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sábado, 12 de dezembro de 2015

Everton Alves fala sobre a Teoria do Design Inteligente

No que consiste a Teoria do Design Inteligente (TDI)?

A TDI é talvez hoje a maior novidade científica que temos em ciências. Pode ser entendida como o estudo dos padrões na natureza que carregam as marcas de causalidade inteligente. Simplificando, ela é entendida como uma teoria de detecção de design. A TDI se coloca como alternativa a mecanismos naturalistas. A proposta central da TDI é analisar um objeto de estudo e distinguir se esse objeto possui informação que lhe confere as características de um designintencional (projetado por uma mente inteligente) ou se esse objeto é produto do acaso, necessidades ou leis naturais (cristais de flocos de neve, por exemplo). É importante esclarecer que a TDI não se preocupa em estudar a origem da vida e do Universo, mas, sim, analisar as estruturas biológicas complexas que podem ser observadas na natureza. Entretanto, os teóricos do designentendem que os mecanismos propostos pelo atual paradigma para explicar as origens são demonstrados inadequados no contexto de justificação teórica. Posso citar como exemplo o caso da hipótese do “Mundo RNA” para a explicação da origem da vida, que já entrou em colapso epistêmico. As evidências atuais não mais suportam essa proposta evolutiva inconsistente.

Por outro lado, é importante esclarecer alguns pontos, a fim de que não sejam generalizadas as afirmações, e que sejam entendidas dentro do contexto adequado. Nós, proponentes do design, entendemos e aceitamos que a teoria da evolução trouxe grandes contribuições à história da ciência. Já está bem estabelecido o papel da seleção natural, das variações de baixo nível (conhecidas como o processo de microevolução observado nos experimentos de Lenski), especiação e ancestralidade comum com limitações. Porém, nos posicionamos contra a ideia de macroevolução(grandes mudanças ao longo de milhões de anos), que não pode ser testada, e a ancestralidade comum no contexto neodarwinista, questões ainda em debate.

Quando a TDI foi criada e por quem?

A ideia da existência de design na natureza não é algo recente. Foi proposta desde os antigos filósofos gregos (Platão e Aristóteles). Mas o argumento de design se tornou popular por meio da famosa tese de William Paley, publicada em 1802, conhecida como a “tese do relojoeiro”. Por outro lado, o design inteligente, como uma teoria científica, surgiu oficialmente em 1993, em Pajaro Dunes, Califórnia, EUA, em uma reunião - coordenada pelo fundador do movimento do designinteligente, Dr. Phillip Johnson - com alguns dissidentes da teoria evolucionista tida como paradigma pela ciência atual.

O que diferencia a TDI das demais teorias que tentam explicar a origem da vida?

Antes de responder a essa questão é preciso deixar claro que, assim como todas as teorias, a TDI possui a seguinte limitação: não é capaz de traduzir fielmente a totalidade da realidade. Entendemos que a natureza esbanja evidências, porém, poupa as respostas. Por exemplo, a TDI não consegue afirmar qual foi a quantidade exata de informação genética que deu origem à vida. Mas, no que diz respeito às origens, a TDI se opõe à visão biológica reducionista proposta pela teoria da evolução e entende que a Biologia não pode ser reduzida às leis da Física e da Química, conforme afirmou o biólogo evolucionista Ernst Mayr. Em outras palavras, a TDI pode se apoiar, por exemplo, em lei científica da Biologia (lei da biogênese) para afirmar que vida somente provém de vida. Isso vai contra a proposta da biologia evolutiva histórica (naturalismo filosófico), a qual defende, sem nenhum fundamento científico, que o primeiro ser vivo teria se originado de matéria inorgânica (abiogênese). Entretanto, a base empírica da TDI não repousa necessariamente nessas leis. Ela repousa nos sinais de inteligência detectados na natureza, tais como a informação complexa especificada e a informação funcional e prescritiva.

Em relação ao criacionismo, a proposta da TDI difere em quase todos os seus aspectos. A teoria da criação assume o pressuposto de que Deus é o Criador da vida e do Universo. A TDI, por sua vez, não pretende identificar a fonte de inteligência nem tem como foco principal explicar a origem da vida e do Universo. O ponto central da TDI é a detecção da informação existente na natureza e não a busca da origem dessa informação, no sentido de um designer (projetista) ­– embora a informação complexa e específica por si só aponte para a existência de uma mente inteligente, pois indica um propósito intencional. É apenas nesse argumento teleológico de design (componente filosófico) que o criacionismo e o design inteligente convergem.

Qual é a teoria mais aceita entre os cientistas cristãos?

A teoria aceita pela maioria dos cientistas cristãos, evidentemente, é a da criação, não o designinteligente. A TDI tem sido utilizada por criacionistas para complementar as explicações referentes ao campo da Biologia Funcional, ou seja, explicar a existência de informação biológica complexa na natureza. Como vimos anteriormente, a convergência entre as duas teorias no argumento de design(propósito) possibilita o uso da TDI pelos criacionistas. No entanto, o inverso não é verdadeiro, isto é, a TDI não utiliza os argumentos e conceitos criacionistas para suas observações e experimentos científicos.

A TDI ainda é uma teoria muito jovem. Formulada em 1993, ela tem pouco mais de 20 anos. Quando comparada às principais teorias (criacionista e evolucionista), percebe-se que ela é ainda um bebê. Embora a TDI não seja ainda aceita pela comunidade científica – motivo pelo qual os próprios teóricos do design são contra seu ensino nas escolas -, ela possui todas as características necessárias para ser considerada uma teoria originalmente “científica”, conforme a definição de teoria proposta pela Academia Nacional de Ciências dos EUA (National Academy of Sciences, NAS).

Qual a sua experiência com a TDI? Como começou a aceitar essa ideia?

A primeira vez que li a respeito da TDI foi no livro Por Que Creio, do jornalista Michelson Borges. Fiquei impressionado e interessado pelo tema a ponto de investigar se as evidências apresentadas pela TDI faziam sentido ou não. A conclusão: não só fazem sentido, como a TDI é, para mim, a melhor explicação para a complexidade percebida com meus próprios olhos nas estruturas analisadas dentro das ciências biológicas e da saúde (então minha área de pesquisa). Eu estava no começo do mestrado, fazendo pesquisas em Imunogenética, e quando olhava para a estrutura tridimensional do DNA - melhor exemplo de codificação e compactação de informação −, somente com o auxílio da TDI era possível entender o ajuste fino nas sequências do código genético (ordem e organização) e a complexidade irredutível presente no ciclo de síntese de proteínas, no armazenamento da informação necessária para a construção dos blocos da vida e na transmissão de dados. Após o mestrado, fui convidado a ser colunista de uma página sobre TDI e também iniciei o projeto de escrita do meu e-book.

Alguns cientistas dizem que crer em um planejador é pseudociência, pois nada (para esses cientistas) indica a intervenção desse ser. Como é possível defender a teoria diante dos cientistas?

Esse argumento vem do fato de que a ciência adotou a teoria da evolução como paradigma na academia. Há 150 anos, a ciência baniu a possibilidade de que exista algo além de matéria e energia neste universo. Não é fácil combater e desconstruir uma crença profundamente enraizada na ciência, como é o caso do naturalismo filosófico (a propósito, cheio de lacunas e hipóteses imaginativas que não podem ser testadas em laboratório). O que é curioso, visto que os pais da ciência não tinham essa percepção (Galileu Galilei, Johannes Kepler, Isaac Newton, Gregor Mendel, Louis Pasteur, entre muitos outros).

