domingo, 26 de agosto de 2012

Cronologia da historicidade da doutrina bíblica da Trindade - 2ª parte

Século 2 d.C.
Os gnósticos haviam essencialmente criado uma nova forma de protegerem a Deus de qualquer conexão com o mundo real! Em vez de utilizarem agentes de Deus, como Logos, Sofia, Justiça, Memra do Senhor, eles os apresentavam como divindades que constituíam emanações do único Deus, mas que possuíam existência independente (perceba o retorno ao politeísmo aqui!). Essas outras divindades, especialmente na forma valenciana de gnosticismo, por vezes tinham nomes como Cruz, Salvador e Igreja, nomes cristãos retirados de seu contexto habitual como base para sua leitura das Escrituras. O argumento de Irineu e o de alguns outros cristãos que se opuseram ao sistema gnóstico era o de que as “Escrituras”, corretamente interpretadas, retratam Jesus como Cristo – um ser humano real e um Deus real. Já as formas gnósticas de docetismo ensinavam que Cristo era uma dentre as muitas emanações de Deus que povoavam os reinos celestiais e que não se encontravam no nível de Deus o Pai, o Deus último e transcendente.

Sabélio desenvolveu suas ideias como reação ao triteísmo, tendência que via o Pai, o Filho e o Espírito Santo como três Deuses separados. Argumentou que, uma vez que existia somente um Deus, um Deus retratado nas Escrituras sob três formas diferentes, então os três devem ser consecutivos. Ele sugeriu que Pai, Filho e Espírito Santo eram três modos diferentes do mesmo Deus em épocas diferentes – Deus Se revelou como o Pai no AT, como Filho durante Sua vida na Terra e como o Espírito Santo no período da igreja, mas todos eram uma só pessoa! Com o tempo, o sabelianismo (ou monarquismo modalístico) provou ser outra fracassada tentativa de manter a crença num único Deus e ao mesmo tempo reconhecer que existem Pai, Filho e Espírito Santo!  

Embora todos esses pontos de vista fizessem sentido face a parte dos escritos revelados, nenhum deles conseguiu unir tudo o que as “Escrituras” revelaram acerca da Divindade e de Jesus Cristo. Estava claro que a “Bíblia” parecia revelar a Deus como uno e trino, mas ninguém no segundo século, conseguiu encontrar uma forma capaz de expressar a plena complexidade revelada nas “Escrituras”!
Século 3 e 4
Os cristãos começaram a identificar-se mais com base no que criam do que com base em como viviam e se comportavam. Essa mudança elevou o tom das discussões teológicas, pois as ideias prevalecentes se tornariam um meio de criar uma linha divisória entre os que pertenciam e os que não pertenciam à “verdadeira igreja”!

Orígenes de Alexandria, cujos comentários bíblicos estabeleceram a base para esses debates, foi provavelmente o mais influente intérprete individual da “Bíblia” na história do cristianismo, embora ele nem sempre fosse original em sua compreensão, alcançou de modo impressionante seu objetivos de reunir as valiosas interpretações primitivas das “Escrituras”. Considerado um repositório da interpretação cristã, os ensinadores cristãos achavam importante estar de acordo com Orígenes quando se envolviam em qualquer debate, durante o terceiro e quarto séculos. No segundo volume de seu Comentário de João, ele propõe-se a lidar com o próprio âmago da perplexidade relacionada com a Divindade revelada nas “Escrituras” – o relacionamento entre o Pai e o Filho. Orígenes colocou o Filho numa posição intermediária em que fazia lembrar o Pai em certos aspectos e os seres humanos em outros. Ele não considerava Jesus como sendo Deus por natureza, mas apenas por participação, apesar de retratar o Filho como efetivamente coeterno com Deus o Pai.

Ário da Líbia, presbítero da igreja de Alexandria, de quem deriva o termo arianismo, não só colocou o Filho numa posição intermediária. Ele foi explícito em seus comentários acerca da origem do Filho como ser criado. Orígenes foi ambíguo ao falar do tempo. Ário precisou o “no princípio” de João 1:1 e ousadamente ensinou sobre “o início” da eternidade do Filho! Após a perseguição de Diocleciano a igreja de Alexandria passou por anos de argumentos e acusações a respeito de quem merecia conservar-se em posições eclesiásticas. O bispo metropolitano Pedro fora martirizado e Alexandre foi eleito para substituí-lo. Em meio as contendas de dentro da igreja de Alexandria, Ário acusou Alexandre de sustentar uma falsa visão de Cristo.
Século 4
No Concílio de Nicéia (na atual Turquia), em 325 d.C. os pontos de vista de Alexandre e Ário vieram a tornar-se centrais, ao lado de ideias de outros, inclusive as de Eusébio, o historiador da igreja e bispo de Cesaréia. O resultado do concílio foi a rejeição das ideias de Eusébio e Ário e a formulação de uma declaração sobre a Trindade que tendia a vindicar os pontos de vista de Alexandre. A declaração era essencialmente a mesma do credo estabelecido pela igreja de Jerusalém, com um adendo que condenava como anátemas as ideias que colocavam o Filho em sujeição ao Pai.

Nenhum dos três principais grupos que se opuseram a fórmula de Nicéia para a Trindade reconheceu Ário como seu representante! Tampouco qualquer desses grupos concordou completamente com a cristologia ariana! Não obstante, em virtude de o credo de Nicéia conter vários anátemas contra as ideias originalmente propostas por Ário, sempre que alguém propôs ideias similares, a teologia resultante veio a ser identificada como ariana. Ário não acreditava em todas as coisas anatematizadas em Nicéia, mas seu nome tem sido normalmente utilizado para rotular qualquer ponto de vista de considere a Cristo como inferior!


Esta pesquisa está em construção. Aguardem por seu desfecho! A primeira parte da Cronologia aqui, a terceira parte aqui e a quarta parte aqui! (Hendrickson Rogers)

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