domingo, 8 de setembro de 2013

Crendices e superstições cristãs. A existência de uma parte folclórica na teologia popular em todas as denominações cristãs (Parte VII)

“O adultério gerado por um novo casamento é, necessariamente, um pecado cometido diariamente pelos novos cônjuges, isto é, enquanto durar o novo casamento” Me parece que boa parte dos cristãos pensa desse jeito: toda vez que um casal constituído por um (ou dois) cônjuge(s) que já foi (foram) anteriormente casado(s) se relaciona sexualmente, os dois cometem adultério! Mesmo sem perceber (e outros cristãos mesmo percebendo), quem crê nisso está afirmando que tal pecado é contínuo e, portanto, o casal em questão está prestes a cometer o “pecado eterno” (Mc 3:29), o pecado sem perdão, o pecado contra o Espírito Santo, a menos que se separe, concluem eles. Sem dúvida, o adultério (palavra usada por JAVÉ em Seu “7°” mandamento para: a traição conjugal, o sexo fora do casamento, o segundo casamento sem a presença do adultério no primeiro, o homossexualismo, a pedofilia, a zoofilia, o abuso sexual e a violência doméstica, e etc., confira o artigo Adultério) é um pecado e é dever do cristão seguir os ensinamentos de seu Cristo neste assunto também. Por certo os adúlteros e os que cometem imoralidade sexual não herdarão o reino de Deus como Paulo e João enfatizaram (cf. I Co 6:9, Ap 21:8  e 22:15). Precisamos, simplesmente, entender o que Deus (não os homens) considera adultério, o que é um caso particular do que Ele considera como pecado passível da condenação eterna.

Quero começar sugerindo que as fórmulas eclesiásticas para definir e classificar o pecado, embora possam até ter a intenção de proteger e educar o membro (na verdade protegem mais a instituição do que o membro), tanto quanto o julgamento que um pecador faz sobre o pecado de outro, são costumes humanos que podem diferir drasticamente do que realmente acontece no Santuário ou Tribunal de Deus, lá no Céu, no que diz respeito a como Deus avalia o caso de cada indivíduo. Mais objetivamente – não existe essa de que líderes religiosos ou quaisquer outros pecadores tenham a capacidade de avaliar um pecador como Deus o faz, seja para a absolvição ou condenação daquele! Isto é bíblico: “JAVÉ não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém JAVÉ, o coração” (I Sm 16:7). “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt 7:3-5).  Alguém pode até ficar magoado com o rótulo “hipócrita”, mas é precisamente assim que o Senhor Jesus (simplesmente o “Juiz de toda a terra”, Gn 18:25 e At 17:31) classifica o pecador que olha para o pecado do outro ignorando o seu próprio!

Igualmente a Bíblia não contém fórmulas matemáticas ou judiciárias que possamos usar para avaliar o caso de um adúltero (bem como o de qualquer outro pecador) e absolve-lo ou condená-lo. Alguns cristãos acreditam que as Escrituras possuem tais fórmulas e usam histórias e versos bíblicos para sustentarem sua visão. Pois bem. Vamos aos fatos.

#Fórmula A “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28:13). Como afirmei, alguns usam esse verso como uma fórmula capaz de medir a sinceridade e a espiritualidade de um pecador! A Bíblia nos provará que quem age assim comete estúpidos erros de julgamento.