A ciência na verdade foi criada e baseada na percepção da existência de um ser inteligente que regia as leis e a ordem do Universo e da vida. E desde aquela época até hoje as evidências de um ser inteligente sempre existiram. Principalmente nas últimas décadas, período em que a ciência acumulou uma quantidade imensa de dados, e a maior parte deles corrobora a ideia de design, embora a mídia tente blindar o darwinismo a todo custo.

Pseudociência, para mim, é insistir na hipótese neodarwinista de que a maior parte do nosso DNA é “lixo” (áreas que não codificam proteínas), resistindo aos resultados de uma das maiores pesquisas já realizadas pelo projeto Encode, em 2012. As evidências mostram cada vez mais que os sistemas biológicos na natureza exibem funcionalidade, intencionalidade e muito, muito propósito.

A TDI aceita a evolução? Como a teoria aborda os processos evolutivos?

Primeiro, é preciso definir o que é “evolução” ou a qual tipo de evolução estamos nos referindo. Há pelo menos seis definições de “evolução”. Se por “evolução” entendemos “mudança ao longo do tempo” (microevolução) ou até mesmo que organismos vivos estão relacionados pela ancestralidade comum (a origem das raças de cães a partir de lobos, por exemplo), então não existe nenhum conflito entre a teoria da evolução e a teoria do design inteligente.

Todavia, a TDI rejeita as propostas evolutivas ainda dominantes (Síntese Evolutiva Moderna ou neodarwinismo), que afirmam a possibilidade de grandes mudanças dando origem a novas espécies conduzidas pela seleção natural agindo em mutações aleatórias, um processo não dirigido, imprevisível e sem nenhum propósito ou objetivo discerníveis. Em sistemas biológicos, por exemplo, a TDI contraria tais pressupostos, pois defende a existência do conceito de complexidade irredutível no mundo molecular que jamais poderia ter se formado por meio de processos lentos, sucessivos e graduais.

É preciso entender que a TDI é uma teoria de sinais de inteligência. Os teóricos do design não abordam os processos evolutivos, mas entendem que os atuais paradigmas para a explicação da origem e evolução dos seres vivos são demonstrados inadequados no contexto de justificação teórica. Entretanto, a comunidade científica pró-design é inclusiva e não homogênea. Seus integrantes são pessoas de diversas religiões, alguns agnósticos (o matemático judeu David Berlinski, por exemplo), ateus e até adeptos da hipótese de ancestralidade comum (o bioquímico Michael Behe, por exemplo). Mas vale ressaltar que, embora Behe aceite a ancestralidade comum, ele entende que sua robustez epistêmica é frágil.

Quem seria o designer inteligente? Deus?

A TDI não pretende identificar a fonte de inteligência, mas defende a inclusão de possibilidades, na qual o papel do designer que deu origem a vida poderia ser atribuído ao Deus judaico-cristão, a extraterrestres, a uma raça humana vinda do futuro ou a forças distintas que permeariam o Universo. 

Como é a aceitação da TDI na comunidade científica? E nas universidades?

Muitos cientistas têm se declarado publicamente contra a teoria da evolução. Tanto é verdade que existe até mesmo uma lista criada pelo Discovery Institute intitulada “A Scientific Dissent from Darwin”. Isso demonstra que muitos têm percebido as falhas e lacunas que existem na teoria evolucionista. Sendo assim, a TDI tem conquistado espaço ao redor do mundo para explanar suas propostas e explicações − assim como toda teoria objetiva fazer. Isso porque muitos cientistas de renome têm aberto a mente para explicações alternativas sobre a complexidade da vida e a biodiversidade da natureza. No Brasil, por exemplo, em 2013, foram realizadas palestras sobre Design Inteligente na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), espaço cedido pela própria instituição. Em 2015, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) promoveu e apoiou totalmente um curso de extensão a respeito dos diferentes olhares sobre as Origens (design inteligente, evolucionismo e criacionismo). A abertura ao debate e questionamentos em instituições públicas de ensino é um marco na história da ciência brasileira. Ademais, diversas instituições públicas e privadas de ensino também têm dado seu apoio para a causa (a Universidade Mackenzie, o Unasp, a Unimep, entre outras).

A TDI seria a resposta para o “conflito” entre fé e ciência que tantos cientistas insistem em criar?

É bom lembrar que ciência e religião sempre estiveram de mãos dadas. A história dos “pais da ciência” está aí para mostrar que isso é a verdade. Essa questão de conflito entre esses dois lados é um mito. Pois a fé sempre foi a base de sustentação para um olhar mais amplo pelos cientistas que verdadeiramente contribuíram com a ciência que conhecemos hoje. Mas é claro que esse debate foge do escopo da teoria do design inteligente. A fé não é um requisito necessário para as pesquisas baseadas em design, pois é bom reforçar que a TDI ignora a prerrogativa de identificar a mente inteligente por trás do projeto, assim como também não tem como foco a discussão sobre a origem da vida e do Universo. O objetivo principal da TDI é analisar e identificar design intencional em objetos de estudo presentes na natureza.

Fale sobre seu e-book.

Sugiro a leitura do meu e-book intitulado Teoria do Design Inteligente: Evidências científicas no campo das Ciências Biológicas e da Saúde. Esse livro fará você, leitor curioso e interessado, viajar entre os dados e suscitar questionamentos acerca da teoria da evolução - muitas vezes apresentada como um fato inquestionável. Mas ele vai além de argumentos retóricos antievolucionistas. Por meio das diversas evidências apresentadas na obra, é possível perceber o design inteligente no projeto complexo e dinâmico da vida. Um mundo projetado de forma inteligente que é admissível numa perspectiva de cunho científico.

O e-book é uma das três obras genuinamente brasileiras, relevantes e específicas acerca do design inteligente, ficando atrás apenas - em ordem cronológica - das seguintes publicações, as quais eu deixo como sugestão de leitura complementar: Mero Acaso ou Design Inteligente? Evidências ao nível atômico e molecular, do Dr. Marcos Nogueira Eberlin, químico e presidente da Sociedade Brasileira de Design Inteligente (SBDI), e Design Inteligente: A metodologia de convergência das ciências sob a ótica da criação, do escritor Dr. Francisco Mário Lima Magalhães.

Deixo aqui, também, uma homenagem final a dois grandes profissionais que eu admiro imensamente e que têm contribuído com o projeto do meu livro. Agradeço ao mestre Enézio de Almeida Filho, pioneiro na propagação e defesa da teoria do design inteligente no Brasil e presidente emérito da SBDI, e ao jornalista e mestre Michelson Borges, editor da Casa Publicadora Brasileira, pelos valiosos ensinamentos e contribuições.

(O texto é a íntegra da entrevista concedida pelo enfermeiro e mestre em Ciências da Saúde Everton Fernando Alves para a revista Bereshit.)

Fonte: Criacionismo.
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sábado, 4 de janeiro de 2014

O Deus Criador e a Homoquiralidade - por Marcos N. Eberlin


Marcos N. Eberlin é, desde 1982, professor doutor titular da Universidade Estadual de Campinas. Realizou pós-doutorado na Purdue University, Estados Unidos, e orientou diversos mestres, doutores e pós-doutores. Entre as pesquisas realizadas por seu grupo, destacam-se os estudos de reatividade de íons na fase gasosa, que levaram à descoberta de vários novos íons e novas reações com diferentes aplicações analíticas e sintéticas. Uma dessas reações hoje leva seu nome: Reação de Eberlin.

