sábado, 19 de janeiro de 2013

Se somos limitados, nossa ciência também o é e possui lacunas!

Embora Deus Se revele por meio da natureza e, especialmente por meio da Revelação, a Bíblia Sagrada, devemos ter sempre em mente um detalhe significativo: nossas limitações de conhecimento

A mente humana, naturalmente, comprometida (ou não) com os ideais da pesquisa científica, procura compreender possíveis eventos passados, mesmo que sejam únicos e irreproduzíveis (origem do Planeta Terra, origem da vida, origem do registro fóssil, origem do ser humano, etc.). Teríamos, então, à nossa disposição meios confiáveis para descobrir os fenômenos pretéritos (causas primeiras)? Ou pelo menos teríamos fortes evidências desses eventos singulares? Esses eventos nos possibilitariam relacioná-los coerentemente com os correspondentes efeitos atuais – complexos e variados sistemas (orgânicos e inorgânicos), objetos de estudo das ciências naturais?

Os detentores do saber acadêmico – tão valorizado pela sociedade do século 21 – não hesitariam em responder: “Sim, a ciência (figura 1) tem as melhores (ou únicas) respostas para as questões sobre as origens.” No entanto, no próprio meio universitário identificaríamos alguns problemas. Por exemplo, esse saber científico estaria vinculado à ciência natural, à ciência empírica ou à ciência histórica? Qual delas possibilitaria reconstruir, fielmente, os referidos fenômenos causais (não recorrentes)?

Figura 1. Conhecimento científico


Com efeito, considerando-se a prática objetiva da metodologia científica (as relações de causa e efeito podem ser apreciadas diretamente), os presumíveis eventos singulares, ligados às origens, não estarão acessíveis à observação direta e, evidentemente, à experimentação, caracterizando, assim, uma importante limitação da própria metodologia científica. Consequentemente, na construção de hipóteses e modelos das origens, o conhecimento científico, insuficiente, necessariamente se mesclará com conhecimentos não científicos ou metafísicos (pressupostos filosóficos, cenários imaginários, narrativas bíblicas, etc.).

Assim, o método científico ao mesmo tempo em que se revela como um eficaz procedimento de investigação na obtenção de conhecimentos verdadeiros, também constitui um método com limitações intransponíveis, incapaz de preencher importantes lacunas do conhecimento, especificamente no que diz respeito à construção de modelos das origens. Portanto, o reconhecimento da necessária utilização de uma componente não científica, nesses mesmos modelos, evitará discussões e constrangimentos desnecessários. Em síntese, existiriam pelo menos três tipos de lacunas no campo do conhecimento científico, com suas respectivas implicações:

Lacunas provisórias – Essa é uma situação que possibilita o desenvolvimento de novos projetos de pesquisa, em que o conhecimento científico sobre determinado tema poderá ser construído, atualizado e/ou ampliado (por exemplo, a compreensão das leis fundamentais da física). Evidentemente, nesse caso o objeto do estudo científico não estará vinculado a assuntos sobre as origens da vida, do ser humano, do globo terrestre, etc. Ou seja, nos fenômenos naturais então analisados, as relações de causa e efeito podem ser investigadas diretamente.

Lacunas parcialmente permanentes – Referem-se às situações controversas mais comumente enfrentadas pelos cientistas, na busca pela compreensão de eventuais fenômenos pretéritos (por exemplo, a origem do registro fóssil). As relações de causa e efeito podem ser feitas apenas indiretamente. Ou seja, as lacunas parcialmente permanentes são aquelas preenchíveis (incompletamente) pelos conhecimentos científicos. Nesse caso, procura-se consciente ou inconscientemente preencher o espaço vazio (deixado pelas próprias limitações do método científico) pelos conhecimentos (complementares) de natureza, evidentemente, não científica.

Lacunas permanentes – Entre as questões fundamentais, que impelem a mente humana a buscar respostas convincentes, destaca-se aquela que geralmente divide as opiniões de cientistas, filósofos e teólogos: Qual é a origem da vida? No contexto dessa questão importante, provavelmente seja aqui que se encontram as maiores lacunas do conhecimento. Ou seja, tanto as causas como os efeitos imediatos estão além da investigação científica. Essa situação caracteriza uma lacuna permanente do conhecimento: extrema insuficiência do conhecimento científico.


Figura 2. Naturalismo ontológico



Nas lacunas parcialmente permanentes – e mais frequente e intensamente nas lacunas permanentes –, o conhecimento não científico (auxiliar ou complementar) mais utilizado por biólogos e geólogos ateístas consiste de proposições filosóficas extraídas do naturalismo ontológico (figura 2). Já para alguns cientistas cristãos, o conhecimento bíblico-histórico (autoconsistente e autossuficiente) possibilita complementar ou mesmo ampliar eficazmente o conhecimento científico, na construção de modelos sobre as origens (figura 3).



