quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Cronologia da historicidade da doutrina bíblica da Trindade - 4ª parte

Século 4
A igreja gastou o tempo entre o Concílio de Nicéia (325) e o Concílio de Constantinopla (381) em ardorosos debates sobre a melhor forma de descrever o relacionamento entre Pai e Filho e, na parte final desse período, o Espírito. Considerável número de facções e fortes personalidades utilizaram meios políticos e teológicos, e mesmo a força física, para promulgar seus pontos de vista. Três grupos principais mantiveram-se em oposição teológica à formulação de Nicéia (rotulados por Atanásio e Epifânio de arianos e semi-arianos, apesar de Ário não existir mais): os que ensinavam o termo homoion, os que ensinavam o termo homoiousios e os que ensinavam o termo heteroousios, ao descrever o Pai e o Filho.

O primeiro grupo discordava do termo niceano homoousios e o substituía por homoion (“semelhante”), um termo mais ambíguo. A facção preferia o termo em virtude de sua simplicidade e porque ele aparece na Bíblia, embora nenhum dos 66 livros atuais e dos livros analisados da época empregue o termo para descrever o relacionamento entre Pai e Filho! Foi um verdadeiro retorno ao passado, antes do Concílio de Nicéia, sem avanço algum.

O segundo grupo, também conhecidos como semi-ariano, tentou amenizar o termo niceano com a expressão homoiousios (“de natureza similar”), vendendo a ideia de que Eles eram similares, em vez de iguais. Basílio de Ancira é considerado o porta-voz desta visão. O imperador romano da época havia destituído o bispo de Ancira, Marcelo, por ele crer na fórmula niceana, e colocou Basílio em seu lugar! O termo proposto por Basílio buscou eliminar o potencial para a unidade radical do modalismo e também para qualquer divisão da natureza de Deus. Basílio argumentava que, se Pai e Filho fossem o mesmo, então identifica-los como Pai e Filho rachava a essência única. Por outro lado, sendo apenas semelhantes, não eram da mesma substância de modo que não existia o perigo de se dividir a unidade de Deus. O Pai somente era Deus! Já o Filho também era criatura, apesar da maquiagem feita por Basílio em sua definição de Jesus. O problema é que os cristãos sempre haviam adorado a Jesus como Deus!

Aécio fundou o terceiro grupo: Pai e Filho são de “diferente substância” (heteroousios). No quarto século esta facção foi associada ao nome de Eunômio e em tempos mais recentes, vieram a ser reconhecidos como neo-arianos. Foram denunciados por vários concílios e rejeitados por numerosas igrejas, de modo que os neo-arianos ordenaram deus próprios bispos e estabeleceram sua própria igreja, uma prática não usual naqueles dias! Em vários sentidos eram mais consistentes internamente do que as duas outras facções – consideravam o Pai como não-gerado e o Filho como gerado pelo Pai, a partir de uma natureza (ousios) diferente da Sua própria; não existia Trindade, mas uma hierarquia com o Deus verdadeiro como líder, e o Filho e o Espírito como subordinados; mantinham o monoteísmo sem a necessidade de redefinir qualquer terminologia ou categorias. Lamentavelmente, porém, para eles Jesus Cristo e o Espírito Santo não são Deus, e o batismo deles não era feito em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas apenas na morte de Cristo.

Um quarto grupo poderia ser mencionado – “os lutadores contra o Espírito Santo”, sob o termo pneumatamachoi! Uma vez que a declaração de Nicéia havia sido extremamente sintética em sua menção ao Espírito Santo, essa facção se sentia confortável com a descrição dada pela fórmula niceana quanto à natureza do Pai e do Filho como sendo homoousios, mas argumentava que o Espírito não podia ser da mesma substância do Pai e do Filho.

Esta pesquisa está em construção. Aguardem por seu desfecho! A primeira parte da Cronologia aqui, a segunda,aqui e a terceira parte aqui(Hendrickson Rogers)

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