Membro da Academia Brasileira de Ciências, o Dr. Eberlin é comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e autor de mais de 300 artigos científicos com mais de três mil citações.

Nascido em Campinas, SP, é casado com Elisabeth Eberlin e tem duas filhas: Thaís e Lívia.

Nesta entrevista, concedida a Michelson Borges, o Dr. Eberlin, que é batista, fala de suas pesquisas e de sua fé no Criador.

Ao recomendar um livro criacionista, o senhor escreveu: “Como químico, percebo a assinatura do Criador em tudo, nos átomos e nas moléculas, na periodicidade dos elementos, na singularidade da água e do carbono, nos aminoácidos, proteínas e enzimas, nas máquinas moleculares e na obra-prima maior, a molécula de DNA.” Poderia falar um pouco sobre como cada um desses detalhes corresponde à “assinatura de Deus”?

A vida, quando observada “mais de longe”, superficialmente, já se mostra extremamente bela, complexa, simétrica, sincronizada, uma obra de arte, um esplendor absoluto. Veja as flores, os pássaros, a Lua e as estrelas, o homem e os animais, um espetáculo indefinível que nos apresenta, através da criação, um pouco de beleza, inteligência, engenhosidade; atributos inigualáveis de nosso Deus. Mas como cientista e mais particularmente como químico, tenho a oportunidade de observar a obra de Deus de um ponto de vista mais próximo, mais detalhado, em nível molecular. 

Como químico, estudo a arquitetura da matéria, como foram formados os átomos, as moléculas, quais são as leis que regem o mundo atômico e molecular e suas transformações. Percebo, então, em uma dimensão atômica e molecular, como Deus é realmente um Ser de suprema inteligência e elegância, o Arquiteto, o Artista sem-par. Nessa dimensão, percebo uma riqueza extraordinária de detalhes, uma arquitetura constituída das mais diferentes formas geométricas, lindas, harmônicas, periódicas, perfeitas. Como a água, com sua estrutura angular simples, mas única, que rege suas propriedades também únicas, impressionantes, e que forma lindos cristais de gelo, de um designsem igual. 

Veja os átomos e o balé sincronizado de seus elétrons em orbitais. As proteínas, outro espetáculo, uma arquitetura química tridimensional e com pontos de encaixe engenhosamente posicionados que confere a essas moléculas propriedades diversas, uma eficiência extraordinária como aceleradores de reações jamais igualada por qualquer outra espécie química. Beleza, simetria, design, engenhosidade, sincronismo, ordem, linguagem e periodicidade, quantização, tridimensionalidade – são assinaturas inquestionáveis de um Deus em tudo absolutamente espetacular! Evidências que nos tornam a todos, cientistas ou não, inescusáveis. 

É um delírio duvidar desse Deus e questionar Sua existência. É um devaneio não admitir Sua majestade; uma insanidade zombar de Seu poder e glória. 

O senhor e sua equipe do Laboratório Thomson, do Instituto de Química da Unicamp, têm se destacado por suas pesquisas sobre homoquiralidade. Do que se trata isso?

Algumas moléculas, como os aminoácidos e os açúcares, que são constituintes básicos de todos os seres vivos, podem se apresentar na forma de isômeros chamados de isômeros óticos ou enantiômeros. Esses isômeros diferem apenas pelo posicionamento de seus átomos em um espaço tridimensional (um Deus trino e um espaço tridimensional!). Em um desses isômeros, por exemplo, um átomo X está à direita e outro átomo Y à esquerda. No outro isômero, as posições estão trocadas, invertidas. Essas moléculas são “quase” idênticas, e pela lei das probabilidades em um sistema não controlado, teriam a mesma chance de se formar em uma reação química. Mas, por decisão do Criador, que em nós quis adicionar uma “assinatura química” que autenticaria Sua obra, todos os aminoácidos do corpo humano são de um único tipo, do tipo L, sem exceção, e 100% puros. E, para confundir ainda mais os “sábios deste mundo”, todos os açúcares também são de um único tipo, sem exceção, mas do tipo oposto, ou seja, D. Somos, portanto, seres únicos, enantiomericamente puros, homoquirais! Escolhidos pelo nosso Criador a dedo, entre alternativas muito mais prováveis, mas menos interessantes, para assim sermos. Entre a possibilidade maior, a possibilidade caótica de sermos metade L e metade D (racêmicos), ou entre as quatro improváveis LL, DD, LD ou DL, Ele escolheu que seríamos todos LD, e 100%! Pelo poder de Sua Palavra! Um enigma e tanto que estonteia os naturalistas e que cala os céticos!

Por que o senhor vê, especialmente nas moléculas quirais, as digitais do Criador? 

Em todas as moléculas vemos “a mão e a mente” de nosso Criador. Mas as moléculas quirais são especiais, pois o acaso, o tempo, o caos, os “deuses naturalistas” nenhuma possibilidade teriam de criar seres 100% puros, homoquirais, especificamente seres exclusivamente LD. Os seres criados pelos “deuses naturalistas” seriam, no máximo, racêmicos (misturas 1:1 de L e D), ou talvez um pouquinho mais pra L ou mais pra D, ou misturas de LD e LL. Mas 100% LD, para todos os aminoácidos e açúcares? Por isso, sabemos que não há no Céu e não há na Terra Deus como o Senhor! 

Quando Charles Darwin elaborou e publicou sua teoria, a bioquímica ainda ensaiava seus primeiros passos, já que a descoberta da primeira enzima ocorreu em 1833. De lá para cá, tanto a bioquímica quanto a biologia molecular se desenvolveram muito e foram feitas descobertas que mostraram que a vida é muito mais complexa do que Darwin poderia sequer supor. Em sua opinião, por que, a despeito disso, a idéia da origem espontânea da vida ainda persiste?

Na época de Darwin, o “equipamento científico” mais utilizado era a cadeira de balanço, onde Darwin e outros pensadores e filósofos elaboraram as teorias naturalistas sobre a origem da vida. Porém, o trabalho árduo e sério de muitos cientistas utilizando métodos modernos, equipamentos científicos cada vez mais poderosos, desvendou uma vida muitíssimas e muitíssimas vezes mais complexa, organizada, sincronizada e elaborada do que os “vaivéns” das cadeiras de balanço ou as viagens de barco poderiam revelar. Mas a evolução foi contada com tanto entusiasmo por mais de 150 anos, foi pregada com tanto fervor, foi catequizada com tanta veemência, está estampada e detalhada em tantos livros científicos com tanta pompa, deu tantos prêmios a tantos, serviu de alívio a tantos que tentam escapar da iminência de um encontro face a face com Deus, foi apregoada por céus e mares como cientificamente provada em todos os seus aspectos, foi apresentada como a verdade mais cristalina frente à ignorância dos religiosos, foi adotada como o evangelho-mor dos naturalistas, está permeada em tantos conceitos e projetos científicos, que seria uma catástrofe sem precedência na história científica admitir sua falha, sua total inconsistência frente à química e a bioquímica modernas. Mas, quando a caixa preta de Darwin foi aberta, quando foram desvendados os segredos da máquina mais complexa e espetacular deste planeta (a célula), a verdade foi, pouco a pouco, sendo revelada. 

Deus “deu corda”, mas hoje Ele está dirigindo o processo de desmontagem do castelo naturalista, imenso, gigante, monstruoso, mas que precisa e vai cair. 