Figura 3. Conhecimento Bíblico-Histórico



Portanto, os cristãos acreditam que a revelação divina fornece informações interessantes e úteis na compreensão da realidade. Em associação com o conhecimento científico (uma vez que a Bíblia e a ciência sejam devida e corretamente estudadas/compreendidas), a revelação bíblica fornece uma visão ampla do mundo. E essa revelação começa por afirmar que o Universo foi criado por um Deus todo-poderoso e que esse Deus Se envolveu e Se envolve na história humana. As “marcas” desse envolvimento (na biologia, na geologia, na física, etc.) podem ser rastreadas por pesquisadores que se valem do método científico.


Conclusões:

– “Corretamente entendidas, tanto as revelações da ciência como as experiências da vida se acham em harmonia com o testemunho das Escrituras relativo à constante operação de Deus na natureza” (Ellen G. White, Educação, p. 130).

– Em Gênesis 1:1, Moisés escolheu a dedo o verbo bara’ (“criar”). Ele poderia ter utilizado dois outros verbos hebraicos asah(“fazer”) ou yatsar (“formar”), mas usou especificamente bara’ que, segundo o comentário da Bíblia de Jerusalém, por exemplo, “é reservado à ação criadora de Deus, diferente da ação produtora do homem” (grifo nosso).

– O mesmo Deus capaz de criar todo o Universo a partir do nada (ex nihilo), pelo poder de Sua palavra, é apresentado por Davi como Aquele que é capaz de criar algo que não é inerente ao ser humano neste mundo de pecado: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro” (Sl 51:10). Coração puro ou Universo do nada, para Deus, são coisas simples de ser feitas. Se confiamos no relato de Gênesis, também devemos confiar na promessa do Salmo – e em tantas outras promessas que dependem de nossa concepção do Criador.

– João abriu seu evangelho com palavras bem semelhantes às de Gênesis 1 (cf. Jo 1:1-3). João apresenta Aquele que criou todas as coisas (não podendo, portanto, ser Ele mesmo criado, como podem pensar alguns). Jesus é o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último (Ap 1:17).

O que você concluiria a respeito de alguém que, sendo homem, se dissesse Deus? Consideraria esse homem “sábio”? Algum profeta de Deus disse algo parecido de si mesmo? Na verdade, alguém que afirmasse ser Deus, se não fosse, deveria ser tratado como louco ou charlatão, menos “sábio”. Assim, ou Jesus é Deus, ou não serve como modelo de conduta, muito menos como Salvador.

– Romanos 1:20 e Salmo 19:1 tratam da “revelação natural” e afirmam que as digitais espalhadas na natureza apontam para as mãos do grande Designer cósmico, cujos “atributos invisíveis” podem ser detectados por meio “das coisas que foram criadas”. A criação do Universo aponta para o Criador e consiste num dos mais conhecidos argumentos para a existência dEle. Esse argumento é também chamado de cosmológico, e pode ser expresso assim:


1. Tudo o que teve um começo teve uma causa.
2. O Universo teve um começo.
3. Portanto, o Universo teve uma causa.


– Não havia mundo natural nem leis naturais antes do “surgimento” do Universo. Uma vez que a causa não pode vir depois de seu efeito, as forças naturais não foram responsáveis pela origem do Universo. Portanto, deve haver alguma coisa acima da natureza para realizar o trabalho. Isso é o que significa a palavra sobrenatural.

– A conclusão a que podemos chegar é a de que o Universo foi causado por alguma coisa externa ao tempo, ao espaço e à matéria ­– portanto, uma Causa eterna; uma Causa primeira não causada. E como o Universo apresenta lógica e funciona de acordo com leis finamente reguladas, concluímos também que essa Causa tem que ser muito inteligente. Essa conclusão é compatível com as religiões teístas, mas não tem por base apenas essas religiões. A base está, igualmente, na razão e nas evidências. O argumento teleológico, ou do propósito, em forma de silogismo, fica assim:


1. Todo projeto tem um projetista.
2. O Universo e a vida foram projetados.
3. O Universo e a vida têm um projetista.


– Segundo Richard Dawkins, em seu livro O Relojoeiro Cego, a informação encontrada no núcleo de uma pequena ameba é maior do que os 30 volumes combinados da Enciclopédia Britânica. E a ameba inteira tem tanta informação em seu DNA quanto mil conjuntos completos da mesma enciclopédia. Agora, pense na “máquina” mais complexa do Universo: o cérebro humano. Infelizmente, não temos espaço aqui para discorrer sobre ele.

– Resumindo, a informação complexa e específica da qual dependem todas as formas de vida e que simplesmente não poderia surgir por acaso é um dos maiores problemas para os defensores do evolucionismo naturalista. Esse tipo de informação aponta para uma Fonte informante inteligente.

– Quando lemos textos como Jeremias 51:15, 16 e Salmo 33:6, 9 (entre tantos outros), podemos ter uma pálida compreensão da grandiosidade do nosso Deus. Mas, quando lemos os evangelhos e entendemos que esse Deus maravilhoso Se fez homem e caminhou entre nós, ficamos ainda mais maravilhados. É muito bom saber que Deus é todo-poderoso, mas é melhor ainda saber que Ele é todo-interessado em Suas criaturas e todo-amoroso.




Michelson Borges, jornalista pela UFSC e mestre em teologia pelo Unasp.
Nahor Neves de Souza Jr., geólogo pela Unesp e doutor em engenharia pela USP.


Fonte: CPB

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