sábado, 26 de janeiro de 2013

O novo nascimento e a predestinação (parte II)


(...continuação:)

Ter conhecimento sobre a Bíblia também não é suficiente para que se tenha a certeza de que houve o novo nascimento. O texto de João citado mais acima (Jo 3:5,6) foi dito por Jesus em sua conversa com Nicodemos, “uma autoridade entre os judeus”, um “mestre em Israel” (Jo 3:1,10, NVI), mas que não havia nascido “de Deus” ainda, mesmo já sendo “velho” (:4)!

Por outro lado, nascer espiritualmente não é sinônimo de perfeição de conduta e caráter. O Senhor Jesus admitiu que os banhados pelas águas batismais, precisavam lavar ao menos os pés, posteriormente, para continuarem limpos: “Declarou-lhe Jesus: Quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais, está todo limpo” (Jo 13:10). Ou seja, assim como alguém toma banho e em seguida suja os pés com a poeira da estrada, o filho de Deus, mesmo tendo “nascido do Espírito”, certamente ainda vai cometer pecados, sujar-se!

Parece que a única evidência segura do novo nascimento é a constância, a perseverança! “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 24:13). “A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança” (Lc 8:15). “É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma” (Lc 21:19). “Se perseveramos, também com ele reinaremos” (II Tm 2:12). “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1:4). Perseverar, portanto, tem mais a ver com crescimento do que com permanência simplesmente.

Uma vez que o conceito bíblico do batismo do Espírito Santo, do novo nascimento ou do nascimento “de Deus”, do revestir-se de Cristo foi bem entendido, podemos explorar águas mais profundas!

“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (I Jo 5:4).

O profeta João, o que mais escreveu sobre o tema do novo nascimento, trabalha uma ideia muito forte. Os filhos de Deus vencem o mal. Os que nasceram de Deus de fato, não perdem a guerra! No final, na volta de Jesus, só os que “O receberam”, Nele creram e escolheram ser filhos de Deus é que triunfarão. Ninguém mais.

Até aqui tudo bem, não é mesmo? No entanto, atente para algo que não é um simples detalhe. A ideia bíblica aqui talvez seja uma vez filho de Deus, filho de Deus para sempre, ou uma vez salvo, salvo para sempre! Escrevo “talvez” porque diante da Palavra de Deus precisamos Dele para entendê-la como ela é, senão incorreremos no perigoso erro de colocar chifres na cabeça de cavalo, sendo que isso no contexto teológico, de verdade ou mentira, de vida ou morte, o que é algo muito sério. (Outro erro fatal é não querer enxergar os “chifres” quando eles realmente existem!). Só o Senhor Espírito pode nos impedir de trilhar por esses becos sem saída e só a comunhão com Ele para oportunizar o tempo que Deus precisa para nos reeducar para o Céu.

“Todo o que nasce de Deus vence o mundo”. Vamos analisar outros textos.

“Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. (...) Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não lhes deram ouvido. (...) Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor. (...) Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um” (João 10:2-5, 8, 16, 24-30).

“Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus. (...) Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue. Toda injustiça é pecado, e há pecado não para morte. Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus [Jesus, a vida eterna!] o guarda, e o Maligno não lhe toca. Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno” (I Jo 5:11-13, 16-19).

Embora eu discorde da visão calvinista da salvação, por não encontrar fundamento bíblico, reconheço a veracidade bíblica da afirmação uma vez filho de Deus, sempre filho de Deus! As ênfases colocadas nos textos acima trazem a ideia de que, um ser humano que não vai para o Céu, um perdido, não é alguém que se entregou a Deus, escolheu ser batizado, nasceu de Deus, foi revestido de Cristo, viveu no Espírito, mas tropeçou, abandonou sua decisão de outrora e se entregou ao pecado. Essa possibilidade parece ser descartada pelas Escrituras, pois, diminui o poder que Deus tem para redimir o pecador, mesmo este podendo escolher seu próprio destino final! É como se o pecador que receberá o veredito de morte eterna, “lago de fogo” (Ap 20:14,15), nunca tivesse sido filho de Deus, pois os filhos de Deus vencem (cf. I Jo 5:4), não perdem!


Perceba que eu não estou apresentando o ensinamento uma vez salvo, salvo para sempre como resultado da escolha de Deus, mas como resultado da escolha do pecador! Eu explico: Deus predestinou a TODOS, sem exceção, para o Céu (cf. Ef 1:4, I Tm 2:4,6 e II Pe 3:9). Como? “Pela graça” (Ef 2:8), pelo exercício de Sua vontade; não por algum merecimento do pecador. Também não por escolha do ser humano, já que tal “graça” é anterior à existência da humanidade (cf. I Pe 1:18-20, Ap 13:8 e Ef 1:4)! Ou seja, a solução do pecado é anterior ao pecado. Antes de Eva pecar, Deus já havia resolvido o problema dela! Obviamente, mais tarde quando ela pecou, ela precisou escolher entre a solução divina e o permanecer com o problema fatal. A salvação, portanto, deve possuir dois momentos na História – “antes da fundação do mundo” (escolha de Deus) e durante a vida do pecador (por escolha deste)! Hendrickson Rogers



Esta pesquisa está em construção. Estude a primeira parte dela AQUI. 

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