Por que o senhor acha que teorias como a panspermia cósmica (origem espacial) têm conquistado espaço no meio científico, a despeito de todas as improbabilidades com que elas têm que lidar?

Qualquer explicação para a vida e o Universo que não inclua a intervenção de nosso Criador, de Deus, será assim mesmo um delírio. Mesmo assim, homens acreditarão nelas e com elas se embriagarão, pois muitos se recusam a admitir que Ele existe e que comanda o Universo. 

O senhor declarou a um jornal que sua grande motivação para fazer ciência é entender como Deus cria as coisas, usando as próprias leis da química e da física. Esse tipo de postura não lhe causa problemas no meio acadêmico? Como seus colegas cientistas encaram sua postura religiosa?

Até hoje não tem causado, não. Deus tem me livrado pela Sua misericórdia e poder. Ao contrário, tenho tido o privilégio único de fazer amigos que, apesar de se declararem ateus ou descrentes, têm com sinceridade encontrado em mim uma voz com um discurso diferente, um discurso de esperança, um discurso de alegria, de reconciliação, que fala do amor sublime do Criador Supremo pelos Seus filhos, que mostra nossa importância como seres criados à semelhança de Deus, para Seu louvor e glória; seres com propósito, com destino, um destino de glória e honra, ao lado dEle. 

É possível harmonizar ciência e religião? Como cada uma delas pode contribuir na busca da verdade?

Sem dúvida. A ciência é uma dádiva de Deus. Ela existe para minimizar os males causados pela queda do homem, e que se agravam a cada dia. A ciência pura e verdadeira deve ser exercida para o bem do homem e a preservação da obra de nosso Criador. Deve ser usada também para que o homem, imagem e semelhança de Deus, tenha a oportunidade de criar, de influenciar, de mudar um pouco o curso deste mundo. A ciência mostra que Deus existe, mas as religiões nos apresentam formas de nos relacionarmos com deuses ou com o Deus verdadeiro. Cabe a nós, cientistas, remover da ciência a religião naturalista que dela se apoderou e exercer uma ciência desvinculada de amarras religiosas de qualquer tipo. E cabe aos religiosos a busca pelo Deus verdadeiro e a observância de Seus mandamentos. 

Por que o naturalismo filosófico tem tanta força no meio científico hoje, quando sabemos que os fundadores do método científico tiveram boa convivência com a fé?

Em determinado momento do desenvolvimento da ciência, baseado em informações imprecisas e incompletas, percebeu-se que a ciência poderia ser o berço do nascimento de uma religião conhecida hoje como naturalismo. Essa “religião” prega que a vida é obra de um “deus trino” (o acaso, o tempo e as mutações) e teve sua gênese em uma explosão cósmica, o Big Bang. Infelizmente, isso ocorreu de uma forma intensa, e muitos têm se convertido a essa crença. Mas Deus, que até hoje “deu corda”, que com ela confundiu os sábios deste mundo, Se cansou dessa situação e está revertendo tudo e restabelecendo a verdade, livrando a ciência ¬– que tanto bem tem trazido a todos nós – desse empecilho que prejudica um avanço científico ainda maior.

A controvérsia entre criacionismo e evolucionismo está crescendo e ganhando cada vez mais espaço na mídia. A que o senhor atribui essa tendência e onde isso vai parar?

Deus, que por 150 anos “deu corda”, resolveu dar um basta! O vento está soprando, e o castelo de areia naturalista vai cair.

Fonte: Criacionismo.

sábado, 26 de outubro de 2013

Carlos Orsi e mais uma ficção científica: Evolução das espécies!

Está em andamento, aqui no Brasil, mais uma tentativa de dar um verniz de respeitabilidade científica ao velho criacionismo, a ideia de que os seres vivos da Terra não evoluíram de forma natural, mas foram magicamente criados pelo Deus judaico-cristão-islâmico. Nas redes sociais, volta e meia pipocam convites para eventos, em escolas e universidades, com palestrantes comprometidos com a tese. Para evitar confronto direto, no caso de instituições públicas, com as leis que proíbem o uso de recursos do Estado para a promoção de ideias religiosas – e, também, para mais facilmente seduzir os incautos – os organizadores costumam evitar menções explícitas ao criacionismo, a Deus ou à religião em seu material de divulgação, mas as entrelinhas sempre revelam o verdadeiro objetivo: promover o ideário criacionista como uma “alternativa científica” à Teoria da Evolução.

Em termos espirituais, é claro que cada um é livre para crer no que quiser. Mas quando ideias religiosas tentam se passar por ciência, um pouco de ceticismo vem a calhar. Em ciência, uma “teoria” é um conjunto articulado de explicações bem testadas que dá conta de uma ampla série de fenômenos. Por exemplo, a Teoria da Relatividade Geral explica coisas como o movimento dos planetas em torno do Sol e a expansão do universo.

No parágrafo acima, é importante dar ênfase especial à expressão “bem testadas”: toda teoria nasce como hipótese – uma proposta de explicação para algum fato conhecido – e se consolida à medida que permite entender coisas que, para as hipóteses concorrentes, são mistérios; e também à medida que faz previsões que se confirmam.

A Evolução das Espécies é um caso clássico de teoria bem consolidada: ela não só dá conta dos fatos tal como eram conhecidos no tempo de seus autores, Darwin e Wallace – por exemplo, a adaptação das espécies a seus ambientes – como ainda permitiu entender fenômenos sem explicação clara naquela época, como extinções. E previu, certeira, não só que a Terra deveria ser muito mais velha do que se imaginava no século 19, como também que todos os seres vivos têm um ancestral comum, algo magistralmente confirmado mais de cem anos depois, graças aos avanços da biologia molecular no século 20.

Em comparação, o criacionismo, quaisquer que sejam seus méritos como doutrina religiosa, funciona muito mal como hipótese científica: ou ele não prevê nada (afinal, supõe-se que Deus pode fazer o que quiser do jeito que quiser, enquanto que a ciência, para prever,pressupõe causas naturais amarradas por leis e limitações) ou só faz previsões fracassadas (como a de que a Terra teria surgido há poucos milhares de anos).

A vacuidade científica da tese criacionista leva seus cultores a atacar a evolução. É uma manobra típica de quem, sabendo que não tem nada a oferecer, tenta dar a impressão de que o adversário também é vazio, estabelecendo, assim, uma falsa equivalência.

Mas a evolução não é uma hipótese vazia: é uma teoria bem consolidada, que sobreviveu a inúmeros testes e que, se estivesse errada, teria sido desmentida, nos últimos 150 anos, pela geologia, pelo registro fóssil, pela biologia molecular. Só que não foi.

Fonte: Carlos Orsi, Galileu.

Nota: Carlos Orsi é conhecido entre os leitores de ficção científica (lembro-me dele dos tempos da Isaac Asimov Magazine) e contos de terror. Os anos se passaram e, pelo jeito, ele continua ligado à ficção – o texto acima parece exatamente isto: uma peça de ficção científica. É impressionante como, em tão poucos parágrafos, ele consegue escrever tantas impropriedades e reforçar estereótipos repetidos ad nauseam pelos evolucionistas mal informados. Vamos por partes:

1. Dizer que o Universo e a vida teriam surgido de forma “natural” (informação a partir do nada, vida da não vida, matéria da ausência de matéria, etc.) não equivale a dizer que tudo surgiu de forma “mágica”? Sinceramente, não vejo diferença.

