudar Sua lei? Absolutamente não! Deus declara: 
“Não violarei a Minha aliança nem modificarei as promessas dos Meus lábios” (Salmo 89:34). 
Portanto, o centro de toda a questão é a autoridade. Existem pessoas espirituais e sinceras em todas as igrejas e denominações religiosas. A questão aqui não é julgar os motivos dos outros ou seu compromisso com Deus. Nosso assunto central é descobrir a verdade de Deus para nós e segui-la. Não é meramente uma questão de diferença de dias. É uma questão de autoridade. Afinal, quem é o seu mestre? É Jesus ou são os líderes da igreja? Qual é o fundamento de sua fé? É a Bíblia ou o que os homens dizem?

Durante o século 16, na época da Reforma, Martinho Lutero argumentou perante os sacerdotes e prelados da Europa que a Bíblia e tão somente a Bíblia deveria ser a regra de fé e prática dos cristãos. Ele afirmou: “Minha consciência é cativa à Palavra de Deus.”

O Dr. Johann von Eck foi o brilhante teólogo católico designado pela igreja para debater com Lutero. Um dos argumentos que o Dr. Eck usou contra Martinho Lutero estava relacionado ao sábado. Ele sugeriu que 
“a autoridade da igreja não pode, portanto, ser limitada à autoridade das Escrituras, pois a igreja mudou o dia de guarda do sábado para o domingo não por uma ordem de Cristo, mas por sua própria autoridade”.[13]
A questão que envolve o sábado está relacionada à autoridade. O argumento do Dr. Eck contra a famosa declaração de Lutero sobre a autoridade da Bíblia e da Bíblia somente (sola Scriptura) era simples. A tradição coloca a Bíblia de lado e o fato de que Lutero aceitava o domingo era prova suficiente para Eck de
que Lutero não aceitava a Bíblia toda de forma completa, mas que, ao admitir o domingo, estava admitindo a autoridade da Igreja Católica Romana.

Quando amamos de verdade a Cristo, Ele é nossa autoridade final. Suas palavras são nosso guia. Algumas coisas estão no âmbito da opinião pessoal. Uma mudança na lei de Deus não. Negar o sábado bíblico, dado por Deus como sinal de Sua autoridade criadora, é algo que importa muito, meu amigo! Uma mudança na lei de Deus é assunto de extrema importância.

Prefiro seguir o que Deus deu a Adão e Eva no jardim do Éden. Prefiro seguir o que Deus ordenou a Moisés nos Dez Mandamentos. Prefiro seguir o exemplo do próprio Cristo. E você? Muitos cristãos hoje estão acreditando num engano. As pessoas dizem: “Que diferença faz um dia? Todos os dias são iguais.” Com Deus, nem todos os dias são iguais. Um dia em especial foi abençoado por Ele. Um dia foi santificado. E Deus descansou nesse dia. As questões com as quais estamos lidando se relacionam com autoridade e obediência. Nossas escolhas são:
  • A Bíblia ou a tradição.
  • Jesus ou líderes religiosos.
  • A lei de Deus ou dogmas humanos.
  • As instruções de Deus ou ensinamentos humanos.
  • O jeito de Deus ou o jeito dos homens.
Existe uma pergunta que às vezes surge: “Você está sugerindo que todas as pessoas que guardam o domingo estão perdidas?” Não. Quero deixar isso bem claro. Há muitos cristãos guardadores do domingo que amam a Jesus Cristo. Eles estão vivendo de acordo com a luz que conhecem. À medida que aprendem mais, estão dispostos a seguir a verdade. Em todo o mundo, milhares estão ouvindo o chamado de Deus e se colocando ao lado da verdade.

Jesus está convidando você hoje. Ele o está chamando para sair do meio da multidão. Ele o chama a segui-Lo. Cristo apela para que você aceite Sua Palavra como a base de sua fé. Diga, então, em seu coração: “Sim, Jesus, eu O seguirei completamente.” Por que não fazer o compromisso de segui-Lo agora mesmo?


REFERÊNCIAS
  1. John Eadie (ed.), “Sabbath”, em A Biblical Cyclopedia (Londres: Charles Griffin, 1870).
  2. William L. Gildea, “Paschale”, The Catholic World, março de 1894, p. 809.
  3. Cânon 29 do Concílio de Laodiceia.
  4. Ibid.
  5. Peter Geiermann, The Convert’s Catechism of Catholic Doctrine (1957), p. 50.
  6. James Cardinal Gibbons, The Catholic Mirror, 23 de setembro de 1893.
  7. Charles G. Herbermann et al., “Commandments of God”, The Catholic Encyclopedia (Nova York: The Universal Knowledge Foundation, 1908, 1913), v. 4, p. 153.
  8. Leo Broderick, “Pastor’s Page”, Sentinel (Algonac, Michigan: Saint Catherine Catholic Church newsletter), 21 de maio de 1995.
  9. Karl Keating, Catholicism and Fundamentalism: The Attack on “Romanism” by “Bible Christians” (San Francisco: Ignatius, 1988), p. 38.
  10. Leo Broderick, “Pastor’s Page”, Sentinel, 21 de maio de 1995.
  11. James Cardinal Gibbons, The Faith of our Fathers, 34a ed. (Baltimore: John Murphy, 1889), p. 111.
  12. Monsignor Segur, Plain Talk about the Protestantism of To-day (Boston: Patrick Donahoe, 1968), p. 225.
  13. J. H. Holtzman, Canon and Tradition, citado por J. N. Andrews e L. R. Conradi, History of the Sabbath and First Day of the Week, 4a ed. (Washington: Review and Herald, 1912), p. 589.

(Mark Finley. Tempo de Esperança, p. 46-59, 2009)
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Fonte: Exegese.

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