Exemplo 1 (I Sm 12) O povo de Israel, no tempo do profeta-juiz-sacerdote Samuel, trocou seu Rei divino, JAVÉ, por um rei mortal (v.12), só para imitar as nações pagãs ao seu redor. Samuel ficou extremamente chateado, ameaçou deixar seus ofícios e falou com firmeza. O povo demonstrou se arrepender de seu pecado. Segundo a fórmula era de se esperar que Deus exigisse a mudança de atitude do povo e O recebesse novamente como seu único e insubstituível Rei. Mas, Deus não seguiu essa fórmula inventada por alguns cristãos, porque Ele não trabalha com sentenças previamente estipuladas! (Não estou afirmando que Deus não segue Sua própria Palavra. Estou escancarando que Ele não segue a interpretação equivocada que os homens fazem de Sua Revelação!) “Todo o povo disse a Samuel: Roga pelos teus servos ao Senhor, teu Deus, para que não venhamos a morrer; porque a todos os nossos pecados acrescentamos o mal de pedir para nós um rei. Então, disse Samuel ao povo: Não temais; tendes cometido todo este mal; no entanto, não vos desvieis de seguir o Senhor, mas servi ao Senhor de todo o vosso coração. Não vos desvieis; pois seguiríeis coisas vãs, que nada aproveitam e tampouco vos podem livrar, porque vaidade são. Pois o Senhor, por causa do seu grande nome, não desamparará o seu povo, porque aprouve ao Senhor fazer-vos o seu povo. Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito. Tão-somente, pois, temei ao Senhor e servi-o fielmente de todo o vosso coração; pois vede quão grandiosas coisas vos fez. Se, porém, perseverardes em fazer o mal, perecereis, tanto vós como o vosso rei” (I Sm 12:19-25). Pode procurar em todos os 66 livros canônicos e você não achará sequer uma insinuação de que Deus pediu que o povo desistisse da ideia de um rei mortal, embora a Bíblia claramente apresente o impasse que essa decisão israelita trouxe para aquela nação! Perceba: (1) Deus, por meio de Samuel, pediu “temei ao Senhor e servi-o fielmente de todo o vosso coração”, ou seja, Israel pecou em trocar Deus, se arrependeu (ou pelo menos demonstrou certa tristeza por seu pecado como lemos logo acima), Deus não manifestou nenhuma outra reprovação além da de Samuel, perdoou Israel, caso contrário não faria sentido pedir fidelidade e integridade antes de verdadeiro arrependimento e confissão, e ainda não exigiu a destituição de Saul, o que corresponderia à parte “o que as confessa e deixa” da fórmula eclesiástica para o pecado do adultério, que estamos analisando à luz da mesma Bíblia que contém Provérbios 28:13, I Samuel 12, mas não contém a invencionice da Fórmula A! Resumindo: o povo pecou, se arrependeu (até Samuel de não querer mais ser profeta para o povo!), recebeu perdão, permaneceu no “pecado” e Deus não pediu que “deixasse” aquele “pecado”. (2) A preocupação de Deus e de seu profeta foi “Se, porém, perseverardes em fazer o mal, perecereis, tanto vós como o vosso rei”. Vemos aqui algo que explica por que eu coloquei o “pecado” mencionado de Israel entre aspas – o pecado dos que escolheram para si outro rei possivelmente foi o “mal” do verso 25. Talvez idolatria, talvez ausência de verdadeira comunhão com Deus, talvez a ausência do “temor ao Senhor”, da fidelidade e da integridade citados no verso 24. Ou seja, a demonstração exterior do “mal” cometido por Israel foi a escolha por outro rei. Talvez eles pudessem num contexto sem esse “mal” pedir um rei mortal e Deus prontamente lhes atender. Talvez num contexto sem esse “mal” eles nunca sentissem sequer a falta de um rei mortal... O fato é que Deus considerou o pecado do povo o “mal” que eles cometeram e não apenas a escolha de um rei mortal, prometendo até mesmo abençoar o povo e seu novo rei (cf. v. 14)!

Exemplo 2 Davi pecou, desprezou a “palavra de JAVÉ” (II Sm 12:9), se arrependeu, Deus o perdoou e ainda não lhe exigiu que deixasse Bate-Seba, nem mesmo o destituiu do cargo de rei israelita.

Exemplo 3 O rei Saul fez menos que Davi, aparentemente, mas Deus não o perdoou (cf. II Sm 7:15 e I Cr 17:13) e de quebra o destituiu de seu reinado!

Obviamente existe muito mais informação não relatada nas Escrituras sobre esses três exemplos supracitados e não ignoro isto. No entanto, querido(a) estudante, meu desejo é lhe mostrar que, de acordo com o que Deus quis nos revelar na Bíblia, os homens não podemos achar que somos capazes de entender toda e qualquer situação pecaminosa  entre professos cristãos e nem julgar que aqueles que mantém-se na situação pecaminosa estão em aberto desafio à Palavra de Deus, pois, como vimos, pode ser que Deus não os considere assim!

Caso você esteja a perguntar, após este estudo, ‘para que serve então os Dez Mandamentos e os princípios que eles estabelecem se a coisa é tão relativa assim e quem são, então, os adúlteros que não herdarão o reino de Deus?’. Primeiro, a Bíblia não relativiza os mandamentos de Deus. O que ocorre é que, em muitos casos, nosso certo é convenientemente certo em nosso favor. O raciocínio bíblico é: (Hendrickson Rogers)

Esta pesquisa está em construção. Aguarde seu desfecho estudando todas as suas partes anteriores:  1ª Parte2ª Parte3ª Parte4ª Parte5ª Parte e 6ª Parte (é só clicar).

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