2. Orsi pinta um quadro sombrio (ao estilo “terror”) dos criacionistas, como “agentes obscuros” defensores de ideias medievais e que procuram se infiltrar aqui e ali para disseminar suas crendices e fazer discípulos. Sinceramente, não me vejo dessa maneira (será que sou tão míope a ponto de não perceber?). Orsi caricaturiza os criacionistas e, mesmo que um ou outro por aí seja meio “doido” (e “doidos” há em todos os lugares, sob todas as “bandeiras”), ele erra ao tomar o todo pela parte. Os criacionistas que eu conheço e com os quais convivo são amantes da ciência, do conhecimento e da verdade. Tudo o que querem é ser respeitados, não a despeito de suas crenças, mas exatamente porque creem de forma racional e razoável, e essa sua subjetividade não os impede de fazer boa ciência, muito pelo contrário, os motiva – como aconteceu com os “pais da ciência” Newton, Galileu, Copérnico e outros.

3. Os criacionistas não estão preocupados em “promover o ideário criacionista como uma ‘alternativa científica’ à Teoria da Evolução”. Isso não existe. Já disse aqui e repito: a Sociedade Criacionista Brasileira não defende que se ensine criacionismo nas escolas públicas. Por quê? Porque dificilmente se poderiam conseguir professores capacitados a expor devidamente (e equilibradamente) as ideias dos dois modelos, e porque o criacionismo é um modelo científico-teológico (se posso dizer assim), portanto, não adequado para ser ensinado em escolas laicas. O que se deseja é que o evolucionismo seja ensinado de forma crítica e não como uma verdade incontestável, como vem sendo apresentado a alunos incapazes ainda de enxergar a realidade por si mesmos.

4. Orsi diz que, “quando ideias religiosas tentam se passar por ciência, um pouco de ceticismo vem a calhar”. Um pouco de ceticismo sempre vem a calhar, até mesmo – e principalmente – quando alguém tenta dizer que uma coisa é de um jeito que não é. Não conheço nenhum criacionista bem esclarecido que confunda ciência com “ideias religiosas”. Conheço, sim, muitos evolucionistas – como Orsi – que confundem ciência com cientificismo e com naturalismo filosófico. É com esse tipo de confusão que surgem as “peças de ficção científica”. O naturalismo é uma cosmovisão que não pode ser submetida ao método científico, no entanto, os evolucionistas (especialmente os ateus) a priori a abraçam avidamente como se fosse a única “explicação” possível para a origem de tudo.

5. O ficcionista explica que teoria “é um conjunto articulado de explicações bem testadas que dá conta de uma ampla série de fenômenos”, e então menciona a Teoria da Relatividade Geral (curiosamente, ele não mencionou a gravidade, como é mais comum), que explica coisas como o movimento dos planetas em torno do Sol. Ok, mas o que isso tem a ver com o conceito de macroevolução? O movimento dos planetas nós podemos observar todos os dias,in loco (pois moramos no sistema solar), mas e a origem da vida? E o processo de “transformação” de uma barbatana em pata ou do surgimento de novos órgãos complexos, cujo processo nem consta no registro fóssil? Comparar a Relatividade Geral e a gravidade com a macroevolução é um absurdo total; é mais “forçação de barra” do que muitas ficções por aí.

6. Num único parágrafo, Orsi transita de um conceito a outro, numa confusão típica entre evolucionistas (por má intenção ou desconhecimento?). Ele diz que “a Evolução das Espécies é um caso clássico de teoria bem consolidada”, depois menciona “a adaptação das espécies a seus ambientes” e o “fato” de “que todos os seres vivos têm um ancestral comum”. É mais uma evidência de que o termo “evolução” pode ser usado a torto e a direito, dependendo do interesse de seu usuário. Quando fala em “evolução das espécies”, Orsi não esclarece a que está se referindo. Depois ele muda o discurso para tratar especificamente da diversificação de baixo nível (chamada por alguns de “microevolução”), sim, porque “adaptação das espécies a seus ambientes” se trata exatamente disso. E todo mundo sabe (ou deveria saber, se os evolucionistas deixassem) que adaptações (assim como mutações) não “criam” informação necessária para que houvesse o surgimento de novos planos corporais e/ou órgãos complexos. Adaptações são apenas isto: adaptações. Em seguida, o ficcionista muda de novo o discurso para transformar a palavra “evolução” em macroevolução, ao dizer que “todos os seres vivos têm um ancestral comum”. Cadê as provas disso? Aliás, novas pesquisas parecem mostrar que a realidade é bem outra (confira).

7. Ao contrário do que Orsi quer, “os avanços da biologia molecular no século 20” têm é mostrado que a ideia de complexidade irredutível de Behe é fato, e que se Darwin dispusesse dos equipamentos (como o microscópio) e dos conhecimentos de hoje, talvez a história de sua teoria fosse outra.

8. Orsi diz que o criacionismo ou não prevê nada ou só faz previsões fracassadas. Falso. Os criacionistas previram que o registro fóssil apresentaria lacunas e não transições graduais às milhares. Confirmado. Previram que os organismos do passado seriam maiores, mais fortes e complexos que seus descendentes. Confirmado. Previram que quanto mais a ciência avançasse, mais se perceberia que a complexidade da vida aponta para um designinteligente. Confirmado (a menos que se neguem os fatos). Previram que seriam encontradas evidências de uma grande catástrofe hídrica que extinguiu quase que completamente as formas de vida do mundo de então (incluindo aí os dinossauros). Confirmado. Etc. Etc.

9. Muito mais poderia ser dito sobre esse “conto” de Orsi, mas concluo com esta pérola dele: “A vacuidade científica da tese criacionista leva seus cultores a atacar a evolução.” Negativo. O que leva a maioria dos criacionistas (pelo menos os que eu conheço) a “atacar” a evolução é a doutrinação materialista que procura forçar os estudantes a aceitar um pacote ideológico (filosófico) como se fosse ciência empírica. O que leva os criacionistas a “atacar” a evolução é o desejo de que se compreenda o que é ciência e o que é naturalismo filosófico; que se perceba que há um grupo de ateus tentando usar essa “teoria” como alavanca para mover Deus para o lado e defender sua descrença; que se evidencie o fato de que o evolucionismo se transformou numa verdadeira religião e que seus defensores são tão fanáticos quanto o estereótipo de criacionista que eles criaram.

De qualquer forma, é bom saber que a revista Galileu agora também publica contos de ficção científica travestidos de ciência. Não faltava mais nada mesmo... (Michelson Borges)

sábado, 17 de agosto de 2013

Ôps.. parece que os peixes não evoluíram mesmo, parece que foram criados!!

Um conjunto especial de fósseis de peixes australianos descarrilou a preciosa história evolucionista em torno da origem dos peixes. Os espantosos fósseis preservaram de modo detalhado as características corporais dos tecidos moles, incluindo os locais exatos em que os músculos se ligavam aos ossos do peixe. Essas pistas permitiram que os paleontólogos reconstruíssem a anatomia do agora extinto peixe. Para sua grande surpresa (uma vez que contavam encontrar características muito mais “primitivas”) os cientistas descobriram um peixe blindado, totalmente musculado e perfeitamente construído. Devido a mais um dado que não se ajusta às suas expectativas, os evolucionistas veem-se agora na obrigação de reescrever (outra vez) a história evolutiva em torno da evolução das mandíbulas.[1]

O peixe extinto tem o nome de placodermo e os cientistas australianos descreveram a forma como, durante décadas, a teoria da evolução propôs o “modelo do tubarão” como explicação para a origem das mandíbulas (modelo esse que assumia que a estrutura dos músculos dos placodermos era semelhante à dos tubarões modernos). O artigo foi publicado na Science.[2]

Os crânios de tubarão estão construídos de lado-para-o-lado, e eles usam músculos orientados para os lados. Mas os crânios dos placodermos estão formados de cima-para-baixo e, naturalmente, os músculos estão construídos de uma forma que os permite fazer um controle adequado. A história mitológica evolutiva explica que o primeiro peixe a evoluir as mandíbulas [...] não tinha evoluído ainda a musculatura completa necessária para mover a cabeça e as mandíbulas de uma forma poderosa e com coordenação eficiente. Essas novas descobertas demonstram que os placodermos tinham tudo o que era necessário para um funcionamento adequado e completo das mandíbulas.

Esses peixes cascudos “apresentam uma anatomia que difere de uma forma radical do modelo do tubarão”, afirmaram os editores do estudo.[2] Colocar em cheque o modelo do tubarão é algo muito importante, uma vez que os placodermos supostamente representam a primeira e “a mais primitiva versão da anatomia de um vertebrado com maxilares.”[2] Que evolucionista não estaria interessado em descobrir mais sobre a suposta “transição de uma forma sem maxilares para um vertebrado com maxilares?” O que se observa é que os placodermos tinham um pescoço bem desenvolvido e uma musculatura do tronco que operava suas mandíbulas da mesma forma que qualquer outro animal ainda vivo opera – excetuando os tubarões.

Os músculos do peixe encontravam-se, a certa altura, mineralizados, preservando suas formas. Os músculos desses peixes cascudos antigos tinham a postura antagônica necessária para elevar a cabeça, abrir o maxilar inferior e juntar o inferior com o superior (fechar a boca), quando era necessário se alimentar.

O ponto a destacar é que esses supostos “peixes primitivos” – que alegadamente representam o advento da evolução da mandíbula – aparecem no registo fóssil sem qualquer evidência de fazerem parte de alguma sequência de animais pertencentes a uma imaginária linha evolutiva progressiva.

Essa descoberta forçou os autores do estudo a inventar uma nova explicação para o fato de as expectativas evolutivas terem sido refutadas com as observações. Em vez de os músculos do tronco ou do estômago evoluírem muitos milhões de anos depois da primeira mandíbula, eles alegadamente evoluiriam nesses peixes com mandíbulas “primitivos”. Mais tarde, segundo a teoria da evolução, os músculos desapareceram nos descendentes que se seguiram. Só para “reevoluírem” mais tarde.

Ao contrário das contorções e das constantes revisões que os evolucionistas se veem forçados a fazer na teoria da evolução como forma de acomodar a ciência com sua fé, o modelo bíblico não tem a necessidade de reescrever a história ou colocar de lado alguns fatos. A Bíblia Sagrada é absolutamente clara em afirmar que o Senhor – e não a natureza – criou o peixe.

Além disso, sabemos mediante a Palavra de Deus que o mundo sofreu um dilúvio global que, inquestionavelmente, também terminou com a vida de algumas criaturas oceânicas, além dos animais que respiravam pelas narinas e que não se encontravam na arca. Portanto, o dilúvio é muito provavelmente responsável pela mineralização espantosa e pelo enterro rápido desses placodermos australianos.

Outro corolário em favor do modelo bíblico pode explicar o porquê de esse peixe particular se encontrar nas camadas sedimentares mais baixas. Isso acontece não porque eles evoluíram primeiro, mas sim porque sua armadura óssea pesada os atrasou no momento em que eles tentavam escapar das águas rápidas do dilúvio.[3]

De qualquer das formas, esse achado claramente mostra que o placodermo, o alegado ancestral mais antigo dos peixes com mandíbulas, tinha tudo o que era necessário desde o princípio – coisa que parece sugerir que foram criados.

Fonte: Darwinismo.

Referências:
1. “This episode of evolutionary history already drags baggage, as fossils have so far failed to confirm either of two main competing theories of jaw evolution – the ‘serial theory’ and a more convoluted ‘composite theory’.”
2. Trinajstic, K. et al. “Fossil Musculature of the Most Primitive Jawed Vertebrates”. Science. 341 (6142): 160-164.

3. For example, world renowned vertebrate fossil authority Clack noted that an Australian fossil cache contained “a spectacular number of fossil fishes in extensive bedding planes that probably represent mass mortality events. Most of the fishes are placoderms”. Clack, J. A. 2012. Gaining Ground, Second Edition: The Origin and Evolution of Tetrapods (Life of the Past). Bloomington, IN: Indiana University Press, 78.

sábado, 3 de agosto de 2013

"Alegar a existência do Criador requer apenas o uso da razão"! Deus é uma necessidade, o universo declara.

Durante a semana passada, em Nice (França) tive o privilégio de participar juntamente com 30 estudiosos, maioritariamente cientistas e matemáticos, numa conferência em torno da questão do universo ter sido criado, ou pelo menos afinado, para a vida (em especial para a vida inteligente). Os  participantes – de Yale,Princeton, Harvard, Berkeley, e Columbia, bem como de outras universidades Americanas e Europeias – incluíam pessoas que  acreditavam em Deus, agnósticos e ateus. Ficou mais ou menos claro que o consenso científico afirma que o universo se encontra calibrado de um modo minucioso de modo a permitir a  possibilidade da vida. Parece que vivemos num universo especial, um onde tanto a configuração da matéria ao nível do início cósmico bem como os valores dos vários parâmetros físicos – tais como a velocidade da luz, a força da atracção gravitacional, e a taxa de expansão do universo – encontram-se certos para a vida. E a menos que alguém se assuste com o termo, parece que o universo foi criado especialmente para a biogénese e para a vida  humana.
Em relação à calibração afinada (inglês: “fine tuning”) do universo, poderia-se escrever um livro só citando os argumentos em favor dela feitos pelos cientistas mais distintos do mundo. Eis aqui só uma pequena amostra, recolhida pelo físico Gerald Schroeder, (Ph.D. pela MIT, lugar onde  mais tarde ensinou a Física).
Michael Turner, astrofísico na Universidade de Chicago e Fermilab disse:
O nível de precisão é semelhante a alguém atirar um dardo duma ponta do universo para o outro, e atingir o centro dum alvo com o diâmetro de um
milímetro.
Paul Davies, professor de Física Teorética na Universidade de Adelaide diz:
O que é realmente espantoso não é o facto da vida na Terra encontrar-se equilibrada na aresta duma faca, mas sim o facto do universo inteiro  estar equilibrado do mesmo modo; ele estaria um caos total se alguma das “constantes” fosse ligeiramente diferente.
Roger Penrose, professor de Matemática na Universidade de Oxford, escreve que a probabilidade do universo ter energia usável (baixa entropia) no  momento da sua criação é “uma parte de dez à potência de dez à potência de 123.” Isto é, “um milhão de biliões de biliões de biliões de biliões de  biliões de biliões de biliões de biliões de biliões de biliões de biliões de biliões de biliões de zeros.”
Steven Weinberg, recipiente do Prémio Nobel da Física e um agnóstico anti-religioso, nota que “a existência de vida de qualquer tipo parece requerer  o cancelamento entre diferentes contribuições para a energia do vácuo, com uma precisão de cerca de 120 casas decimais.” Como explica o site, “Isto  significa que se a energia do Big Bang fosse, em unidades arbitrárias, não:
100000000000000000000000000000000000000000000000000
000000000000000000000000000000000000000000000000000
000000000000000000
Mas no seu lugar:
100000000000000000000000000000000000000000000000000
000000000000000000000000000000000000000000000000000
000000000000000001
……….. não haveria vida de qualquer tipo no universo inteiro.”
Cabeça AreiaA menos que alguém seja um ateu com a mente fechada (existem ateus com a mente aberta), numa base puramente científica, não é válido negar que o universo encontra-se calibrado minuciosamente duma forma improvável de modo a gerar a vida, e muito menos negar que o mesmo está feito para a  existência de vida inteligente. Para além disso, é um dogma ateísta (e não algo científico) classificar a noção da criação como “não-científica”. A alegação de que a ciência não pode sugerir que a inteligência vem de outra inteligência ou que o design vem dum designer é simplesmente uma tautologia e um dogma mascarado de ciência. No entanto, muitos cientistas inadvertidamente disponibilizaram evidências em favor disto. Como forma de resposta ao argumento do design cósmico, foi avançada a noção do multiverso – a ideia de que existem muitos, provavelmente em número infinito, de universos. Esta ideia esvazia por completo a ideia da calibração minuciosa do nosso universo e, obviamente, esvazia o argumento do design. Afinal, num número infinito de universos, um universo com os parâmetros certos para a vida é mais provável de surgir por acaso. O problema (para os multiversistas) é que não existe qualquer tipo de evidência que suporte a tese da existência de outros universos – nem poderia  existir uma vez que o contacto com outros universos é impossível). Devido a isso, só se pode chegar a uma conclusão: o facto dos ateus terem  recorrido ao argumento do multiverso é uma admissão tácita de que eles perderam a discussão em torno do design neste universo. As evidências em  favor do design neste universo são tão convincentes que a única forma de evitar a conclusão óbvia (que o universo é obra de Design Inteligente) é  sugerir que o nosso universo é apenas mais um numa linha infinita de universos.
Os ateus mais honestos – cientistas e não-cientistas – têm que aceitar que a própria ciência argumenta de forma sobrepujante em favor dUm Criador Inteligente. (…) Alegar a existência do Criador requer apenas o uso da razão. Alegar que o Criador é Omnibenevolente requer o uso da fé.
Fonte: Darwinismo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mais supermentiras da SuperInteressante para este Natal


A revista Superinteressante, ao longo dos anos e cada vez mais distante de sua proposta original, se tornou extremamente previsível e redundante. Tanto é assim que, quase sempre nos meses de dezembro, os editores dela dão um jeito de publicar alguma coisa sobre Jesus, desde que seja algo sensacionalista e contrário ao que dizem os Evangelhos. O título da matéria de capa deste mês é autoexplicativo e típico: “Jesus, a verdade por trás do mito”. É a mesma ideia de sempre: o relato evangélico sobre Jesus é mitológico, mas a Superinteressante, com base em duas ou três fontes (sempre liberais ou simplesmente descrentes), tem a verdade. É a Superdona da verdade.
Segundo a reportagem, “é consenso entre os historiadores de que Jesus nasceu mesmo em Nazaré”. Então citam John Dominic Crossan (sempre ele), para quem “tanto Mateus quanto Lucas dizem que Jesus nasceu em Belém com o objetivo de dizer metaforicamente, simbolicamente, que ele é o ‘novo rei Davi’”. E a revista prossegue em sua tentativa de desconstrução da história: “O motivo que Lucas dá para José e Maria terem ido a Belém não existiu. O governo de Augusto é extremamente bem documentado. E não há registro de censo nenhum. Menos ainda um em que as pessoas teriam que ‘voltar à cidade de seus ancestrais’.”
Mas o fato é que, quando o assunto é a pessoa de Jesus Cristo, mesmo entre os incrédulos a resposta não é clara. “Existem aqueles que defendem a ideia do Jesus mito, dizendo que ele não foi nada além do que um plágio de divindades egípcias, gregas, romanas e do hinduísmo”, explica o pastor e teólogo Luiz Gustavo Assis, de Porto Alegre, RS. Alguns ateus militantes são taxativos em dizer que Jesus jamais existiu, e quase num malabarismo lógico (ou ilógico) tentam descartar as mais de dez referências extrabíblicas que O mencionam. Mais recentemente, o agnóstico Bart Ehrman lançou o livro Did Jesus Exist? The Historical Argument for Jesus of Nazareth (HarperOne, 2012), no qual ele curiosamente defende a historicidade do carpinteiro de Nazaré! “Afinal, quem está com a razão?”, pergunta Luiz.
Lunático ou impostor
Entre uma e outra crítica, existem uns poucos fatos bem conhecidos na matéria da Super. Por exemplo: “Outro consenso é o de que Jesus nasceu ‘antes de Cristo’. A fonte aí é a própria Bíblia [note como, de repente, numa crise de “bipolaridade jornalística”, a Bíblia passa a ser aceita como fonte histórica]. Mateus e Lucas dizem que Ele veio ao mundo durante o reinado de Herodes, o Grande (não confundir com Herodes Antipas, seu filho, o soberano da Galileia durante a fase adulta de Jesus). Bom, como esse reinado terminou em 4 a.C., Ele não pode ter nascido depois disso. E sobre o dia do nascimento a Bíblia é clara: não diz nada.” Curiosamente, Superinteressante escolhe os textos bíblicos que devem ser claros e confiáveis e descarta os que não quer que sejam confiáveis. Tanto é que, quando trata dos “reis magos”, sentencia: “Essa é uma história típica da mitologia em torno de Jesus.”
No quarto tópico tratado pela matéria sob o intertítulo “Jesus era só um entre vários profetas”, há a sugestão de que Jesus Cristo teria sido apenas um profeta. O especialista consultado é Chevitarese (sempre ele, também), para quem João Batista seria um “concorrente” de Cristo: “Ele não se ajoelharia na frente de Jesus e diria que não é digno de amarrar a sandália dele, como está nos evangelhos”, diz Chevitarese. E mais uma vez ficamos confusos: Superinteressante aceita ou não o relato dos Evangelhos?
Mais: não é possível aceitar que Jesus fosse apenas um profeta. Nenhum profeta bíblico jamais assumiu prerrogativas divinas como a de perdoar pecados e se dizer Deus. Conforme lembra Luiz Gustavo, no Antigo Testamento, o verbo hebraico salah (perdoar) só ocorre tendo Deus como sujeito. “Quando Jesus utilizou esse verbo, estava deixando bem explícito como Ele via a Si mesmo”, diz o teólogo. Jesus fez isso mais de uma vez, tanto é que quase foi apedrejado por blasfêmia. Fosse apenas humano e teria sido mesmo uma blasfêmia. Fosse apenas humano e não teria aceitado a declaração de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus.” Se Jesus fosse apenas humano, jamais teria sido aceito como profeta, apenas. Ou seria um lunático ou um impostor. Não profeta.
“Entregar” e “receber”
O tópico 5 vai mais longe ao afirmar que Mateus, Marcos, Lucas e João não são os autores dos evangelhos. “Ninguém sabe quem escreveu os livros”, afirma a revista. Falso. Os chamados pais da igreja, ou seja, a geração seguinte de líderes que sucedeu os apóstolos, citaram vários textos dos Evangelhos, tanto é assim que, conforme acreditam alguns estudiosos, mesmo que se perdessem os manuscritos dos apóstolos seria possível recuperar toda a história de Jesus com base nos textos patrísticos que citam os Evangelhos.
Outra “verdade” da Super: “O mais provável é que comunidades cristãs tenham encomendado esses trabalhos [os Evangelhos] – e ditado aos escribas as histórias que conhecemos hoje.” Por quê? Porque, segundo a revista, os discípulos seriam analfabetos. Contraditoriamente, a mesma matéria informa que Mateus era cobrador de impostos e que Lucas era médico. Seriam mesmo analfabetos? De acordo com o especialista em Novo Testamento Ben Whiterington III, do Asbury Theological Seminary, nos EUA, a palavra grega agrammatos, utilizada em Atos 4:13 referindo-se aos discípulos de Cristo, tem o significado de não ser treinado nas leis rabínicas e não significa ausência de instrução. (Certa ocasião, a revistaGalileu também afirmou que Jesus seria iletrado, esquecendo-se completamente da cena em que Ele escreve no piso do templo.)
“Dos evangelhos, o primeiro a ser escrito foi aquele que hoje [não apenas hoje, mas desde sempre] é atribuído a Marcos, quase 40 anos após a morte de Jesus”, afirma a matéria, se esquecendo de que uma fonte tão recente assim em relação aos fatos ocorridos seria facilmente refutada pelas testemunhas oculares ainda vivas na época. Segundo Luiz Gustavo, atualmente existe acalorada discussão envolvendo um fragmento descoberto entre os Manuscritos do Mar Morto, na Jordânia, e o Evangelho de Marcos. Trata-se do documento 7Q5, que muito provavelmente seja o manuscrito mais antigo desse evangelho, de acordo com o falecido papirologista espanhol e teólogo Josep O’Callaghan. “É bom lembrar que a comunidade de Qumran foi destruída antes do ano 70 d.C., e na biblioteca deles já havia um exemplar do Evangelho de Marcos. Sem dúvida, ele deve ter sido escrito antes dessa data”, conclui Luiz. Os textos de Paulo são ainda mais próximos do tempo de Jesus. Um exemplo disso é 1 Coríntios 15:3-7. Trata-se de um antigo credo cristão que Paulo estava citando para os fiéis de Corinto. Existem várias palavras e expressões nesses versos que jamais foram utilizadas por ele em outras passagens, demonstrando que ele estava citando algo. Não só isso, mas os verbos “entregar” e “receber” eram termos técnicos utilizados no meio rabínico para transmitir tradições orais.
A “esposa do Cordeiro”
As fortes tendências semíticas nesses textos demonstram que esse credo surgiu na região de Jerusalém e Paulo deve ter tido contato com ele em algum momento depois de sua conversão, em 34 d.C., poucos anos após os ministério de Jesus, que se encerrou em 31 d.C. “Em outras palavras”, explica Luiz, “o que temos em 1 Coríntios 15:3-7 é um credo cristão falando da morte, sepultamento, ressurreição e das aparições de Jesus, elaborado pouco tempo depois desses eventos, e que facilmente poderia ser desmentido.”
Na contramão da Super, a jornalista Isabela Boscov, na revista Veja do dia 15 de dezembro de 2004, escreveu: “As fontes mais aceitas sobre a trajetória de Jesus – os evangelhos sinópticos, de Mateus, Lucas e Marcos – são consistentes com o que se sabe sobre a Palestina do século I, de forma que a chance de serem fruto da imaginação de seus autores é desprezível.”
Sir William Ramsey, célebre historiador e arqueólogo do século 19, esforçou-se por demonstrar que a história de Lucas estava cheia de erros. Entretanto, após toda uma vida de trabalho e estudos, ele escreveu: “A história de Lucas é insuperável quanto a sua fidedignidade” (The Bearing of Recent Discoveries on the Trustworthiness of the New Testament [Grand Rapids: Baker], p. 81). Mas a Superdona da verdade consulta esse tipo de fonte? Não, nunca.
A revista não ia perder a chance de colocar o dedo na polêmica em torno da suposta esposa de Jesus: ao falar a respeito dos “evangelhos apócrifos”, informa que “um deles é aquele descoberto recentemente e que ficou famoso por dizer que Jesus era casado“. Trata-se de um fragmento de papiro em que se lê: “Minha esposa [...].” O resto está cortado. “O manuscrito é dos anos 300 d.C. Bem mais recente que os evangelhos do Novo Testamento”, portanto bem menos confiável que os manuscritos bíblicos. Mas o pior vem a seguir: “O que ele [o fragmento egípcio com texto incompleto e cortado] significa? Que alguma comunidade cristã daquela época acreditava que Jesus era casado.” Isso é interpretação mirabolante de quem não estuda a Bíblia. Ainda que acreditássemos na autenticidade do papiro, o fragmento de frase “Minha esposa [...]” poderia significar muitas coisas, inclusive uma menção à igreja, representada no Apocalipse (e em outros livros bíblicos) como a “esposa do Cordeiro”.
Bom “vendedor”
Além de também tentar redimir o traidor Judas (tópico 6) (leia sobre isso aqui, aqui e aqui), no tópico 7, a revista vai mais longe: procura reinterpretar as palavras de Jesus (registradas nos evangelhos que ela não aceita, relembre-se). “O reino de Deus ou Reino dos Céus) que Jesus pregava iria acontecer aqui na Terra mesmo [...] Jesus chega a afirmar que o Reino de Deus já chegou”, diz o texto, numa clara tentativa de sugerir que Jesus não Se refere ao fim do mundo. Que falta faz a boa teologia! Superinteressantedeveria fazer o dever de casa e perguntar a alguns bons teólogos por que Jesus Se referia ao reino de Deus no futuro e no presente. Algum desses estudiosos poderia explicar que Jesus faz menção ao reino da graça (presente) e ao reino da glória (futuro). Como Rei dos reis, onde Jesus está, ali está o reino dos Céus. Portanto, o reino já estava de fato entre as pessoas do século 1, e também pode estar com qualquer um que convide Jesus para morar em seu coração, em sua vida. Mas o aspecto glorioso desse reino de fato está no futuro, quando Jesus voltar à Terra para resgatar aqueles que aceitaram o reino da graça. Simples assim. Não tem nada de oportunismo, como Superinteressante sugere, como se Jesus, ao ver que Sua pregação apocalíptica não se cumpria, teria se saído com esta: “Meu reino não é deste mundo.”
O viés da matéria da Superdona da verdade fica ainda mais claro no fim do texto, no “Para saber mais”. São indicados apenas dois livros, de autores que defendem a mesma linha de pensamento: André Chevitarese e o ex-cristão Bart Ehrman. Existem vários acadêmicos de respeito que poderiam ser citados como contraponto. O teólogo e filósofo Gary Habermas, da Liberty University, nos EUA (leia entrevista exclusiva com ele na revista Conexão 2.0 de janeiro), e Craig Evans, da Acadia Divinity College, no Canadá. Ambos possuem vários livros publicados sobre Jesus e o surgimento do cristianismo, mas são sempre ignorados em matérias como essa da Super.
Se não consegue sequer fazer bom jornalismo “ouvindo os dois lados”, como Superinteressante vai nos fazer crer que é capaz de falar de Jesus com isenção? Bem, o importante é vender revistas e Jesus é um bom “vendedor”. Isso é fato e a Super sabe muito bem.

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